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  • Paulo Jorge Pereira

Teresa Guerreiro lê "O Pássaro em Ruínas", de Joaquim Pessoa

A Professora Teresa Guerreiro propõe uma outra leitura da obra poética de Joaquim Pessoa, agora com "O Pássaro em Ruínas", inserido no livro "Os Dias da Serpente".



Deixou-nos no dia 17 de abril e o País mudou - para pior. Poeta, artista plástico, estudioso da arte da Pré-História e publicitário, Joaquim Pessoa era natural do Barreiro, onde nasceu a 22 de fevereiro de 1948. Homem de múltiplos talentos, começou a trabalhar no suplemento literário juvenil do Diário de Lisboa e foi nos campos do marketing e da publicidade que realizou a sua formação, tendo passado por papéis como o de diretor criativo e diretor geral em diferentes agências publicitárias. Mas não se coibiu de estender à televisão o seu talento, tornando-se autor ou, pelo menos, coautor de programas como Rua Sésamo, 1000 Imagens, 45 Anos de Publicidade em Portugal e outros. Por outro lado, iria desempenhar tarefas no universo educativo como diretor pedagógico e docente de Publicidade no Instituto de Marketing e Publicidade, mas também como professor em Loulé, no Instituto D. Afonso III.

É de 1975 o primeiro de dezenas de livros que publicou e intitula-se "O Pássaro no Espelho". Seguiram-se, ainda no mesmo ano, "Poemas de Perfil", "Amor Combate" (1976), "Canções de Ex-Cravo e Malviver" (1977), "Português Suave" (1978), "Os Dias da Serpente" (1979) - de que é exemplo a leitura de hoje, feita pela Professora Teresa Guerreiro, com o poema "Desligando a TV" -, "Os Olhos de Isa" (1980), "O Livro da Noite" (1981), "O Amor Infinito" (1982) e a primeira de seis antologias da sua obra, sob o nome "125 Poemas - Antologia Poética". De então para cá, Joaquim Pessoa publicou mais de duas dezenas de obras, sendo "Ano Comum", de que hoje aqui se apresenta um excerto, de 2013 e "O Poeta Enamorado" de 2015. O mais recente exemplo do seu trabalho poético é "Conversa com a Chuva" (2019).

A sua intensa atividade literária está bem expressa nas centenas de recitais em que participou, não apenas intramuros, mas também além-fronteiras. Em 1983 foi responsável, em parceria com Luís Machado, pelo I Encontro Peninsular de Poesia, no qual marcaram presença alguns dos nomes ibéricos mais importantes na arte de fazer poesia. Diretor literário da revista Litexa Editora, também dirigiu o jornal Poetas & Trovadores e colaborou com publicações como A Bola, Vértice e Sílex. De 1988 a 1994 foi diretor da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e, ao lado de Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Luiz Villas-Boas e Ary dos Santos, contribuiu para a criação da cooperativa de artistas Toma Lá, Disco.

Entre os galardões conquistados incluem-se os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores, da Secretaria de Estado da Cultura, António Nobre e Cidade de Almada. Em dezembro de 2015, a Câmara Municipal da Moita instituiu o Prémio de Poesia Joaquim Pessoa, atribuindo cinco mil euros e a edição da obra ao vencedor. Até agora, em três edições, venceram José Pedro Alves Moreira, sob o pseudónimo de Sousa Alves, com "A Memória e a Matéria" (uma menção honrosa foi ainda para "Gramática do Assombro", de Nuno Garcia Lopes, que concorreu com o pseudónimo de Miguel de Évora Brandão), Amadeu da Silva Baptista com "Poemas de Leonardo" e "Orfeu sem Mim", de Dionísio Vila Maior.

Por outro lado, a sua poesia está em inúmeras canções, várias bem conhecidas do grande público como "Lisboa, Menina e Moça" (cantadas por Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo), "Amélia dos Olhos Doces" e "Alcácer que Vier" (ambas na voz de Carlos Mendes), "Mar Português" (Jorge Palma), "Negreiro" (José Mário Branco), "Talvez Não Saibas" (Kátia Guerreiro), "Gaivota Portuguesa" (Manuel Freire) ou "Assim como Quem Morre" (Fernando Tordo).

Partiu no passado dia 17 de abril, vítima de cancro. Permanecerá na memória coletiva.


Moraes Editores


Joaquim Pessoa colecionou distinções e foi mesmo criado um prémio de poesia com o seu nome pela Câmara Municipal da Moita.

A Professora Teresa Guerreiro regressa a este espaço depois do exemplo do projeto "Leituras contra a Pandemia" que aqui deixou no Especial Centenário de José Saramago, a 16 de novembro, da leitura de 2 de dezembro, sob o título "Havia", de Joana Bértholo, mas também do poema "E Ao Anoitecer", de Al Berto, aqui lido no dia 11, do poema "A Verdadeira Mão", de Ana Hatherly, apresentado a 20, e ainda de "Complexos", de Nuno Júdice, entre outros.

Depois trouxe a sua obra literária, impressionando com a beleza de poesia que nos apresentou: além do livro "Caleidoscópio", assinado sob o pseudónimo de Maria Vicente - seus nomes do meio -, e do qual já aqui ficaram exemplos, a Professora propôs nova amostra do seu trabalho literário, então como Irene Lobo e com a obra "Corporanima". Entretanto, volta a propor Joaquim Pessoa, depois de aqui ter lido "Desligando a TV", a 25 de setembro.

Mas o trabalho de Teresa Guerreiro vai além da poesia que escreve. Como se explica no arquivo dedicado ao referido plano "Leituras contra a Pandemia", trata-se de um conjunto de "histórias e poemas lidos e ditos por alunos, professores, pais/encarregados de educação, escritores e amigos das bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas n.º 3 de Elvas durante os confinamentos devido à pandemia de covid-19 (2019/20 e 2020/21)".

Segundo refere a própria Professora Teresa Guerreiro, "os projetos nasceram da necessidade de, em contexto de pandemia e confinamento, levar até à comunidade escolar textos, prosa e poemas, literários, como forma de vencer a tristeza e o afastamento". E descreve as fases diferentes: "Teve dois momentos: o primeiro, 'Histórias contra a pandemia'; e o segundo, 'Um Poema por Dia para Combater a Pandemia'. Além das minhas leituras, participaram alunos, professores, encarregados de educação, amigos e alguns escritores, no segundo momento. O Ministro da Educação, João Costa, também participou."

A primeira leitura deste projeto apresentada no blog pertenceu a Cláudia Marçal e foi divulgada no passado dia 1 de novembro - "Então, Queres ser Escritor?", de Charles Bukowski. Uma outra leitura de Cláudia Marçal também já por aqui passou a 26 de novembro: "Erva Daninha", de Jorge de Sousa Braga. E outras se lhe seguiram.

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