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  • Paulo Jorge Pereira

Amélia Olivia Iliescu lê "Madame Bovary", de Gustave Flaubert

A abordagem do tema do adultério, o puritanismo e a hipocrisia da sociedade francesa do século XIX valeram a Gustave Flaubert uma ida a tribunal por causa de "Madame Bovary". Mas o tempo fez-lhe a justiça de a obra ser considerada um clássico imortal e hoje é a proposta pela voz de Amélia Olivia Iliescu.



A obra "Madame Bovary" foi publicada em 1857. Foi um escândalo, acusado de atentado contra a moral e à religião, não só pela abordagem do tema do adultério, mas também porque o romance realista de Flaubert confrontava o clero e a classe burguesa pela sua hipocrisia. Em sua defesa, o escritor pronuncia no tribunal uma frase que se tornará célebre: "Emma Bovary sou eu!"

Nascido a 12 de dezembro de 1821 em Rouen, Gustave Flaubert teria uma infância marcada pela proximidade com o pai (cirurgião) e os irmãos no hospital local. Completados os estudos iniciais iria inscrever-se em Direito na Sorbonne, mas em 1844 foi forçado a desistir devido aos sintomas iniciais da doença nervosa que sempre o afetaria. Nesta altura, a sua vontade de dedicar-se à escrita era já bem evidente (começara em 1837 com a participação num jornal escolar, intitulado Art et Progrès, estendendo-se depois à revista Le Colibri), apesar dos esforços desenvolvidos pelo pai na tentativa de o contrariar. Em 1846, a morte do pai deixou-o sem quaisquer obstáculos para apostar na carreira literária, desde logo porque também herdara algum dinheiro - por isso pôde passar a viver em Croisset, perto da Rouen natal, mas também realizar algumas viagens a Paris e restante França, Grécia, Itália, Norte de África, Síria, Egito, Turquia e Palestina. Daqui resulta a obra "À Bord de la Cange" e já estava a ser escrito o livro "La Tentation de Saint Antoine", apenas publicado em 1874.

Foi ao interromper a escrita desta obra que Gustave Flaubert escreveu "Madame Bovary", tendo o romance sido primeiro publicado sob a forma de folhetim na Revue de Paris (mais tarde será adaptado a ópera, a ballet e ao cinema, neste caso com versões de 1934 - dirigida por Jean Renoir -, 1937, 1947, 1949, 1968, 1974, 1991, 2000 e 2014). Do processo em tribunal pelas já referidas acusações de atentado à moral e à religião resulta a sua absolvição e a crítica mostra reconhecimento pelo seu trabalho.

Visita Cartago em 1858 e, quatro anos mais tarde, escreverá "Salammbô", seguindo-se "L'Éducation Sentimentale" (1869) e o já referido "La Tentation de Saint Antoine" (1874), obra com a qual volta a ter problemas, uma vez que é proibida. Três anos depois ainda publica o livro de contos "Trois Contes", mas o estado de saúde começa a dar sinais de cedência e debilidade.

Uma hemorragia cerebral mata Flaubert a 8 de maio de 1880. Após a sua morte foram publicados "Bouvard et Pécuchet" (1881), uma das suas obras inacabadas, mas também "Par les Champs et par les Grèves" (1885), além de quatro volumes da "Correspondance" (1887-93). Outro dos trabalhos por concluir é o "Dictionnaire des Idées Reçues" e, reunida em 13 volumes, será também publicada a sua correspondência (1933-59).


Relógio D'Água/Tradução de João Pedro de Andrade


"Madame Bovary" já teve adaptações a ópera, ballet e, em cinema, pelo menos nove versões.

Amélia Olivia Iliescu é formada pela Universidade Nacional de Música de Bucareste, Faculdade de Interpretação Musical, Secção de Piano (2008), na classe da Professora Dana Borșan. Na mesma universidade obteve o título de Mestre em Música de Câmara (2010). Está radicada em Portugal desde 2012, trabalhando como professora de piano no Conservatório do Vale do Sousa no distrito do Porto e também como professora de piano na Academia de Música no distrito de Braga. Ao longo dos anos deu inúmeros recitais em Portugal, entre outros, no Palácio Foz e no Museu Nacional da Música de Lisboa ou no Museu Nogueira da Silva, em Braga, e teve participações na comunicação social portuguesa. Amélia Olivia Iliescu integra grupos de música de câmara com os quais tem dado concertos em várias cidades do país e participado em conferências e encontros sobre temas científicos relacionados com a educação musical. Ao mesmo tempo, tem uma rica carreira docente com alunos que ganharam prémios em vários concursos nacionais de piano e foram admitidos em algumas das universidades mais prestigiadas.

Estreou-se aqui no blog com a leitura do poema "Ao Longe, Ao Luar", de Fernando Pessoa, no passado dia 14, seguindo-se "Canto de Luar", uma peça que tocou ao piano da autoria de Ivo Cruz, no dia 19.

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