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  • Paulo Jorge Pereira

Amélia Olivia Iliescu faz uma leitura diferente e apresenta "Canto de Luar", de Ivo Cruz

É a primeira leitura diferente aqui no blog: desta vez não se trata de um livro, mas das teclas de um piano. "Canto de Luar", de Ivo Cruz, é a obra proposta por Amélia Olivia Iliescu.




Manuel Ivo Cruz, nascido a 19 de maio de 1901, tem obra vasta como músico, compositor e professor, destacando-se os seus papéis como fundador da Orquestra Filarmónica de Lisboa (1937) e enquanto reitor do Conservatório Nacional (entre 1938 e 1971), neste caso como herdeiro de Vianna da Motta. Apesar de licenciado em Direito, a música exercia demasiada atração e, após os primeiros passos de aprendizagem na capital com António Tomás de Lima e Tomás Borba, não pôde evitar rumar a Munique, aqui aprofundando conhecimentos a partir de 1925. Dedicou-se às áreas de direção de orquestra, composição, História da Música e Estética, tornando-se docente do Conservatório quando voltou a Lisboa. Vai produzir trabalho de grande envergadura no campo da composição, desenvolvendo paixão por obras de autores portugueses pré-clássicos que ajudará a divulgar, conforme foram os casos de Carlos Seixas e João de Sousa Carvalho, ambos do século XVIII.

Além de ser determinante para a existência da Orquestra Sinfónica de Lisboa, vai participando em diversas publicações de âmbito musical e compõe obras para orquestra, para solista e orquestra, mas também música de câmara, voz e piano, apenas piano (onde se inclui "Aguarelas", de 1922, do qual é extraído o tema aqui apresentado por Amélia Olivia Iliescu, intitulado "Canto de Luar"), bailado e alguns arranjos.

Ao longo da vida tornou-se colecionador de inúmeras obras literárias dedicadas à música que acabaram por entrar na Biblioteca Nacional, além de ser um importante divulgador das ligações musicais entre Portugal e o Brasil. Escreveu a sua autobiografia e morreu a 8 de setembro de 1985.

O seu filho homónimo, que nasceu em Lisboa a 18 de maio de 1935 e viria a morrer no Porto no dia de Natal de 2010, foi maestro-diretor do Teatro Nacional de São Carlos. Formado em Ciências Histórico-Filosóficas, a ligação do pai à música acabou por conduzi-lo ao papel de bolseiro da Fundação Gulbenkian e a maestro, após a formação na Universidade de Mozart em Salzburgo. Em 1954, ainda como estudante, teria oportunidade de assegurar o primeiro concerto e nunca mais iria parar. Diretor musical e chefe da Orquestra Filarmónica que o pai fundara em Lisboa, seria responsável pela programação musical da RTP, além de participar nas óperas apresentadas pelo Teatro da Trindade e em concertos de orquestras sinfónicas que a RDP levou à prática. Investigador e pesquisador no domínio da música, recebeu inúmeros convites para atuar como maestro pelo mundo fora e foi agraciado com diversas distinções.


A criação da Orquestra Filarmónica de Lisboa, em 1937, foi uma das principais obras de Ivo Cruz, cujo papel como reitor do Conservatório Nacional também deixou marcas indeléveis.

Amélia Olivia Iliescu é formada pela Universidade Nacional de Música de Bucareste, Faculdade de Interpretação Musical, Secção de Piano (2008), na classe da Professora Dana Borșan. Na mesma universidade obteve o título de Mestre em Música de Câmara (2010). Está radicada em Portugal desde 2012, trabalhando como professora de piano no Conservatório do Vale do Sousa no distrito do Porto e também como professora de piano na Academia de Música no distrito de Braga. Ao longo dos anos deu inúmeros recitais em Portugal, entre outros, no Palácio Foz e no Museu Nacional da Música de Lisboa ou no Museu Nogueira da Silva, em Braga, e teve participações na comunicação social portuguesa. Amélia Olivia Iliescu integra grupos de música de câmara com os quais tem dado concertos em várias cidades do país e participado em conferências e encontros sobre temas científicos relacionados com a educação musical. Ao mesmo tempo, tem uma rica carreira docente com alunos que ganharam prémios em vários concursos nacionais de piano e foram admitidos em algumas das universidades mais prestigiadas.

Estreou-se aqui no blog com a leitura do poema "Ao Longe, Ao Luar", de Fernando Pessoa, no passado dia 14.

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