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  • Paulo Jorge Pereira

Edite Queiroz lê "A Casa e o Cheiro dos Livros", de Maria do Rosário Pedreira

O Grupo Leya contratou Maria do Rosário Pedreira em 2009 para que trabalhasse com novos autores portugueses. De então para cá, a editora e escritora lançou diversos nomes seguros da Literatura em Portugal, mas já tinha carreira a publicar. E Edite Queiroz recorda aqui os poemas "Tenho um Decote Pousado no Vestido" e "Conta-me Essa História", ambos da obra "A Casa e o Cheiro dos Livros", lançada em 1996.



A partir de 2010, o nome de Maria do Rosário Pedreira ficou mais associado à essência do trabalho desenvolvido no Grupo Leya, designadamente a revelação de jovens autores portugueses como Ana Margarida de Carvalho, José Luís Peixoto, Nuno Camarneiro, Valter Hugo Mãe, João Tordo, João Pinto Coelho, entre outros. Três anos depois, em entrevista ao programa Ensaio Geral, da Rádio Renascença, sintetizava a sua filosofia: "É muito mais fácil fazer dinheiro com um livro de um apresentador de televisão do que com um de um escritor jovem e desconhecido, mas eu acho é que não podemos deixar de publicar o escritor jovem e desconhecido só por causa do dinheiro. Quando saíram as primeiras obras do Kafka, venderam 400 exemplares, mas hoje ainda lemos o Kafka", dizia.

Mas, para lá do seu trabalho no universo editorial, Maria do Rosário Pedreira é escritora com vasta obra publicada, englobando poesia (sem esquecer as letras de diversos fados nas vozes de Ana Moura, Carminho, Carlos do Carmo, Cristina Branco, Aldina Duarte e António Zambujo, por exemplo, tendo mesmo publicado uma antologia intitulada "Esse Fado Vaidoso"), romance, crónicas e literatura para os mais jovens. Nascida em Lisboa, a 21 de setembro de 1959, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas no ramo de Estudos Franceses e Ingleses. Na sua formação sobressai também o curso de Língua e Cultura do Instituto Italiano de Cultura, linha que acabou por conduzi-la a uma formação universitária de verão em Perugia como bolseira do governo italiano. Além disso, passou ainda quatro anos no Goethe Institut. Começou por ser professora, mas, perto do final dos anos 80, entraria no maravilhoso mundo da edição e das traduções, tornando-se autora do Clube das Chaves, em parceria com Maria Teresa Maia Gonzalez, até 1998 (em 1989, sob o pseudónimo de Maria Helena Salgado, publicara o livro de poesia "Água das Pedras"). Pelo meio publicou um romance, "Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu" (1993), mas também poesia ("A Casa e o Cheiro dos Livros", que aqui se apresenta, em 1996) e outra coleção de cariz juvenil - "Detetive Maravilhas", cujo percurso, iniciado em 1997, não deixou de prosseguir. Para os mais jovens, Maria do Rosário Pedreira escreveu ainda "A Ilha do Paraíso" (2000), "A Biblioteca do Avô" (2005), "A Minha Primeira Amália", ilustrado por João Fazenda (2012) e "Portuguesas Extraordinárias", com ilustrações de Elsa Martins (2018). No âmbito poético, "O Vento nos Ciprestes" (2001) e "Nenhum Nome Depois" (2004) surgiriam antes da edição de "Poesia Reunida" (2012).

Coordenadora de serviços editoriais na Gradiva, assumiu a responsabilidade da Sociedade Portugal-Frankfurt 97 como diretora de publicações, editou os catálogos dos pavilhões oficiais temáticos da Expo-98 e foi redatora de publicações dedicadas ao Festival dos 100 Dias e Mergulho no Futuro, apresentadas durante a Exposição Universal em Lisboa. Diretora editorial da Temas e Debates no Grupo Bertelsmann, sairia em 2005 para assumir funções de edição na QuidNovi, papel que trocou em 2010 pela missão de editar novos autores portugueses no Grupo Leya. Casada com o também escritor e editor (na Porto Editora) Manuel Alberto Valente, dedica-se ainda a um blog pessoal que pode ser visto aqui.


Editora Gótica


Maria do Rosário Pedreira tem contribuído para revelar inúmeros escritores portugueses e, ao longo dos anos, vem construindo a sua própria obra literária.

Edite Queiroz nasceu em Coimbra, é psicóloga e já realizou trabalho como crítica de cinema. Esta é a sua segunda leitura aqui no blog, depois da estreia a 22 de julho com "Monodrama", de Carlito Azevedo.

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