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  • Paulo Jorge Pereira

Rui Guedes lê "Explicação das Árvores e de Outros Animais", de Daniel Faria

Aqui se regressa ao momento em que Rui Guedes leu "Explicação das Árvores e de Outros Animais", de Daniel Faria.



Nascido em Baltar, no concelho de Paredes, a 10 de abril de 1971, Daniel Faria dedicou-se ao curso de Teologia, frequentando-o na Universidade Católica do Porto e chegando ao termo em 1996. Mas já aqui tinha uma paixão especial por poesia e pela sua escrita. Ainda assim, estabeleceu uma ligação forte à paróquia de Santa Marinha de Fornos no Marco de Canaveses. Licenciado em Estudos Portugueses pela Faculdade de Letras na Universidade do Porto, teve oportunidade de encenar "As Artimanhas de Scapan" e o "Auto da Barca do Inferno".

Numa entrevista ao Diário de Notícias em 23 de junho de 1998, explicou um pouco do seu posicionamento: "Eu escrevo para os outros. Mas, quando nós publicamos, perdemos os poemas – eu senti isso. Há uma certa fase em que eu já não consigo ler o que escrevo, é quase um processo de desamor. Depois, os leitores devolvem-nos o livro. O mecanismo secreto do amor é esse processo de diálogo, com a escrita, com os poemas entre si, na intertextualidade dos poemas com outros autores", referiu.

No seu trabalho literário publicado, além da obra aqui apresentada, "Explicação das Árvores e de Outros Animais", salientam-se "Poesia", "Dos Líquidos" e "O Livro do Joaquim".

Morreu de forma prematura, com apenas 28 anos, a 9 de junho de 1999, perto do final do noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga.


Fundação Manuel Leão


"Escrevo para os outros. Mas, quando nós publicamos, perdemos os poemas - eu senti isso", confessou ao Diário de Notícias em 1998.

Rui Guedes, escritor e bibliotecário responsável pelo Bibliomóvel de Penafiel desde o início em abril de 2002, tem publicados dois livros para o público infantil - "Ri o Joaquim com Cócegas assim...", de 2016, e "Ao Fundo da Minha Rua...3 Contos", de 2017), estreando-se este ano na escrita para adultos com o livro "Traço Contínuo". Para lá de descobrirem as suas obras literárias, vale a pena também perceberem como é o trabalho da Biblioteca de Penafiel, porque Portugal está muito longe de ser apenas Lisboa e as suas paisagens. E ainda tem muita gente que sabe bem que a Cultura é a nossa essência - só é pena que muita dessa gente seja cuidadosamente afastada de lugares de decisão. Pouco importa. A casa, a rua, a freguesia, o concelho, o país, o mundo e o universo podem ser melhorados todos os dias com atos, palavras, ideias e a magia infindável dos livros. E o Rui, ao lado de outros bravos cujas identidades poucos conhecem, aí estão, Humanidade fora, a demonstrar precisamente isso. A responsabilidade da cidadania não precisa de poder para ser exercida - basta querer. E a diferença fica feita numa série de pequenos gestos que, todos juntos, se transformam em grandiosas ações. Liderar pode e deve ser assim, um ato de generosidade e de ser solidário com quem nos rodeia e mais precisa de nós. Todos os dias.

Esta é a recuperação de uma das suas participações aqui no blog, depois de apresentar um pouco do seu "Traço Contínuo", além de eu próprio ter lido "Os Rios Não Conhecem a Água", poema que entra nesse livro, a 30 de março de 2021.

Para quem não tenha informação suficiente sobre o projeto do Bibliomóvel de Penafiel, pode ler aqui uma reportagem maravilhosa, da autoria de Miguel Carvalho e Lucília Monteiro, na revista Visão de 16 de novembro de 2020. Leiam - vão ver que nunca se arrependem!

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