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  • Paulo Jorge Pereira

"Autobiografia Não Autorizada", de Dulce Maria Cardoso

Romances, contos e também escrita para os mais jovens: é variada a obra de Dulce Maria Cardoso, diferentes são os galardões que já acumula e hoje a sua obra literária tem direito a estreia por aqui. O excerto em causa sai de "Autobiografia Não Autorizada", o seu trabalho mais recente.



O pai vivia em Angola quando Dulce Maria Cardoso nasceu, em 1964, no concelho transmontano de Carrazeda de Ansiães. Mas ficou por cá durante pouco tempo, pois com somente meio ano já estava a caminho de território angolano para que a família ficasse reunida. Quando voltou para Portugal, a 8 de julho de 1975, já a Revolução do 25 de Abril abrira caminho quer ao fim da guerra colonial, quer à descolonização. E também à guerra civil que devastou o país, matou milhares de pessoas e levou muitas outras a fugir de Angola. O caminho, sempre com muitos obstáculos, iria levá-la à formação em Direito e mesmo a ser advogada.

Mas seria a escrita a conquistá-la e com uma aura de sucesso na estreia: o primeiro livro, o romance "Campo de Sangue" (2002), foi logo premiado. Seguiram-se "Os Meus Sentimentos" (2005), a estreia nos contos com "Até Nós" (2008) e o regresso aos romances com o título "O Chão dos Pardais" (2009), este distinguido com o Prémio PEN Club Português e o Prémio Ciranda. Conquista o Prémio da União Europeia para a Literatura com "Os Meus Sentimentos" em 2009 e isso representa a primeira etapa de uma internacionalização que não se ficaria por aí. Continuava a suscitar elogios da crítica e galardões, mas seria com o livro seguinte, "O Retorno" (2011), "uma radiografia da perda", como lhe chamou, que obteria ainda maior sucesso, passando a estar sob constante expectativa quer da parte dos leitores, quer da crítica literária. E também com uma série de traduções que lhe permitiram ganhar ainda maior dimensão à escala internacional.

Tinta da China


"Celebrarei qualquer revolução que vise a igualdade de oportunidades", afirmou, em resposta a Anabela Mota Ribeiro, em entrevista de 2015, sobre a pergunta relativa ao facto de ter celebrado o 25 de Abril.

A lista de obras que a autora escreveu inclui ainda literatura infantojuvenil com "A Bíblia de Lôá" (2014), obra repartida por "Lôá e a Véspera do Primeiro Dia" e "Lôá Perdida no Paraíso". Ainda nesse ano de 2014 volta aos contos com "Tudo São Histórias de Amor" e, quatro anos depois, publica "Eliete - A Vida Normal", livro que lhe assegura o Prémio Oceanos e nova fatia de projeção além-fronteiras. Seguem-se "Autobiografia Não Autorizada", de que aqui se apresenta um excerto, e a participação numa coletânea de contos policiais ao lado de autores como Hélia Correia, Mafalda Ivo Cruz, Francisco José Viegas, entre outros.

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