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  • Paulo Jorge Pereira

Rodrigo Fialho lê "As Velas Ardem até ao Fim", de Sándor Márai


O Rodrigo Fialho tem 17 anos, está no 12º ano e é aluno do Agrupamento de Escolas n.º 3 de Elvas. Foi um dos vencedores da fase intermunicipal do Concurso Nacional de Leitura e vão à final nacional, em Almada, no dia 3 de Junho, em representação do distrito de Portalegre. Hoje aqui se apresenta a sua leitura da obra "As Velas Ardem até ao Fim", de Sándor Márai. Na segunda-feira aqui esteve a outra vencedora: Filipa Samarra, de 14 anos, aluna do 8.º ano do mesmo Agrupamento de Escolas. Duas leituras enviadas pela infatigável Professora Teresa Guerreiro.



Nasceu húngaro, a 11 de abril de 1900, na cidade de Kassa, hoje Kosice e parte da Eslováquia. Chamou-se Sándor Károly Henrik Grosschmid e só mais tarde passaria a ser conhecido como Sándor Márai. O mundo ainda não conhecera as duas Grandes Loucuras Mundiais de horror e morte e o jovem, filho de um advogado e de uma professora, teve uma infância feliz, interrompida com a eclosão do conflito que durou entre 1914 e 1918. Nessa Europa ainda mal refeita do ódio e de um banho de sangue, Márai afastou-se do regime de Miklós Horthy (mais tarde aliado da Alemanha nazi até 1944, altura em que a Hungria foi invadida pelas tropas de Hitler e Horthy preso - seria libertado no final da guerra e testemunha nos julgamentos de Nuremberga, vivendo em Portugal a partir de 1948) e trocou o seu país pela Alemanha em 1919, morando em Berlim e em Frankfurt. Começou logo a trabalhar como jornalista e seria correspondente em Paris de uma publicação germânica durante os anos da República de Weimar. Com 24 anos teria a sua estreia literária num percurso que inclui dezenas de obras. Voltou à Hungria várias vezes, mas, após a II Guerra Mundial, com a subida ao poder do regime comunista, Márai afastou-se em definitivo e radicou-se nos Estados Unidos. Regressou à Europa e passou períodos da sua vida na Suíça e em Inglaterra, no começo dos anos 50. Durante 15 anos desenvolveu a sua atividade profissional na rádio Europa Livre, saiu em 1967 e, no ano seguinte, viveu em Palermo, na Sicília. Ainda em 1968 acaba por regressar aos Estados Unidos e fixa-se em San Diego.

Tinha já muitos livros publicados quando deixara a Hungria no final da década de 40 e, enquanto o governo proibia a circulação da sua obra no país, esta tornava-se um sucesso. O preço a pagar foi o exílio, mantendo sempre o seu tom crítico com o regime comunista. Foi sempre escrevendo e a admiração dos leitores cresceu à medida que aumentava os exemplos da sua poesia, mas também de romances e peças de teatro. "Rebeldes" é de 1930, mas não faltam exemplos variados do seu trabalho literário: "The Confessions" (1934), "Divórcio em Buda" (1935), "A Herança de Eszter" (1939), "Conversa em Bolzano" (1940). "As Velas Ardem Até ao Fim", de que aqui se apresenta um trecho, foi publicado em 1942. Mas a vasta lista engloba também "A Mulher Certa", "A Ilha", "A Irmã" ou "A Gaivota", tendo a sua obra merecido traduções para dezenas de idiomas ao longo das décadas.

Defensor da liberdade de pensamento e de escolha, Márai cuidou da mulher depois de esta adoecer e durante o longo período de sofrimento a que o mal a submeteu. Talvez pelas duas razões, a ideia de que as escolhas deviam ser suas até às últimas consequências e o facto de não querer estar sujeito à dor que tanto apoquentara a mulher, Sándor Márai suicidou-se com um tiro na cabeça a 22 de fevereiro de 1989, aos 88 anos. Já não teve oportunidade de assistir à queda do Muro de Berlim e do comunismo.


Publicações D. Quixote/Tradução de Mária Magdolna Demeter


Escreveu e publicou dezenas de livros e viveu muitos anos nos Estados Unidos, mas morreu antes da queda do Muro de Berlim: Sándor Márai já não assistiu ao descalabro do comunismo que o obrigara a exilar-se.

O Rodrigo Fialho tem 17 anos, está no 12º ano e é aluno do Agrupamento de Escolas n.º 3 de Elvas. Foi um dos vencedores da fase intermunicipal do Concurso Nacional de Leitura e vão à final nacional, em Almada, no dia 3 de Junho, em representação do distrito de Portalegre. Hoje aqui se apresenta a sua leitura da obra "As Velas Ardem até ao Fim", de Sándor Márai. Na segunda-feira aqui esteve a outra vencedora: Filipa Samarra, de 14 anos, aluna do 8.º ano do mesmo Agrupamento de Escolas.

Hoje é com o envio do vídeo desta leitura que a Professora Teresa Guerreiro, essencial no projeto "Leituras contra a Pandemia", se associa a esta presença, pois já aqui participou com várias leituras: por exemplo, no Especial Centenário de José Saramago, a 16 de novembro, a 2 do mês seguinte, sob o título "Havia", de Joana Bértholo, mas também do poema "E Ao Anoitecer", de Al Berto, aqui lido no dia 11, do poema "A Verdadeira Mão", de Ana Hatherly, apresentado a 20, e ainda de "Complexos", de Nuno Júdice.

Como se explica no arquivo dedicado ao referido projeto, trata-se de um conjunto de "histórias e poemas lidos e ditos por alunos, professores, pais/encarregados de educação, escritores e amigos das bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas n.º 3 de Elvas durante os confinamentos devido à pandemia de covid-19 (2019/20 e 2020/21)".

Segundo referiu a própria Professora Teresa Guerreiro, "os projetos nasceram da necessidade de, em contexto de pandemia e confinamento, levar até à comunidade escolar textos, prosa e poemas, literários, como forma de vencer a tristeza e o afastamento". E descreve as fases diferentes: "Teve dois momentos: o primeiro, 'Histórias contra a pandemia'; e o segundo, 'Um Poema por Dia para Combater a Pandemia'. Além das minhas leituras, participaram alunos, professores, encarregados de educação, amigos e alguns escritores, no segundo momento. O Ministro da Educação, João Costa, também participou."

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