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  • Paulo Jorge Pereira

Especial Feira do Livro e 10 de Junho: Agostinho Costa Sousa lê "Re-Camões", de E. M. de Melo e Castro

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Agostinho Costa Sousa relembra um poema publicado, em 1980, por Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro, integrado no livro "Re-Camões".



Engenheiro, escritor e artista plástico, Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro nasceu na Covilhã, a 19 de abril de 1932, oriundo de uma família com raízes aristocráticas. Iria afirmar-se não só na Engenharia Têxtil, licenciando-se em Bradford (1956), mas sobretudo nas Letras (doutorou-se na Universidade de São Paulo, em 1998, com a a tese dedicada à "Poesia dos Países Africanos de Língua Portuguesa: Percursos Comparatistas com as Poesias Portuguesa e Brasileira") e nas Artes Plásticas e Visuais. Neste caso com relevo para a Poesia Concreta, de que seria um dos vanguardistas em Portugal, após tomar contacto com ela no Brasil, sobretudo por influência dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, além de Décio Pignatari. Desprezou sempre a ditadura, teve poemas sucessivamente censurados, ajudando mesmo alguns jovens compatriotas escritores a fugirem de um país abafado e cinzento, sem liberdades e, a partir de 1961, trespassado por uma guerra devastadora.

Professor no Instituto Superior de Arte, Design e Marketing (IADE), mas também, mais tarde, docente universitário em território brasileiro, Melo e Castro colecionou exposições de âmbito nacional e internacional, distinguindo-se como um dos mais admirados representantes do Experimentalismo.

Casado com a professora e escritora Maria Alberta Menéres, o casal teria duas filhas: Eugénia, que seguiria caminhos artísticos, dedicando-se à música, e Alberta. Na década de 90, o casal separou-se e Melo e Castro viria a ser marido da professora universitária Elza Miné, ela própria uma profunda conhecedora da obra de Eça de Queiroz. No Brasil, admitiria mágoa e amargura porque "algumas das críticas mais ofensivas" ao seu trabalho aconteceram em Portugal e pelo esquecimento a que foram votados diversos nomes grandes da Cultura, exemplificando com o poeta e seu amigo António Ramos Rosa.

Para lá de uma vasta obra nos domínios do ensaio e de vários video-poemas, a poesia foi a sua principal área literária, logo a partir de 1960, com a publicação da obra "Entre o Som e o Sul". Mas foi publicando com ritmo elevado: "Queda Livre" (1961); "Mudo Mudando", "Ideogramas" e "Objeto Poemático de Efeito Progressivo" (todos em 1962); "Poligonia do Soneto" (1963). Após pausa de cinco anos, o regresso resultou de "Versus-in-Versus" (1968), seguindo-se "Álea e Vazio" (1971); "Visão/Vision "(1972); a antologia "Ciclo de Queda Livre" (1973); "Concepto Incerto" (1974); "Resistência das Palavras" e "Cara lh amas" (ambos de 1975); outra antologia com "Círculos Afins" (1977); "As Palavras Só-Lidas" (1979) e "Re-Camões" (1980), de que hoje é aqui apresentado, pela leitura de Agostinho Costa Sousa, o poema "Testemunho Incontestado". Publica depois "Corpos Radiantes" (1982); "Autologia: Poemas Escolhidos 1951-1982" (nova antologia, em 1983); "Entre o Rigor e o Excesso: um Osso" (1994); "Finitos mais Finitos" (1996); a premiada antologia "Trans(a)parências – Poesia I, 1950-1990" (1990); "Enquanto Jactos e Hiatos" (1994) e "Algorritmos: Infopoemas" (1998).

É já a viver no Brasil que publicará a última parte do seu trabalho literário: "Antologia Efémera" (2001); "Livro de Releituras e Poiética Contemporânea" (2008); "Quatro Cantos do Caos" (2009); "Neo-Poemas-Pagãos" e "O Paganismo em Fernando Pessoa" (os dois de 2010); "A Agramaticidade das Feridas do Coração" (2011) e "Poemas do É" (2012).

Morreria a 29 de agosto de 2020, aos 88 anos, na cidade de São Paulo, vítima de problemas renais.


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"A escrita deste livro é um exercício de re-presentação", afirmou o autor acerca da obra "Re-Camões".

Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de Antón Tchekhov: "A medicina é a minha mulher legítima, a literatura é ilegítima" para se apresentar. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio de 2021 com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mês, mas também leituras de obras de Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho a 31 de maio. "Histórias para Uma Noite de Calmaria", de Tonino Guerra, foi a sua escolha no dia 4 de junho. No dia 25 de julho, a sua escolha recaiu em "Veneno e Sombra e Adeus", de Javier Marías, seguindo-se "Zadig ou o Destino", de Voltaire, a 28. O regresso processou-se a 6 de setembro, com "As Velas Ardem Até ao Fim", de Sándor Márai. Seguiram-se "Histórias de Cronópios e de Famas", de Julio Cortázar, no dia 8; "As Palavras Andantes", de Eduardo Galeano, a 11; "Um Copo de Cólera", de Raduan Nassar, a 14; e "Um Amor", de Sara Mesa, no dia 16. A 19 de setembro, a leitura escolhida foi "Ajudar a Estender Pontes", de Julio Cortázar. A 17 de outubro, a proposta centrou-se na poesia de José Carlos Barros com três poemas do livro "Penélope Escreve a Ulisses". Três dias mais tarde leu três poemas inseridos na obra "A Axila de Egon Schiele", de André Tecedeiro.

A 29 de novembro apresentou "Inquérito à Arquitetura Popular Angolana", de José Tolentino de Mendonça. De dia 1 do mês seguinte é a leitura de "Trieste", escrito pela croata Dasa Drndic e, no dia 3, a proposta foi um trecho do livro "Civilizações", escrito por Laurent Binet. No dia 5, Agostinho Costa Sousa dedicou atenção a "Viagens", de Olga Tokarczuk. A 7, a obra "Húmus", de Raul Brandão, foi a proposta apresentada. Dois dias mais tarde, a leitura foi dedicada a um trecho do livro "Duas Solidões - O Romance na América Latina", com Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Seguiu-se "O Filho", de Eduardo Galeano, no dia 20. A 23, Agostinho Costa Sousa trouxe "O Vício dos Livros", de Afonso Cruz. Voltou um mês mais tarde com "Esta Gente/Essa Gente", poema de Ana Hatherly. No dia 26 de janeiro, apresentou "Escrever", de Stephen King. Quatro dias mais tarde foi a vez de Maria Gabriela Llansol com "O Azul Imperfeito". "Poemas e Fragmentos", de Safo, e "O Poema Pouco Original do Medo", de Alexandre O'Neill, foram outras recentes participações. Seguiram-se "Se Isto É Um Homem", de Primo Levi, e "Se Isto É Uma Mulher", de Sarah Helm. No dia 18 de março, a leitura proposta foi de um excerto de "Augustus", de John Williams. A 24, Agostinho Costa Sousa leu "Silêncio na Era do Ruído", de Erling Kagge; a 13 de abril, foi a vez do poema "Guernica", de Rui Caeiro e, no dia 20, apresentou um pouco de "Great Jones Street", de Don DeLillo.

No Especial dedicado ao 25 de Abril, a sua escolha foi para "O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração", escrito por Rui Caeiro, seguindo-se "Ararat", de Louise Glück, no Dia da Mãe e do Trabalhador, a 1 de maio. "Ver: Amor", de David Grossman, foi a proposta de dia 17. No dia 23, a leitura proposta trouxe Elias Canetti com um pouco da obra "O Archote no Ouvido".

A 31 de maio surgiu com "A Borboleta", de Tonino Guerra. A 5 de junho trouxe um excerto do livro "Primeiro Amor, Últimos Ritos", de Ian McEwan. A 17, a escolha recaiu sobre "Hamnet", de Maggie O'Farrell. A 10 de julho, o trecho selecionado saiu da obra "Ofuscante - A Asa Esquerda", do romeno Mircea Cartarescu. No dia 19 de julho apresentou "Uma Caneca de Tinta Irlandesa", de Flann O'Brien. A 31 de julho leu um trecho da obra "Por Cuenta Propia - Leer y Escribir", de Rafael Chirbes. No dia 8 de agosto foi a vez de "No Entres Docilmente en Esa Noche Quieta", de Ricardo Menéndez Salmón. A 15 de agosto apresentou "Julio Cortázar y Cris", de Cristina Peri Rossi. Uma semana mais tarde, a leitura foi de um trecho da obra "Música, Só Música", de Haruki Murakami e Seiji Ozawa. De 12 de setembro é a sua leitura de um poema do livro "Do Mundo", cujo autor é Herberto Helder. "Instruções para Engolir a Fúria", de João Luís Barreto Guimarães, foi a leitura a 16 de setembro e já aqui regressou. A 6 de outubro leu um trecho da obra "Jakob, O Mentiroso", de Jurek Becker.

"Rebeldes", de Sándor Márai, foi a leitura do dia 11. Mircea Cartarescu e "Duas Formas de Felicidade" surgiram dois dias mais tarde. Seguiu-se "Diários", do poeta Al Berto, a 17 de outubro. Três dias mais tarde propôs "A Herança de Eszter", de Sándor Márai. A 2 de novembro apresentou "Os Irmãos Karamazov", de Fiódor Dostoiévski. Data de 22 de novembro a leitura de "Nicanor Parra: Rey y Mendigo", de Rafael Gumucio. A 30 de novembro leu "Schiu", de Tonino Guerra. No passado dia 12 trouxe "Montaigne", de Stefan Zweig. Recuperei a sua leitura do poema "Instruções para Engolir a Fúria" no dia 16 quando o autor, João Luís Barreto Guimarães, foi distinguido com o Prémio Pessoa. A 23 apresentou um excerto de "Silêncio na Era do Ruído", de Erling Kagge. No dia 6 de janeiro a escolha recaiu sobre "Lições", de Ian McEwan. A 16 de janeiro apresentou "Stalinegrado", de Vasily Grossman. No dia 30 leu um excerto da obra "A Biblioteca à Noite", de Alberto Manguel. De 7 de fevereiro é a leitura de "Remodelações Governamentais", de Mário-Henrique Leiria. A proposta de dia 22 de fevereiro foi "Roseira de Espinho", de Nuno Júdice. No dia 7 de março propôs "Método de Caligrafia para a Mão Esquerda", de António Cabrita. No Especial dedicado ao Dia Mundial do Teatro, a 27 de março, apresentou "Memórias", de Raul Brandão. De 30 de março é a leitura de um trecho da obra "Rebeldes", de Sándor Márai. A 10 de abril propôs "O Amante da Minha Mãe", de Urs Widmer. De 21 de abril é a leitura de um trecho do conto "A Primavera", escrito por Bruno Schulz. Do Especial dedicado ao 25 de Abril constaram poemas de Sara Duarte Brandão. A 2 de maio propôs "A Musa Irregular", de Fernando Assis Pacheco. "Ravel", de Jean Echenoz, é de 6 de junho.

"Tristia", de António Cabrita, foi a sua leitura a 9 de junho. A 23 leu "Foi Ele?", de Stefan Zweig. No dia 7 de julho trouxe "Cartas 1955-1964, volume II", de Julio Cortázar. "Uma Faca nos Dentes", de António José Forte, chegou a 21 de julho. De 30 de agosto é a leitura de um trecho da obra "Servidão Humana", de Somerset Maugham. "Nosotros", de Manuel Vilas, foi a leitura no dia 18. De 22 de setembro é a leitura da obra "A Religião da Cor", de Jorge Sousa Braga. "Exercícios de Humano", de Paulo José Miranda, foi a leitura de 11 de outubro. A 17, "Flores Silvestres", de Abbas Kiarostami, foi a proposta. "Uma História de Xadrez", de Stefan Zweig, foi a leitura de 7 de novembro. Manoel Barros e "O Poeta" surgiram a 13. "A Saga/Fuga de J.B.", de Gonzalo Torrente Ballester, foi a leitura de dia 27.

De 11 de dezembro é a leitura de "Uma Arquitetura", de Luiza Neto Jorge. "Viagens com o Charley", de John Steinbeck, foi lido no dia 29. A 5 de janeiro trouxe "A Gaivota", de Sándor Márai. A leitura de 15 de janeiro foi "En Esta Noche, En Este Mundo", de Alejandra Pizarnik. De 23 de janeiro é a leitura de um excerto da obra "O Pêndulo de Foucault", de Umberto Eco. A 5 de fevereiro trouxe "O Mal de Montano", de Enrique Vila-Matas. De 26 de fevereiro é a leitura de um trecho da obra "A Pesca à Linha - Algumas Memórias", de António Alçada Baptista. A 14 de março propôs "Servidão Humana", de Somerset Maugham. De 25 de março é "Nítido Nulo", de Vergílio Ferreira. A 16 de abril propôs "Diário Volúvel", de Enrique Vila-Matas. "Vozes", de Antonio Porchia, é de 22 de abril. De 15 de maio é a leitura de um trecho da obra "A Rapariga dos Olhos de Ouro", de Honoré de Balzac.

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