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  • Paulo Jorge Pereira

"Ressurgir", de Margaret Atwood

Aclamada e multipremiada escritora, a canadiana Margaret Atwood e o seu "Ressurgir" são a proposta de leitura para hoje.



"The Handmaid's Tale", ou "A História de uma Serva", também adaptada a série televisiva, vendeu milhões de cópias em todo o mundo e garantiu à autora o estatuto de fama à escala global. Mas a verdade é que Margaret Atwood já era uma escritora respeitada e multipremiada antes da publicação dessa obra, em 1985. Nascida em Otava, no Canadá, a 18 de novembro de 1939, filha de um casal de cientistas a mãe era nutricionista e o pai entomologista -, Margaret iria aprender a escrever com seis anos e tornar-se uma leitora infatigável ao mesmo tempo que aprofundava conhecimentos sobre florestas. Formada em Artes e Inglês, já escrevia poemas e ensaios por essa altura e publicou o primeiro livro em 1961: "Double Persephone", logo premiado. Tal como este, os dois livros seguintes foram de poesia, mas o seu trabalho literário iria espraiar-se por romances, contos, ensaios e literatura para os mais jovens.

Entre 1968 e 1973 viveu com Jim Polk, passando um pouco mais tarde a ter como companheiro Graeme Gibson (também escritor e falecido em 2019). Pelo meio, não só continuou a escrever poesia como investiu ainda mais na sua formação e passou a dar aulas na universidade. E aventurou-se na escrita de romances: "The Edible Woman" é de 1969, três anos mais tarde chegou "Surfacing".

Entre poesia, contos e literatura infantil são cerca de 40 os livros publicados aos quais se somam os romances referidos e ainda os que se seguem: "Lady Oracle" (1976); "Life Before Man" (1979); "Bodily Harm" (1981); "The Handmaid's Tale" (1985); "Cat's Eye" (1988); "The Robber Bride" (1993); "Alias Grace" (1996); "The Blind Assassin" (2000); "Oryx and Crake" (2003); "The Penelopiad" (2005); "God's Gardeners" (2009); "The Year of the Flood" (2009); "MaddAddam" (2013); "The Heart Goes Last" (2015); "Hag-Seed" (2016) e "The Testaments" (2019).

Finalista do Booker Prize em cinco ocasiões e vencedora em duas, uma das quais com a companhia de Bernardine Evaristo, Atwood é vista como uma das vozes fortes pela defesa dos direitos das mulheres. Sobre este tema, em entrevista ao diário El País, a escritora referiu: "Tudo está em processo. Quando empurramos, sentimos a resistência do outro. A eleição de Obama foi um impulso; a de Trump, uma reação contrária. Sempre que há uma mudança de paradigma, há quem deseje que as coisas voltem a ser como antes", afirmou. E, mais adiante, disse: "Podemos sempre pensar em conseguir melhorias. Se houver uma reação contrária, aguentar até onde havia chegado, manter o terreno e inclusive voltar a pressionar para conseguir o que tinha, como ocorreu nos anos cinquenta", indica.

"Hoje em dia, em qualquer caso, não se trata somente da igualdade de género. Trata-se também da desigualdade na riqueza, que atingiu proporções inéditas desde o antigo regime francês, desde Henrique VIII e, claro, da mudança climática, algo que teremos de resolver se quisermos continuar a ser uma espécie deste planeta", acrescentou.


Relógio d'Água/Tradução de José Miguel Silva


Além de autora multipremiada, Margaret Atwood tem sido voz muito ativa na defesa dos direitos das mulheres.

Indomável e determinada, Atwood tem representado importante papel na proteção e defesa dos direitos das mulheres.

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