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  • Paulo Jorge Pereira

Kelly de Maria lê "Na Mulher, o Tempo", de Conceição Evaristo

"Na Mulher, o Tempo", um exemplo saído do livro "Poemas da Recordação e Outros Movimentos", obra escrita por Conceição Evaristo, é a escolha feita por Kelly de Maria, pesquisadora da área de Literatura Afro-brasileira e Africana de Língua Portuguesa.



Oriunda de uma família pobre, Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu numa favela em Belo Horizonte, a 29 de novembro de 1946, sendo a segunda de nove irmãos. Conforme contou em 2009, no I Colóquio de Escritoras Mineiras, realizado na Faculdade de Letras da UFMG, "a ausência de um pai foi dirimida um pouco pela presença de meu padrasto, mas, sem dúvida alguma, o facto de eu ter tido duas mães suavizou muito o vazio paterno que me rondava. Aos sete anos, fui morar com a irmã mais velha de minha mãe, minha tia Maria Filomena da Silva. Ela era casada com Antônio João da Silva, o Tio Totó, viúvo de outros dois casamentos. Não tiveram filhos. Fui morar com eles para que a minha mãe tivesse uma boca a menos para alimentar. Os dois passavam por menos necessidades, meu Tio Totó era pedreiro, e minha Tia Lia, lavadeira como minha mãe. A oportunidade que eu tive para estudar surgiu muito da condição de vida, um pouco melhor, que eu desfrutava em casa dessa tia. As minhas irmãs enfrentavam dificuldades maiores."

Na escola descobriu a discriminação de que eram alvo os mais pobres e com pele negra como era o seu caso: as crianças com a pele clara estudavam no andar superior do edifício escolar, enquanto as outras ficavam no piso de baixo. Mas Conceição depressa revelou talento para as Letras, recebendo em 1958 um prémio no concurso escolar relativo a redações: "Por que me orgulho de ser brasileira" era o título do texto que escreveu. Foi transferida para o andar de cima, questão que deixou insatisfeitos vários professores. Em 1963 integrou a Juventude Operária Católica e, oito anos mais tarde, viajou rumo ao Rio de Janeiro: apesar de todas as dificuldades e do racismo à sua volta, pretendia entrar na Faculdade, ser professora e muito mais. Trabalho como doméstica para pagar os estudos e, aos 25 anos, concluíra o Curso Normal. Candidatou-se ao magistério, tornou-se docente do ensino público e intensificou esforços para chegar cada vez mais alto - primeiro, o mestrado em Literatura Brasileira (PUC do Rio de Janeiro), depois o doutoramento em Literatura Comparada (Universidade Federal Fluminense).

Entretanto, as ambições literárias não ficavam para trás e, nos Cadernos Negros, Conceição Evaristo publicava os primeiros poemas e contos. "Becos da Memória" foi o primeiro livro que escreveu, embora a sua publicação apenas se tenha concretizado duas dezenas de anos mais tarde, em 2006.




Três anos antes surgira o seu primeiro romance, "Ponciá Vicêncio".



"Poemas da Recordação e Outros Movimentos", de que é apresentado aqui um exemplo, foi publicado em 2008.



"Insubmissas Lágrimas de Mulheres" é de 2011.




"Olhos d'Água" foi publicado no ano de 2014 e recebeu o Prémio Jabuti em 2015.


Mistura de contos e novela, "Histórias de Leves Enganos e Parecenças" ficou à disposição dos leitores em 2016.



Com "Canção para Ninar Menino Grande", em 2018, processou-se o regresso ao universo do romance.



A obra de Conceição Evaristo está traduzida para diversos idiomas e distinções também não têm faltado: de 2016 é o galardão Faz Diferença, do jornal Globo, atribuído na categoria de prosa. Dois anos depois foi a vez de o governo de Minas Gerais lhe outorgar o Prémio de Literatura local em função do conjunto do seu trabalho literário.


Editora Malê


Em 2019, Conceição Evaristo, mãe de quatro raparigas e cinco rapazes, foi distinguida com o Prémio Jabuti na categoria de Personalidade Literária do Ano.

Nascida na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, Kelly de Jesus da Silva Cardoso tem 34 anos. "Venho de uma família trabalhadora e muito feliz. Estudei toda a minha vida em instituições públicas de ensino e tenho muito orgulho dessa situação, visto as enormes dificuldades que enfrentamos na educação pública no Brasil", conta. "Como muitos do meu país, fui a primeira da minha família a cursar uma universidade pública", acrescenta. "Me formei com êxito em Letras, pela Universidade Federal Fluminense (na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro) e pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde eu fui bolsista por dois anos da CAPES (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) pelo Programa de Licenciaturas Internacionais", explica. Seguiu-se a especialização em "Literatura InfantoJuvenil (também pela Universidade Federal Fluminense) e, atualmente, é pesquisadora da área de Literatura Afro-brasileira e Africana de Língua Portuguesa.

Desde 2015 a trabalhar "nos ramos da educação e da cultura, na realização de feiras de trocas literárias, palestras sobre arte e educação, mediação em galerias de arte e mediação literária", para a participação em estreia aqui no blog Kelly de Maria selecionou a obra "Poemas da Recordação e Outros Movimentos".

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