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  • Paulo Jorge Pereira

Armando Liguori Junior lê "Escolha o seu Sonho", de Cecília Meireles

Updated: May 23

A poesia de Cecília Meireles, nome maior da Literatura de língua portuguesa, estreia-se aqui no blog pela voz de Armando Liguori Junior com a leitura de "Escolha o seu Sonho".



Poeta, professora, jornalista e pintora, Cecília Benevides de Carvalho Meireles ascenderia ao estatuto de uma das principais personalidades da Literatura em língua portuguesa, assumindo-se como símbolo notável do movimento Modernista. Foi no Rio de Janeiro que nasceu, a 7 de novembro de 1901, filha de açorianos. Os primeiros anos de vida tiveram marca trágica que já vinha de antes do seu nascimento: o pai morreu antes de a gravidez terminar; a mãe, a quem perderia com apenas três anos, era professora e ficara sem três filhos quando Cecília ainda nem existia. A menina viu, portanto, a sua vida alterada e foi a avó, uma açoriana de São Miguel chamada Jacinta, quem se responsabilizou por cuidar dela.

Depressa ganhou intenso gosto pela leitura e, embora chegasse a interessar-se por música, ao ponto de a estudar, seriam a escrita e o ensino a conquistá-la. Começou a ensinar durante a juventude e publicou o primeiro livro, "Espectros", em 1919, com apenas 18 anos. Três anos mais tarde casava-se com o português Fernando Correia Dias, artista plástico que se radicara no Rio de Janeiro - o casal teria três filhas.

Empenhou-se na carreira docente e na escrita, chegando mesmo a publicar para as escolas e para crianças como em 1924 com "Criança, Meu Amor".

Continua a escrever e a publicar, incluindo diversas traduções (era um prodígio nos idiomas, dominando sete línguas), além de se deslocar em investigações ao estrangeiro - Portugal está entre os países visitados. Nos anos 30, fase em que chega ao fim o seu casamento com Correia Dias (1935), passa a ensinar durante algum tempo na Universidade (Literatura Luso-Brasileira, mas também Técnica e Crítica Literária) e a década seguinte começa com missão semelhante em território universitário, mas no Texas. É também a altura em que se casa com Heitor Grillo.

Nunca deixa de escrever e de publicar, nem de viajar - não apenas em solo americano, mas também de visita aos Açores. Dos anos 50 são mais publicações ("Romanceiro da Inconfidência" é de 1953, por exemplo) e novas deslocações, destacando-se a visita à Índia após convite do próprio primeiro-ministro Nehru, além de passagens pelo continente europeu e até por Israel.

Momentos delicados surgem nos anos 60 devido a graves problemas de saúde: em 1962 é informada de que um cancro no estômago é causa do seu constante mal-estar. Luta com toda as suas forças, prossegue a escrita, mas a doença tem mais argumentos e acaba por matá-la, a 9 de novembro de 1964. "Escolha o seu Sonho", leitura escolhida para hoje por Armando Liguori Junior, foi publicado nesse preciso ano.


Neta e filha de açorianos, com apenas três anos a futura poeta já perdera os pais e ficaria a cargo de uma avó e de uma ama.

Armando Liguori Junior, ator e jornalista de formação, tem vários livros publicados; três de poemas ("A Poesia Está em Tudo" – Editora Patuá 2020; "Territórios" – Editora Scortecci 2009; o recente "Ser Leve Leva Tempo", que já aqui apresentou a 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa; e um de dramaturgia: "Textos Curtos para Teatro e Cinema (2017) – Giostri Editora). Atualmente mantém um canal no YouTube (Armando Liguori), dedicado a leituras literárias, especialmente de poesia. Estreou-se nas leituras aqui para o blog com "Se te Queres Matar Porque Não te Queres Matar?", de Álvaro de Campos, a 15 de julho de 2020, seguindo-se "Continuidades", de Walt Whitman, a 7 de agosto e "Matteo Perdeu o Emprego", de Gonçalo M. Tavares, a 11 de setembro, várias leituras do meu "Murro no Estômago" (a 16 de outubro de 2020 e a 5 de setembro de 2021). Em 2021, a 12 de fevereiro, apresentou "Pelo Retrovisor", de Mário Baggio, seguindo-se "A Gaivota", de Anton Tchekhov, a 27 de março, Dia Mundial do Teatro; "A Máquina de Fazer Espanhóis", de Valter Hugo Mãe, a 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa; e, a 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com leituras de "Cheira Bem, Cheira a Lisboa", de César de Oliveira, e um trecho de "Viagem", de Miguel Torga. A 26 de outubro surgiu "O Medo", de Carlos Drummond de Andrade, e Niels Hav com "Em Defesa dos Poetas" foi o passo seguinte, a 28. Antes de hoje, Armando Liguori Junior apresentara "Algo Está em Movimento", de Affonso Romano de Sant'Anna, a 30 de outubro do ano passado. A 2 de março leu "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá", de Jorge Amado, e no dia 6 apresentou "A Máquina", de Adriana Falcão. "As Coisas", de Arnaldo Antunes, foi a proposta de 13 de março. A 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa, leu "Ser Leve Leva Tempo". A 13, Armando Liguori Junior deixou outro exemplo de talento ao ler "Pássaro Triste", do seu livro "Toda Saída É de Emergência".

A apresentação do livro "Ser Leve Leva Tempo" aconteceu há poucas semanas e pode ser recordada aqui.

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