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  • Paulo Jorge Pereira

Sara Loureiro lê "Ponte Pequim sobre o Tejo", de António Oliveira e Castro


Uma distopia que decorre em 2050: esta é a proposta do romance "Ponte Pequim sobre o Tejo", escrito por António Oliveira e Castro, do qual é apresentado aqui um excerto por Sara Loureiro.



Nascido no Bongo Lépi, em Angola, no ano de 1951, António Oliveira e Castro teria oportunidade de publicar contos no jornal ABC, recebendo mesmo um galardão da Câmara de Luanda em função de um deles. Publicou "Eu, a Minha Terra e a Minha Gente" (1969), uma obra de poesia, antes de "Canções Clandestinas da Revolta Latente" (1974) como primeiras obras. "Foi tudo válido, não me arrependo de nada do que fiz na minha vida", afirmou a propósito destes livros no programa Mar de Letras, da RTP, no passado dia 2 de setembro. "Como poesia provavelmente o valor é menor. Eram mais textos de luta, protestos, panfletos. Tinham valor para aquela época, isto circulou entre amigos e pessoas que pensavam como eu, não esteve à venda nas livrarias", recordou.

O golpe de Estado de 27 de maio de 1977 levou-o a deixar solo angolano, passando a viver em Estocolmo, na Suécia, onde aprendeu artes gráficas num jornal de refugiados da América Latina. Em 1982 vem para Portugal, passando a viver em Setúbal e a trabalhar na banca, área da qual se reformou em 2004. A partir de então, a escrita passou a ser a sua principal ocupação.

Mas, além da escrita, Oliveira e Castro desdobrou-se noutras atividades como pintura, interpretação, rádio, produção de cinema. "Fiz cinema como experiência, para ver como é que é", confessou no referido programa da RTP.

Em Portugal estão publicados os livros "Houve Mesmo um Dia de Desespero em que se Cultivaram Campos de Cicuta" (1985), "As Planícies Donde Vim" (1987), "A Especiaria" (2007), "Tambwe – A Unha do Leão" (2011), "Coleccionadores de Sonhos" (2017), que teve ilustrações suas e com o qual foi semifinalista do Prémio Oceanos 2018, e "Ponte Pequim sobre o Tejo", de que aqui se apresenta um trecho, editado no passado mês de junho.



Gradiva


"Foram dois anos de escrita obsessiva como se houvesse necessidade de gritar um SOS, um alerta contra a atração suicida que tomou conta de nós em nome do progresso", classifica o próprio autor, num vídeo que gravou para a editora Gradiva a propósito do livro.

Sara Loureiro é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, pós-graduada em Animação Cultural e Mestre em Ciências da Educação. Atualmente dedica-se, como freelancer, à promoção do livro, da leitura e da escrita criativa. É diseuse e não concebe a sua vida sem ler e escrever poesia, o seu superalimento. Também faz resenhas de livros, publicando e partilhando opiniões sobre o que lê. Considera que as palavras são uma das maiores invenções da Humanidade e, por isso, gosta de as ter por perto, de lhes sentir o pulso e insuflar vida. A sua atividade estende-se, igualmente, às áreas da programação e da produção cultural. É co-fundadora do PICA, Projeto de Intervenção Cultura e Artes, nascido da/para a sociedade civil, com o propósito de valorizar, preservar e divulgar o património cultural, material e imaterial. Além disso, é consultora pedagógica e formadora na PLUS Academy.

Esta é a segunda participação de Sara Loureiro aqui no blog - a estreia registou-se a 3 de junho com um trecho do romance "A Vida de um Homem que Perseguia Poemas", de Joana M. Lopes.

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