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  • Paulo Jorge Pereira

Homenagem a Ana Luísa Amaral: Fernanda Silva lê "Imagias"

Updated: Aug 7

Tendo vasta obra diversas vezes distinguida com prémios, Ana Luísa Amaral e o seu livro "Imagias", publicado em 2002, do qual retira o poema "Silogismos", foram as escolhas de Fernanda Silva na leitura que hoje aqui se recupera como homenagem no desaparecimento da escritora.



Poeta, docente de Literatura e Cultura Inglesa e Americana na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e tradutora, Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa, a 5 de abril de 1956. A sua vasta e multipremiada obra está dispersa por poesia, ensaio, teatro, ficção e livros para público mais jovem. Doutorada com uma tese sobre a poesia de Emily Dickinson, a professora foi responsável, ao lado de Ana Gabriela Macedo, pelo "Dicionário de Crítica Feminista", em 2005, e cinco anos mais tarde cuidou da edição anotada das "Novas Cartas Portuguesas", obra central da Literatura portuguesa e da defesa dos direitos das mulheres, escrita em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Foi sempre uma incansável defensora dos direitos das mulheres, dos homossexuais e não só.

Mas a sua obra literária vem dos anos 90 quando se iniciou na publicação de poesia - "Minha Senhora de Quê" (1990), "Coisas de Partir" (1993), "Epopeias" (1994), "E Muitos os Caminhos" (1995), "Às Vezes o Paraíso" (1998). Aos poucos foi surgindo a escrita para crianças como por exemplo "Gaspar, o Dedo Diferente e Outras Histórias" (1999) ou "A História da Aranha Leopoldina" (2000). E nunca deixou para trás a poesia: "Imagens" é de 2000, seguindo-se "Imagias" (2002), de que aqui se lê um trecho, "A Arte de Ser Tigre" (2003), a coletânea "Poesia Reunida 1990-2005", "A Génese do Amor" (2005), "Entre Dois Rios e Outras Noites" (2008), "Se Fosse um Intervalo" (2009), "Inversos, Poesia 1990-2010". Sentiu o apelo do teatro e escreveu, voltou à literatura infantil e à poesia, publicou ficção com "Ara" (2013). Traduziu autores como Shakespeare, John Updike, Patricia Highsmith ou Emily Dickinson. "Vozes" (2011), "Escuro" (2014), "E Todavia" (2015), "What's in a Name" (2017), "Ágora" (2019), "Mundo" (2021) são os seus trabalhos mais recentes na área da poesia. Do passado mês de maio é a antologia "O Olhar Diagonal das Coisas", uma reunião do seu trabalho poético. Na Antena 2 foi responsável, nos últimos cinco anos, ao lado do jornalista Luís Caetano, por um programa com a poesia no centro e intitulado "O som que os versos fazem ao abrir".

Esta sexta-feira, aos 66 anos, perdeu o combate com o cancro. Mas viverá para sempre através da leitura que faremos da sua obra.

Se quiserem saber mais acerca da autora e da sua obra podem visitar a sua página na Internet.


Edição Gótica


Os livros de Ana Luísa Amaral estão traduzidos e publicados em mais de uma dezena de países, do México à Suécia, passando por Estados Unidos, Colômbia, Espanha ou França.


Fernanda Silva tem participação regular aqui no blog. Tudo começou com "O Universo num Grão de Areia", de Mia Couto, a 28 de abril de 2020, seguindo-se "A Vida Sonhada das Boas Esposas", de Possidónio Cachapa (11 de maio), "Uma Mentira Mil Vezes Repetida", de Manuel Jorge Marmelo (8 de junho), "Bom Dia, Camaradas", de Ondjaki (27 de junho), "Quem me Dera Ser Onda", de Manuel Rui (5 de julho), e "O Sol e o Menino dos Pés Frios" (16 de julho), de Matilde Rosa Araújo. No dia 8 de outubro voltou com "O Tecido de Outono", de António Alçada Baptista e, a 27, leu "Histórias que me Contaste Tu", de Manuel António Pina, seguindo-se "Imagias", de Ana Luísa Amaral, a 12 de novembro, e "Os Memoráveis", de Lídia Jorge, apresentado no dia 16. A 23 de novembro, Fernanda Silva leu um trecho do livro "Do Grande e do Pequeno Amor", de Inês Pedrosa e Jorge Colombo. A 5 de dezembro apresentou "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen e a 28 do mesmo mês fez a última leitura de 2020: "Na Passagem de um Ano", de José Carlos Ary dos Santos. A 10 de janeiro apresentou a sua primeira leitura de 2021 com "Cicatrizes de Mulher", de Sofia Branco, no dia 31 desse mês leu um trecho de "Mar me Quer", escrito por Mia Couto, e a 14 de fevereiro apresentou "Rodopio", de Mário Zambujal. A 28 de fevereiro foi a vez de ler um trecho do livro "A Instalação do Medo", de Rui Zink. A 8 de março, foi possível "ouvê-la" no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher, lendo um excerto da história "As Facas de Nima", escrito por Sofia Branco e parte do livro "52 Histórias". A 13 de março apresentou "Abraço", de José Luís Peixoto. No dia 24, foi a vez de ler "Cadernos de Lanzarote", de José Saramago. A 27, a sua leitura de um excerto da obra "O Marinheiro", de Fernando Pessoa, integrou o Especial dedicado ao Dia Mundial do Teatro. A 28 de março leu um pouco do livro "Uma Viagem no Verde", de José Jorge Letria.

Voltou a 10 de abril com a leitura de um trecho do livro "As Mulheres e a Guerra Colonial", de Sofia Branco. E, no feriado da Revolução dos Cravos, leu um pouco da obra "A Revolução das Letras", de Vergílio Alberto Vieira. No dia 29 de abril trouxe-nos de volta o trabalho literário de José Carlos Ary dos Santos e leu o poema "Mulher de Maio". A 14 de maio trouxe "A Desumanização", de Valter Hugo Mãe, que hoje aqui regressa. No dia 23 deixou um pouco do livro "Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo", de Teolinda Gersão. A 28 de maio apresentou "Nunca Outros Olhos seus Olhos Viram", de Ivo Machado. "Crónica de uma Travessia", de Luís Cardoso, foi o excerto apresentado a 3 de junho. "100 Histórias do meu Crescer", escrito por Alexandre Honrado, foi a escolha do dia 15. A 20 de junho, a proposta recaiu sobre uma parceria entre Manuel Jorge Marmelo e Ana Paula Tavares para o livro "Os Olhos do Homem que Chorava no Rio". "Mulheres da Minha Alma", de Isabel Allende, a 15 de outubro, foi outra das leituras de Fernanda Silva aqui no blog. A 12 de novembro, leu um pouco da obra "Lôá Perdida no Paraíso", de Dulce Maria Cardoso. De 10 de dezembro é "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner, que já aqui regressou.

Mia Couto e "O Caçador de Elefantes Invisíveis" surgiram a 7 de fevereiro de 2022. A 12 de março, a escolha de leitura de Fernanda Silva recaiu em "Breve História do Afeganistão de A a Z", de Ricardo Alexandre. No dia 31 registou-se o regresso da obra "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen. A 3 de maio, a proposta de Fernanda Silva recaiu sobre "Afastar-se", de Luísa Costa Gomes. No dia 22, Manuel Jorge Marmelo e "A Última Curva do Caminho" foram objeto da sua atenção. A 22 de junho, "o Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, foi a proposta.

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