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  • Paulo Jorge Pereira

Inês Henriques lê "Lavoura Arcaica", de Raduan Nassar

"Um Copo de Cólera", com Agostinho Costa Sousa, foi a estreia de Raduan Nassar aqui no blog, a 14 de setembro de 2021. Hoje, neste final de 2022, é Inês Henriques que promove o regresso do trabalho literário do autor, agora com um excerto da obra "Lavoura Arcaica".



Nascido a 27 de novembro de 1935 em Pindorama, no Estado de São Paulo, Raduan Nassar, descendente de libaneses que procuraram o Brasil para viver, foi o sétimo de uma dezena de filhos e teve estreia literária em 1975 com o livro "Lavoura Arcaica". Mas, até chegar aí, muito se passou na vida de um dos mais admirados escritores brasileiros vivos.

Da Pindorama natal, na qual passou a infância e uma parte da adolescência, Nassar rumou a São Paulo com os familiares, aqui estudando Direito e Filosofia. Só depois de ter abandonado este último por algum tempo, o anterior em definitivo, de conhecer alguns futuros escritores e de integrar um grupo de amigos com forte atração pela criação literária é que Raduan Nassar decidiu que a escrita seria o seu caminho principal no final da década de 50. Perder o pai em 1960 foi um rude golpe, levando o escritor a deixar em definitivo os negócios familiares. Pouco tempo depois é publicado o conto "Menina a Caminho" (nos anos 90, um livro sob o mesmo nome reunirá diversos contos). Esta é a altura escolhida por Nassar para rumar ao Canadá e, mais tarde, aos Estados Unidos, embora aqui permaneça pouco tempo.

De volta ao Brasil em 1962, Raduan Nassar retoma o contacto com os irmãos e conclui o curso de Filosofia, viajando em 1963 para a então Alemanha Federal e instalando-se na cidade de Lüneburg. No ano seguinte, a ditadura é instalada em solo brasileiro, mas nem isso o demove de regressar ao país, na sequência de breve passagem pelo Líbano para conhecer a origem da família. Começa por dedicar-se à criação de coelhos, deixa essa atividade e ajuda a criar o Jornal do Bairro. Os anos 60 estão a aproximar-se do final quando ensaia os passos iniciais do que será "Lavoura Arcaica", hoje aqui proposto por Inês Henriques, e ainda "Um Copo de Cólera".

Perde a mãe em 1971 e, dois anos mais tarde, conhece a docente alemã Heidrun Brückner, com quem irá partilhar a sua vida. De 74 é a sua saída do Jornal do Bairro, seguindo-se a elogiada publicação de "Lavoura Arcaica", livro que recebe vários prémios. Em 1978 é a vez da obra "Um Copo de Cólera", que terá adaptação cinematográfica, em 1995, o mesmo sucedendo ao livro de estreia em 2001. Ganha evidência internacional com traduções em vários idiomas, mas, em 1984, decide deixar a escrita e fixa residência na sua cidade de origem, passando depois para Buri, localidade do interior de São Paulo.

Distinguido com diversos galardões, o destaque vai para o Prémio Camões, que lhe foi atribuído em 2016.


Relógio d'Água


Tanto "Um Copo de Cólera" (1995) como "Lavoura Arcaica" (2001) tiveram direito a adaptação ao grande ecrã.

Inês Henriques tem presença regular aqui no blog e a leitura de hoje foi apresentada em estreia a 24 de maio de 2020. A paixão e o carinho pelos livros têm acompanhado a sua vida. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Franceses), escolheu o Jornalismo como profissão e o Desporto como área de atuação. Realizado o curso profissional no CENJOR, foi estagiária na Agência Lusa, à qual voltaria mais tarde, e trabalhou no jornal A Bola antes de entrar na redação do Portal Sapo. Neste contexto, a proximidade do desporto adaptado levou-a a escrever "Trazer o Ouro ao Peito - a fantástica história dos atletas paralímpicos portugueses", publicado em 2016. Agora, apesar de já não estar no universo profissional do Jornalismo, continua atenta a essa realidade ao mesmo tempo que tem sempre um livro para ler. E vários autores perto do coração. Inês Henriques tem presença regular e já está na casa das dezenas em participações aqui no blog. Estreou-se a 27 de abril de 2020 com "Perto do Coração Selvagem", de Clarice Lispector; voltou a 10 de maio e leu um excerto de "A Disciplina do Amor", de Lygia Fagundes Telles; no último dia de maio apresentou parte de "351 Tisanas", obra de Ana Hatherly; a 28 de junho, propôs literatura de cordel, com um trecho do livro "Clarisvânia, a Aluna que Sabia Demais", escrito por Luís Emanuel Cavalcanti; a 22 de agosto apresentou um excerto da obra "Contos de Amor, Loucura e Morte", escrita por Horacio Quiroga; a 15 de setembro leu um trecho de "Em Açúcar de Melancia", de Richard Brautigan; a 18 de novembro voltou com "Saudades de Nova Iorque", de Pedro Paixão, e na quinta-feira, 10 de dezembro, prestou a sua homenagem a Clarice Lispector no dia em que a escritora faria 100 anos, lendo um conto do livro "Felicidade Clandestina". Três dias mais tarde apresentava "Os Sete Loucos", de Roberto Arlt. A 3 de janeiro leu um trecho de "Platero e Eu", de Juan Ramón Jiménez.

No dia 8 foi a vez de ter o seu livro em destaque por aqui, quando li um excerto de "Trazer o Ouro ao Peito". A 23, a Inês voltou e leu um trecho do livro "O Torcicologologista, Excelência", de Gonçalo M. Tavares e no dia 1 de fevereiro foi uma das participantes no Especial dedicado ao Dia Mundial da Leitura em Voz Alta com "Papéis Inesperados", de Julio Cortázar. A 13 de fevereiro apresentou um excerto do livro "Girl, Woman, Other", de Bernardine Evaristo, participando a 8 de março no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher com a leitura de um trecho do livro "A Ilha de Circe", de Natália Correia. A 5 de maio participou, com Armando Liguori Junior, no Especial dedicado ao Dia Mundial da Língua Portuguesa. No dia 22 de maio, ao lado de Raquel Laranjeira Pais e Rui Guedes, contribuiu para o Especial dedicado ao Dia do Autor Português. A 1 de junho interveio no Especial do Dia Mundial da Criança com "Ulisses", de Maria Alberta Menéres. No passado dia 7 de agosto, Inês Henriques leu um pouco da obra de estreia de Duarte Baião, "Crónicas do Desassossego". Chico Buarque e "Essa Gente" estiveram na sua leitura a 17 deste mês e, no dia 20, foi a vez de um pedaço do livro "À Noite Logo se Vê", de Mário Zambujal. "Sobre o Amor", de Charles Bukowski, foi a sua leitura de 7 de setembro, seguindo-se "Na América, Disse Jonathan", dois dias mais tarde. No domingo, dia 12, foi "Dom Casmurro", de Machado de Assis, a sua escolha para ler. Dia 15 foi o escolhido para apresentar "Coração, Cabeça e Estômago", de Camilo Castelo Branco. "Flores", de Afonso Cruz, foi a sua proposta no passado dia 17. A 21 de setembro apresentou "Normal People", de Sally Rooney. A 30 de setembro revelara a mais recente leitura: "Sartre e Beauvoir: A História de uma Vida em Comum", de Hazel Rowley. "Desamor", de Nuno Ferrão, surgiu a 20 de novembro, seguindo-se, além da já mencionada em cima leitura de "Amor Portátil", também a obra "Niketche: Uma História de Poligamia", de Paulina Chiziane, no dia 13, e ainda "Olhos Azuis, Cabelo Preto", de Marguerite Duras, no dia 22. Na véspera de Natal, Pedro Paixão e "A Noiva Judia" foram os convidados na leitura de Inês Henriques. A 1 de fevereiro, Dia Mundial da Leitura em Voz Alta, apresentou um trecho de "Todas as Crónicas", de Clarice Lispector. "Platero e Eu", de Juan Ramón Jiménez, que aqui estivera em janeiro de 2021, regressou no sábado, dia 12 de fevereiro. Dois dias depois começava a leitura de excertos do livro "A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer", do sueco Stig Dagerman, que se concluiu a 19 de fevereiro. A 28, o regresso às leituras por aqui fez-se com um excerto de "Pedro Lembrando Inês", de Nuno Júdice. "Um, Ninguém e Cem Mil", de Luigi Pirandello, foi a leitura proposta no passado dia 4. "Putas Assassinas", de Roberto Bolaño, surgiu a 10 de março. Herberto Helder e "A Menstruação Quando na Cidade Passava", do livro "Poemas "Completos", foram a leitura seguinte.

No dia 19, a proposta recaiu sobre "A Noite e o Riso", de Nuno Bragança. A 2 de abril, aqui se recuperara a sua leitura de um trecho da obra "Em Açúcar de Melancia", de Richard Brautigan. No dia seguinte homenageou a falecida Lygia Fagundes Telles com um trecho da obra "A Disciplina do Amor" e a 23 aqui recuperei a sua leitura de "Novas Cartas Portuguesas", de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. No Especial do passado 25 de Abril, Inês Henriques apresentou um excerto da obra "Os Filhos da Madrugada", de Anabela Mota Ribeiro. A 5 de maio, no Especial dedicado ao Dia Mundial da Língua Portuguesa, propôs "Manual de Pintura e Caligrafia", de José Saramago. A 6 de junho leu "A Sangrada Família", de Sandro William Junqueira. No dia 1 de agosto, a escolha recaiu no japonês Junichiro Tanizaki com um excerto da obra "A Confissão Impudica". De 10 de outubro é a homenagem à nova Nobel da Literatura, Annie Ernaux, com um excerto do livro "Uma Paixão Simples". A 21 de outubro leu "Para Onde Vão os Guarda-Chuvas", de Afonso Cruz.

De 14 de novembro, no Especial Centenário de José Saramago, é a recuperação da sua leitura de um excerto da obra "Manual de Pintura e Caligrafia". No Especial 1.000 Leituras de dia 23, "A História de Roma", de Joana Bértholo, foi a sua escolha. No dia 28 trouxe um pouco do livro "A Carne", cuja autora é Rosa Montero.

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