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Joana M. Lopes lĂȘ "Do Desejo", de Hilda Hilst

  • Paulo Jorge Pereira
  • Jan 11, 2023
  • 3 min read

Considerada uma das mais notĂĄveis escritoras em lĂ­ngua portuguesa, Hilda Hilst e o seu livro "Do Desejo" sĂŁo as escolhas de Joana M. Lopes que hoje aqui voltam.



Poderosa voz em defesa do feminismo, da libertação sexual e dos direitos das mulheres, escritora que repartiu o trabalho literĂĄrio por poesia, ficção e teatro, publicando dezenas de obras entre os anos 50 e o final da dĂ©cada de 90. Neta, pelo lado do pai, de um imigrante que chegou ao Brasil oriundo da AlsĂĄcia-Lorena e filha de um jornalista que era tambĂ©m fazendeiro, enquanto a mĂŁe tinha ascendĂȘncia portuguesa, Hilda de Almeida Prado Hilst nasceu na paulista JaĂș, a 21 de abril de 1930. Mal teve tempo para conviver com o pai, pois a mĂŁe separou-se e levou-a para Santos. Numa entrevista em 1999, publicada nos Cadernos de Literatura brasileira do Instituto Moreira Salles, a escritora recordou como voltou a ver o pai quando jĂĄ tinha 16 anos: "Meu pai estava na fazenda dele e pediu para me chamar - na verdade, meu pai jĂĄ estava louco. Às vezes pegava na minha mĂŁo, acho que me confundia com a minha mĂŁe, e entĂŁo dizia para eu dar trĂȘs noites de amor para ele. Era uma coisa terrĂ­vel, constrangedora, eu ficava morta de vergonha, sem jeito."

Faria os estudos até se licenciar em Direito, no começo da década de 50, altura em que jå publicara as primeiras obras de poesia, desde logo muio elogiadas: "Pressågio" e "Balada de Alzira".

O regresso Ă  fazenda de origem, na qual seria construĂ­da a moradia onde viveu e trabalhou atĂ© ao final dos seus dias, seria fundamental para o desenvolvimento do seu trabalho literĂĄrio. Foi publicando e recebendo prĂ©mios, casou-se em 1968 com Dante Casarini (escultor), mas a separação, mesmo que continuassem a partilhar casa, aconteceu em 1980. NĂŁo parou de escrever, nem de ser distinguida com galardĂ”es, continuando a deixar marcas de erotismo na sua escrita. Pelos anos fora, Hilda Hilst foi traçando um percurso literĂĄrio marcante, assinalado por traduçÔes para inĂșmeros idiomas.

Em 2004, culminando perĂ­odo de internamento superior a um mĂȘs devido a fratura numa perna, Hilda Hilst sofreu paragem cardĂ­aca, falĂȘncia generalizada dos ĂłrgĂŁos e nĂŁo resistiu. Tinha 73 anos.


Biblioteca Azul


"Meu pai foi a razĂŁo de eu me ter tornado escritora", confessou Hilda Hilst, numa entrevista publicada em 1999.

Nascida em 1984, Joana M. Lopes Ă© licenciada em Animação Cultural e mestre em Animação ArtĂ­stica, dedicando-se a programas no Ăąmbito da mediação cultural alĂ©m de ser artista plĂĄstica. Começou por dedicar-se Ă  escrita de livros infantojuvenis, publicando "De onde VĂȘm as Bruxas" - que recebeu o prĂ©mio do Pingo Doce para Literatura Infantil -, "O que Tem a Barriga da MĂŁe?", "CoraçÔes aos MilhĂ”es", "Manuel, o Menino com Asas de Livros" e "Marcelo, o Presidente" antes da estreia no romance com "A Vida de um Homem que Perseguia Poemas", seguindo-se "Cabeça de Andorinha".

"A Chama de Adrião Blåvio", publicado em 2020, é o seu segundo romance e jå aqui foi abordado em diferentes momentos - a estreia aconteceu pela voz da própria autora, a 25 de setembro de 2020, regressou a 4 de novembro e também a 29 de agosto de 2021 quando li um trecho pela segunda vez no Especial dedicado à Feira do Livro. Antes, a 3 de junho, Sara Loureiro lera um excerto do primeiro trabalho de Joana M. Lopes: "A Vida de um Homem que Perseguia Poemas". E "CoraçÔes aos MilhÔes" também jå por aqui passou...

A atividade da autora pode ser acompanhada através das redes sociais, seja no Facebook ou no Instagram.

 
 
 

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