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  • Paulo Jorge Pereira

Inês Henriques lê "Clarisvânia, a Aluna que Sabia Demais", de Luís Emanuel Cavalcanti

O fascínio de Luís Emanuel Cavalcanti pela literatura de cordel é aqui sintetizado por Inês Henriques com um pouco de "Clarisvânia, a Aluna que Sabia Demais". Cavalcanti está a preparar um mestrado em literatura de cordel.



Manifestação literária que ganhou popularidade no nordeste brasileiro durante o século XIX em Estados como Pernambuco, Alagoas, Pará, Paraíba, Ceará ou Rio Grande do Norte, a literatura de cordel - à qual também chamam literatura popular em verso ou simplesmente folheto - exerceu considerável influência sobre autores como Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto ou Ariano Suassuna. No entanto, a origem da literatura de cordel é europeia, ganhara notoriedade em países como Itália, França ou Espanha desde o século XII, chegando a Portugal no século XVIII. Aliás, no início o género até vivia da oralidade, baseando-se em rimas ditas e cantadas porque desse modo se superava o profundo problema que representava o analfabetismo. O aparecimento e a multiplicação dos meios da imprensa e o paulatino crescimento da alfabetização, a literatura de cordel passou a ser impressa, mesmo que nunca deixasse de registar marcas de oralidade. A designação de literatura de cordel está diretamente relacionada com a exposição dos escritos que ficavam pendurados a partir de um cordel ou de uma corda, embora no Brasil esse estilo, introduzido pela colonização portuguesa, acabasse por não se impor. Xilogravuras servem como ilustrações dos cordéis e são utilizadas também nas capas, contendo os cordéis poemas em tom irónico que abordam temas variados da cultura brasileira que podem ir das lendas à religião, passando por meros acontecimentos do dia a dia. Quando são lidos em público, muitas vezes têm acompanhamento musical e uma leitura necessariamente ritmada e com muita animação de modo a atrair mais público. Ao longo do tempo, os cordéis, sendo de acesso mais facilitado do que a restante literatura, afirmaram-se também como importante argumento de combate ao analfabetismo.

Nascido em São Bento do Una, no Estado de Pernambuco, Luis Emanuel Cavalcanti é formado em Letras (Porto Seguro, Bahia). Muito interessado pelo género da literatura de cordel, não só tem dedicado parte do seu tempo à investigação e pesquisa sobre o tema como já escreveu um estudo. Um dos objetivos de descobrir e explicar a origem desta "expressão popular", a sua importância e aceitação, tem a ver com a questão de estar a preparar um mestrado no assunto. Além do que aqui é apresentado, Cavalcanti tem outras duas dúzias de cordéis escritos, participa em palestras acerca da temática e escreveu "A Epopeia do Descobrimento em Versos de Cordel".

Luís Emanuel Cavalcanti escreve também um blog onde é possível saber mais sobre a atividade que desenvolve e as suas preferências de âmbito literário.

Dados de historiadores brasileiros indicam que foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918) quem primeiro agiu para imprimir os seus versos, depressa atingindo importante dimensão como "cordelista". Seus contemporâneos são autores como João Martins Athayde (1880-1959) e Francisco das Chagas Batista (1882-1930). Arievaldo Viana Lima, Antônio Carlos dos Santos, Expedito Sebastião da Silva, Manoel Monteiro, José Costa Leite, Patativa do Assaré ou Zé da Luz são apenas outros exemplos.


A Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) dispõe de perto de sete mil folhetos, obras e outros objetos para pesquisa relativos ao género.

Inês Henriques participa com regularidade no blog: estreou-se a 27 de abril com a leitura de um excerto de "Perto do Coração Selvagem", de Clarice Lispector; a 10 de maio foi a vez de apresentar "A Disciplina do Amor", de Lygia Fagundes Telles; no dia 24, a sua leitura de parte da obra "Novas Cartas Portuguesas" foi uma homenagem na ocasião da morte de uma das autoras, Maria Velho da Costa; a 31 de maio, escolheu a obra "351 Tisanas" de Ana Hatherly para ler em voz alta. Em breve estará de volta ao livroslidos.pt...

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