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  • Paulo Jorge Pereira

Bento Ramires lê "Homens Livro", de Bento Ramires, Carlos Marta e Rui Guedes

Com a ajuda inestimável de um dos muitos heróis em segredo desta pandemia, o bibliotecário itinerante António Bento Ramires, de Redondo, ficamos hoje com a terceira leitura da obra "Homens Livro". Bento Ramires, Carlos Marta e Rui Guedes são os autores desse livro que foi apresentado na Fundação Gulbenkian a 16 deste mês e tem coordenação de Patrícia Carreiro.



António Bento Ramires já aqui nos deliciou quando nos deu a conhecer o espontâneo à-vontade com que Maria Brás Calado nos presenteava com três momentos de poesia vinda de Santa Susana, no Alentejo. Hoje, porém, é ele o protagonista como coautor, ao lado de Carlos Marta e Rui Guedes, sob a coordenação de Patrícia Carreiro, na leitura de um excerto da obra "Homens Livro".

Generosidade infinita e olhar de repórter são apenas duas das qualidades que caracterizam o António Bento Ramires, um dos outros heróis da pandemia: não trabalha na área da saúde, mas a nobreza do seu trabalho (e de muitos outros como ele, que de Norte a Sul calcorreiam caminhos todos os dias por amor à leitura, pelo prazer de levar alegria e companhia a tantos sob a forma de livros), que faz dos livros e da Cultura uma bandeira, dá-nos a todos lições de cidadania, democracia, liberdade e solidariedade.

Obrigado, António Bento Ramires, por tanto que o país, isto é, todos nós te devemos. Um Obrigado e uma dívida que estendo ao Rui Guedes, em Penafiel; ao Carlos Marta, em Miranda do Corvo; ao Carlos Nuno Granja, em Ovar; à Ana Sofia Marçal, da Sertã; à Eliana Sousa, no Porto; ao Fernando Soares, em Paredes; ao Marco Neves, ao João Manuel Ribeiro, ao Marco Figueiredo, à Rita França Ferreira, entre muitos outros. Procurem os nomes e descubram o que anda cada um deles a fazer. E vão descobrir que, como dizia Jorge Sampaio, se "há vida para além do défice", também há heróis da pandemia para além da saúde. A Cultura é um exemplo bem eloquente. Mas quem é que quer saber disso? Felizmente, eles querem saber de nós; preocupam-se; lutam; não desistem; se falham, a seguir vão "falhar melhor", como escreveu Samuel Beckett.

Por muito pequeno que seja o país em dimensão territorial e geográfica, muitos de nós, sobretudo aqueles que passam a vida nas maiores cidades, tantas vezes distantes do interior, sempre mais esquecido e deixado quase ao abandono, o essencial de todos está na riqueza daquelas pessoas que tanto têm sempre para nos ensinar. Pessoas do povo, como todos nós, num plano de igualdade que deveria ser o do nosso dia a dia.


Letras Lavadas


Bento Ramires estudou Geografia e Ciências Documentais na Universidade de Évora. Em 1988, entrou nas Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian, chegando a ser encarregado do assunto em Tavira, Moura e Redondo.

Bibliotecário responsável pela Biblioteca Itinerante de Redondo, fotógrafo, percussionista no Grupo de Bombos “Tomba Lobos”, autor de crónicas diversas sobre bibliotecas itinerantes: António Bento Ramires é tudo isto e muito mais. No concelho de Redondo, está a seu cargo um projeto de alfabetização, Educação Sénior ES+, com a Biblioteca Itinerante local BIR. Vão à procura dele porque não voltarão sós - hão de trazer admiração e orgulho por serem seus compatriotas.

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