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  • Paulo Jorge Pereira

Poesia popular vinda de Santa Susana pela voz de Maria Brás Calado

Porque livros, textos e Cultura não têm limites etários ou geográficos, a proposta de hoje chega do Alentejo, mais precisamente de Santa Susana: ouçam e deliciem-se com os versos ditos pela mestria da Dona Maria Brás Calado, de 86 anos. Com a ajuda inestimável de um dos muitos heróis em segredo desta pandemia, o bibliotecário itinerante António Bento Ramires, de Redondo.



Maria Brás Calado, que vive em Santa Susana, pequena localidade do concelho de Redondo, no distrito de Évora, tem 86 anos. Mas isso é apenas um pormenor que fica ao cuidado do Cartão de Cidadão - o mais importante, aliás, aquilo que verdadeiramente interessa, é a forma jovial como encara cada dia e cada desafio que lhe é lançado. "Ouvê-la" a recitar poesia ou a cantá-la constitui um encanto sem tamanho.



Para que o livroslidos.pt pudesse contar com estes três momentos deliciosos que aqui se apresentam foi necessário contar não apenas com o talento natural de quem recita, mas também com a generosidade infinita e o olhar de repórter que caracterizam o António Bento Ramires, um dos outros heróis da pandemia: não trabalha na área da saúde, mas a nobreza do seu trabalho (e de muitos outros como ele, que de Norte a Sul calcorreiam caminhos todos os dias por amor à leitura, pelo prazer de levar alegria e companhia a tantos sob a forma de livros), que faz dos livros e da Cultura uma bandeira, dá-nos a todos lições de cidadania, democracia, liberdade e solidariedade. Obrigado, António Bento Ramires, por tanto que o país, isto é, todos nós te devemos. Um Obrigado e uma dívida que estendo ao Rui Guedes, em Penafiel; ao Carlos Marta, em Miranda do Corvo; ao Carlos Nuno Granja, em Ovar; à Ana Sofia Marçal, da Sertã; à Eliana Sousa, no Porto; ao Fernando Soares, em Paredes; ao Marco Neves, ao João Manuel Ribeiro, ao Marco Figueiredo, à Rita França Ferreira, entre muitos outros. Procurem os nomes e descubram o que anda cada um deles a fazer. E vão descobrir que, como dizia Jorge Sampaio, se "há vida para além do défice", também há heróis da pandemia para além da saúde. A Cultura é um exemplo bem eloquente. Mas quem é que quer saber disso? Felizmente, eles querem saber de nós; preocupam-se; lutam; não desistem; se falham, a seguir vão "falhar melhor", como escreveu Samuel Beckett.



Por muito pequeno que seja o país em dimensão territorial e geográfica, muitos de nós, sobretudo aqueles que passam a vida nas maiores cidades, tantas vezes distantes do interior, sempre mais esquecido e deixado quase ao abandono, o essencial de todos está na riqueza daquelas pessoas que tanto têm sempre para nos ensinar. Pessoas do povo, como todos nós, num plano de igualdade que deveria ser o do nosso dia a dia. Hoje, todos nós estamos na voz de Maria Brás Calado, espelho da mais pura essência do que é ser português. E, se por acaso não entenderem o que é o "regatão", a que chega a fazer referência, a voz paciente do Bento Ramires esclarece: "É o vendedor que inflaciona os preços e com quem os fregueses regateiam para que ele os baixe."


Oralidade pura e memória coletiva


Aqui estamos, todos enfeitiçados e envolvidos pela voz de Maria Brás Calado, espelho da mais pura essência do que é ser português.

Bibliotecário responsável pela Biblioteca Itinerante do Redondo, fotógrafo, percussionista no Grupo de Bombos “Tomba Lobos”, autor de crónicas diversas sobre bibliotecas itinerantes: António Bento Ramires é tudo isto e muito mais. Vão à procura dele porque não voltarão sós - hão de trazer admiração e orgulho por serem seus compatriotas.

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