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  • Paulo Jorge Pereira

Carlos Marta lê "Homens Livro", de Bento Ramires, Carlos Marta e Rui Guedes

A obra "Homens Livro", que aborda o trabalho desenvolvido no projeto de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, foi apresentada na sexta-feira, dia 16, precisamente na Fundação. Carlos Marta é o segundo dos autores a ler aqui um excerto da obra que teve a coordenação de Patrícia Carreiro.



Na apresentação de "Homens Livro", de que aqui se apresenta uma segunda leitura, depois da estreia com Rui Guedes, não faltaram familiares dos autores - no caso do Carlos Marta, por exemplo, o pai, também um Homem dos Livros, agora com 98 anos, lá esteve para vincar o seu apoio.

Hoje, quem é o Carlos Marta? O mesmo de sempre, agora com mais de 60 anos. "Sou licenciado em História e História da Arte, com pós graduação em Ciências Documentais. Acima de tudo, sou Bibliotecário Itinerante, ou melhor, Homem dos Livros como sou carinhosamente tratado pelos meus leitores, desde 26 de janeiro de 1981. Responsável pela Biblioteca Itinerante número 18 (BI 18) da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1981 e 2001. Com o encerramento do Serviço de Bibliotecas da Gulbenkian, a BI 18 passou para a responsabilidade da Fundação ADFP em Miranda do Corvo, onde continua a sua atividade itinerante", sintetiza.

Diretor de programas na Rádio Dueça entre 1986 e 2005, o seu percurso supera os 40 anos de entrega total às causas da Educação e da Cultura. Não é de medalhas, prémios ou comendas que Carlos Marta precisa - o que lhe faz falta são mais meios para continuar a saciar a sede de Saber a quem o procura. E, conforme conta nesta leitura feita mini-antologia de comoventes histórias quotidianas, prosseguir a solidária tarefa de estender a mão a quem se lhe dirige, pelo caminho eliminando discriminações e desigualdades.

Hoje muitos não conseguem sequer imaginar a ignorância a que milhões de cidadãos foram votados por uma ditadura cruel e assassina que alimentou as fortunas de quem a servia e explorava os mais desfavorecidos. Há até quem, na ignorância atrevida destes tempos em que mentiras muito repetidas passam por verdades, outra coisa não procure que não seja branquear esses tempos de tortura e miséria disseminadas pelo país. Mas, naquele tempo como agora, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não", como escreveu o poeta e cantou o trovador. Carlos Marta é um desses casos. Nasceu no inconformismo e a ele recorreu como argumento para recusar o espírito de manada seguidista e sem vontade própria. Ou a atração pela serpente dos discursos com voz aflautada do ditador. Em casa aprendeu a respeitar todos por igual, mas a rejeitar a ideia de que o respeitinho é muito bonito. Compreendeu que o Conhecimento é um passo fundamental para a emancipação e para a construção de cada um de nós como cidadãos plenos - de direitos e deveres. E também que a ninguém deveria ser negado o acesso a essa luz da Cultura, dos Livros, do Conhecimento. Por isso cuidou de se dedicar à aprendizagem para distribuir mais tarde essa dádiva por quem tanto dela precisava. Há meses, com o altruísmo como marca de água, presenteou-nos com uma leitura inigualável, feita no interior desse território mágico que é A Carrinha Número 18, em cada livro um fascínio, em cada leitor igualdade.

Letras Lavadas


Carlos Marta, como o Rui Guedes, o António Bento Ramires e outros por esse país fora, lembra "uma pequenina luz bruxuleante" de Jorge de Sena, e brilha entre a multidão com enorme intensidade: a da Cultura.

O que devemos dizer a quem desta forma humilde e sábia se entrega todos os dias de modo infatigável? Não há palavra maior do que esta: Obrigado, Homem dos Livros!

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