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  • Paulo Jorge Pereira

"Notas Sobre o Luto", de Chimamanda Ngozi Adichie

O pequeno-grande livro "Notas Sobre o Luto", de Chimamanda Ngozi Adichie, foi um exercício doloroso que a escritora publicou após a morte do pai. Entretanto, outra experiência de perda lhe marca a vida, uma vez que também perdeu a mãe.



Professor universitário da disciplina de Estatística e intelectual respeitado, James Nwoye Adichie morreu em 2020, deixando em choque a família. Filha que tivera parte do seu processo de crescimento no próprio recinto universitário, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie escreveu "Notas Sobre o Luto", que já aqui marcou presença em maio de 2021, como uma forma de exorcizar a dor e a falta de respostas que explicassem os motivos desta perda tão profunda. Raízes para se tornar uma mulher emancipada e acérrima defensora dos ideais feministas já Chimamanda tinha em casa, pois tanto o exemplo do pai, impulsionador do crescimento profissional da mulher, como o da mãe, Grace Ifeoma, que se tornou a primeira mulher a exercer o cargo de administradora no estabelecimento de ensino, lhe deram pistas para a sua formação. A mãe tornou-se a segunda perda de Chimamanda, tendo a morte acontecido em 2021.

Chimamanda Adichie nasceu na Nigéria, a 15 de setembro de 1977, tendo começado por dedicar-se, no capítulo dos estudos superiores, às áreas de Medicina e Farmácia. Porém, após ano e meio nestas rotinas, a sua viagem rumo aos Estados Unidos já tinha um objetivo bem diferente: Chimamanda pretendia estudar Comunicação e Ciência Política. Estreou-se em Filadélfia, mas juntou-se à irmã na Universidade do Connecticut. Seguiu-se um mestrado na área da escrita criativa (Universidade Johns Hopkins, em Baltimore) e, por fim, na Universidade de Yale, outra vertente dos estudos superiores, então como mestre de artes em Estudos Africanos.

Outra obra de Chimamanda que já aqui foi tema é "A Coisa à Volta do teu Pescoço", a 21 de outubro.


D. Quixote/Tradução de Tânia Ganho


Chimamanda estabeleceu condições na Nigéria para que nascesse uma Oficina Anual de Escrita Criativa.

O seu primeiro livro, intitulado "A Cor do Ibisco", surgiria apenas em 2003, seguindo-se "Meio Sol Amarelo", ambos distinguidos com prémios. Além de prosseguir na escrita, incluindo contos para a revista New Yorker, Chimamanda passou também a dar palestras, entrando em várias edições das TED Talks com relevo para as participações de 2009 ("The Danger of a Single Story") e de "Todos Devemos ser Feministas" (versão em livro de 2014). No ano anterior fora premiada por "Americanah". E, se "Querida Ijeawele - Como Educar para o Feminismo", é de 2017, no ano seguinte surgiu "O Perigo de uma História Única".

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