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  • Paulo Jorge Pereira

Agostinho Costa Sousa lê "Great Jones Street", de Don DeLillo

De volta às leituras aqui no blog, Agostinho Costa Sousa propõe um trecho do livro que o famoso Don DeLillo publicou em 1973: "Great Jones Street".



Mais conhecido como Don DeLillo, Donald Richard DeLillo é natural de Nova Iorque, tendo nascido no bairro do Bronx, a 20 de novembro de 1936, com ascendência italiana. A sua vasta e multipremiada obra literária, que inclui mais de dezena e meia de romances, inúmeros contos e peças de teatro, teve como antecedentes a formação em artes da comunicação na Jesuit Fordham University e um desempenho profissional em publicidade na agência Ogilvy & Mather. Os contos, associados ao imaginário da 7.ª Arte que lhe chegava vinda da Europa, com mais profunda influência por parte de Godard, foram dos primeiros passos na publicação, no dealbar dos anos 60. Logo em 1964 deixaria o seu posto publicitário para um empenhamento mais regular na escrita. Sobre esse momento contou ao diário britânico The Guardian, numa entrevista de outubro de 2020 em que conversou com Rachel Cooke: "Não me custou nada tomar essa decisão, até foi um grande alívio. Pagava 60 dólares de renda no meu apartamento, tinha conseguido juntar algum dinheiro e, por isso, um dia acordei a pensar: 'Vou despedir-me já hoje.' E foi isso mesmo que fiz. Pude, assim, trabalhar com calma no meu primeiro romance, pensando sempre que, mesmo que o manuscrito fosse recusado, não iria desistir. Felizmente, tive sorte, o primeiro editor aceitou-o logo. E tenho tido sorte até hoje", relatou.

Esse primeiro romance chegaria em 1971, sob o título de "Americana". Seguiu-se "End Zone" (1972) e, em 1973, o livro de que aqui hoje é apresentado um excerto por Agostinho Costa Sousa: "Great Jones Street". DeLillo publicava com regularidade e era seguido por um grupo de admiradores, mas a fama chegaria ao oitavo romance em 1985: "Ruído Branco" ("White Noise", no original) conquistou o National Book Award e, além de ver como o número de distinções crescia à medida que escrevia (receberia também o PEN/Faulkner Award e seria mesmo finalista do Pulitzer já no final dos anos 90 com a obra "Submundo), o autor não mais parou de ganhar dimensão literária e leitores à escala mundial, influenciando uma nova geração de escritores com obras como "Libra" (1988), "Mao II" (1991), "O Corpo Enquanto Arte" (2001), "Cosmópolis" (2003), "O Homem em Queda" (2007), "Ponto Ómega" (2010) ou "Zero K" (2016).

Publicado em 2020, "The Silence" permaneceu como a sua obra mais recente durante algum tempo. Na referida conversa com Rachel Cooke nessa altura, DeLillo confessava: "Com a idade que tenho, muita vezes me questiono sobre o que virá a seguir, mas não tenho respostas. Depois de tudo o que este livro envolve terei, pelo menos em teoria, a cabeça mais tranquila e logo verei. Mas, pelo menos durante este livro, continuava a ter vontade de martelar as teclas da máquina, ler o que estava escrito e prosseguir, não importando quanto tempo levaria até ao final." No ano passado surgiria "Linha Final".

Vivendo em Nova Iorque com a mulher, Barbara Bennett, o escritor confessou à jornalista que ainda visita o Bronx, onde, conforme recordou, "viviam três gerações debaixo do mesmo teto e éramos 11 pessoas". "Vou lá, encontro-me com gente da minha geração, comemos, conversamos, lembramos coisas daqueles tempos e rimos juntos - é maravilhoso!"


Relógio d'Água/Tradução de José Miguel Silva


"Não estou mais velho e sábio - estou apenas mais velho e mais lento", disse o autor em outubro de 2020, numa entrevista ao diário britânico The Guardian, num contexto em que falava sobre o livro que acabara de publicar, "The Silence". Ainda compõe as suas obra numa máquina de escrever que comprou em 1975...

Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de Antón Tchekhov: "A medicina é a minha mulher legítima, a literatura é ilegítima" para se apresentar. "A Arquitetura é a minha mulher legítima, a Leitura é uma das ilegítimas", refere. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mês, mas também leituras de obras de Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho a 31 de maio. "Histórias para Uma Noite de Calmaria", de Tonino Guerra, foi a sua escolha no dia 4 de junho. No passado dia 25 de julho, a sua escolha recaiu em "Veneno e Sombra e Adeus", de Javier Marías, seguindo-se "Zadig ou o Destino", de Voltaire, a 28. O regresso processou-se a 6 de setembro, com "As Velas Ardem Até ao Fim", de Sándor Márai. Seguiram-se "Histórias de Cronópios e de Famas", de Julio Cortázar, no dia 8; "As Palavras Andantes", de Eduardo Galeano, a 11; "Um Copo de Cólera", de Raduan Nassar, a 14; e "Um Amor", de Sara Mesa, no dia 16. A 19 de setembro, a leitura escolhida foi "Ajudar a Estender Pontes", de Julio Cortázar. A 17 de outubro, a proposta centrou-se na poesia de José Carlos Barros com três poemas do livro "Penélope Escreve a Ulisses". Três dias mais tarde leu três poemas inseridos na obra "A Axila de Egon Schiele", de André Tecedeiro. A 29 de novembro apresentou "Inquérito à Arquitetura Popular Angolana", de José Tolentino de Mendonça. De dia 1 do mês seguinte é a leitura de "Trieste", escrito pela croata Dasa Drndic e, no dia 3, a proposta foi um trecho do livro "Civilizações", escrito por Laurent Binet. No dia 5, Agostinho Costa Sousa dedicou atenção a "Viagens", de Olga Tokarczuk. A 7, a obra "Húmus", de Raul Brandão, foi a proposta apresentada. Dois dias mais tarde, a leitura foi dedicada a um trecho do livro "Duas Solidões - O Romance na América Latina", com Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Seguiu-se "O Filho", de Eduardo Galeano, no dia 20. A 23, Agostinho Costa Sousa trouxe "O Vício dos Livros", de Afonso Cruz. Voltou um mês mais tarde com "Esta Gente/Essa Gente", poema de Ana Hatherly. No dia 26 de janeiro, apresentou "Escrever", de Stephen King. Quatro dias mais tarde foi a vez de Maria Gabriela Llansol com "O Azul Imperfeito". "Poemas e Fragmentos", de Safo, e "O Poema Pouco Original do Medo", de Alexandre O'Neill, foram outras recentes participações. Seguiram-se "Se Isto É Um Homem", de Primo Levi, e "Se Isto É Uma Mulher", de Sarah Helm. No dia 18 de março, a leitura proposta foi de um excerto de "Augustus", de John Williams. A 24, Agostinho Costa Sousa leu "Silêncio na Era do Ruído", de Erling Kagge e, a 13 de abril, foi a vez do poema "Guernica", de Rui Caeiro.

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