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  • Paulo Jorge Pereira

Especial 25 de Abril: Agostinho Costa Sousa lê "O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração"

É ao livro "O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração - Obra Reunida", de Rui Caeiro, que Agostinho Costa Sousa regressa para a proposta de leitura de hoje no dia em que se celebram 48 anos da Revolução dos Cravos.



De poesia se compôs a esmagadora maioria do trabalho literário de Rui Caeiro, nascido em Vila Viçosa, a 27 de junho de 1943, mas o seu percurso está também repleto de traduções - na extensa lista integram-se nomes como os de Miguel de Unamuno, Rainer Maria Rilke, Roger Martin du Gard, Robert Desnos, Nâzim Hikmet, Ramón Gómez de la Serna. Licenciado em Direito, a sua forma de estar na vida ficou bem explicada pela então ministra da Cultura, Graça Fonseca, na nota que divulgou em 2019, reagindo ao desaparecimento do poeta: "Fez, ao longo de trinta anos de publicação, do seu modo de ser discreto e sóbrio uma prática literária, oferecendo a parte maior da sua obra em edições de autor ou em editoras independentes."

Entre outros trabalhos publicou, de forma independente, "Deus, Sobre o Magno Problema da Existência de Deus" (1988); "Sobre a Nossa Morte Bem Muito Obrigado" (1989); "Livro de Afectos" (1992); "Quarto Azul e Outros Poemas" (2011); "Deus e Outros Animais" (2015) e "Diálogos Marados/Um Maluco Vem Pousar-me Na Mão" (2018).

A doença iria interromper a tarefa que tinha entre mãos: preparava a publicação do livro "O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração - Obra Reunida" quando, a 29 de janeiro de 2019, o cancro o vitimou.

Agostinho Costa Sousa leu aqui um primeiro poema do autor, "Guernica", a 13 de abril.


Maldoror


"Fez, ao longo de trinta anos de publicação, do seu modo de ser discreto e sóbrio uma prática literária, oferecendo a parte maior da obra em edições de autor ou em editoras independentes", escreveu a então ministra da Cultura, Graça Fonseca, em janeiro de 2019, reagindo à morte do poeta.

Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de Antón Tchekhov: "A medicina é a minha mulher legítima, a literatura é ilegítima" para se apresentar. "A Arquitetura é a minha mulher legítima, a Leitura é uma das ilegítimas", refere. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mês, mas também leituras de obras de Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho a 31 de maio. "Histórias para Uma Noite de Calmaria", de Tonino Guerra, foi a sua escolha no dia 4 de junho. No passado dia 25 de julho, a sua escolha recaiu em "Veneno e Sombra e Adeus", de Javier Marías, seguindo-se "Zadig ou o Destino", de Voltaire, a 28. O regresso processou-se a 6 de setembro, com "As Velas Ardem Até ao Fim", de Sándor Márai. Seguiram-se "Histórias de Cronópios e de Famas", de Julio Cortázar, no dia 8; "As Palavras Andantes", de Eduardo Galeano, a 11; "Um Copo de Cólera", de Raduan Nassar, a 14; e "Um Amor", de Sara Mesa, no dia 16. A 19 de setembro, a leitura escolhida foi "Ajudar a Estender Pontes", de Julio Cortázar. A 17 de outubro, a proposta centrou-se na poesia de José Carlos Barros com três poemas do livro "Penélope Escreve a Ulisses". Três dias mais tarde leu três poemas inseridos na obra "A Axila de Egon Schiele", de André Tecedeiro. A 29 de novembro apresentou "Inquérito à Arquitetura Popular Angolana", de José Tolentino de Mendonça. De dia 1 do mês seguinte é a leitura de "Trieste", escrito pela croata Dasa Drndic e, no dia 3, a proposta foi um trecho do livro "Civilizações", escrito por Laurent Binet. No dia 5, Agostinho Costa Sousa dedicou atenção a "Viagens", de Olga Tokarczuk. A 7, a obra "Húmus", de Raul Brandão, foi a proposta apresentada. Dois dias mais tarde, a leitura foi dedicada a um trecho do livro "Duas Solidões - O Romance na América Latina", com Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Seguiu-se "O Filho", de Eduardo Galeano, no dia 20. A 23, Agostinho Costa Sousa trouxe "O Vício dos Livros", de Afonso Cruz. Voltou um mês mais tarde com "Esta Gente/Essa Gente", poema de Ana Hatherly. No dia 26 de janeiro, apresentou "Escrever", de Stephen King. Quatro dias mais tarde foi a vez de Maria Gabriela Llansol com "O Azul Imperfeito". "Poemas e Fragmentos", de Safo, e "O Poema Pouco Original do Medo", de Alexandre O'Neill, foram outras recentes participações. Seguiram-se "Se Isto É Um Homem", de Primo Levi, e "Se Isto É Uma Mulher", de Sarah Helm. No dia 18 de março, a leitura proposta foi de um excerto de "Augustus", de John Williams. A 24, Agostinho Costa Sousa leu "Silêncio na Era do Ruído", de Erling Kagge; a 13 de abril, foi a vez do poema "Guernica", de Rui Caeiro e, no dia 20, apresentou um pouco de "Great Jones Street", de Don DeLillo.

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