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  • Paulo Jorge Pereira

"Um Amor Puro", de Agustina Izquierdo

Desde a sua publicação, em 1993, que se especula acerca da verdadeira identidade do autor do livro "Um Amor Puro". O nome mais apontado é o do francês Pascal Quignard - o editor dos seus livros desmentiu, o escritor permaneceu em silêncio.



A editora referiu, a propósito de Agustina Izquierdo, quando "Um Amor Puro" já era o seu segundo livro (o primeiro fora "Un Souvenir Indécent") que tinha "origem espanhola, era filha de exilados em França por causa da Guerra Civil e voltara ao país natal para viver em Barcelona". Porém, ninguém foi capaz de encontrar o seu paradeiro e os rumores de que Pascal Quignard usara esse pseudónimo para escrever aquelas obras começaram a circular. Enquanto o autor de "Todas as Manhãs do Mundo" permanecia em silêncio, o editor dos seus livros, e também dos de Agustina Izquierdo, reivindicou esse papel para desmentir. "Como editor de todos os seus livros, penso que estou à vontade para negar categoricamente", afirmou. Um crítico literário respondeu-lhe à letra: "Como leitor de todos os livros de Quignard e dos dois de Izquierdo, penso que estou à vontade para dizer que quem narra as histórias em ambos os casos é o mesmo autor."



Autor multipremiado que viu vários dos seus livros terem adaptações à 7ª Arte ("Todas as Manhãs do Mundo", para o qual escreveu o argumento e com Gerard Depardieu e o seu filho Guillaume, realizado em 1991 por Alan Corneau, foi o de maior sucesso), Pascal Quignard nasceu em Verneuil-sur-Avre, a 23 de abril de 1948. Além do talento para a escrita, Quignard licenciou-se em Filosofia na Universidade de Nanterretornou-se também músico (toca violoncelo) e ajudou a fundar o festival de música de Versailles. Publicou diversos ensaios e, no final dos anos 80, assumiu funções como secretário-geral para o desenvolvimento editorial na prestigiada Gallimard. Deixaria esse papel em 1994, afastando-se também da música para se dedicar em exclusividade à escrita. Três anos mais tarde, um problema cardíaco levou-o a ser hospitalizado, servindo como base para "Vida Secreta".

Entre a vasta obra contam-se livros como "A Ocupação Americana", "As Tábuas de Buxo de Apronenia Avitia", "Histórias de Amor de Outros Tempos", "Terraço em Roma", "Um Incómodo Técnico em Relação aos Fragmentos" ou "Villa Amalia".


Edições ASA/Tradução de Lurdes Júdice


Em 2002, Quignard recebeu o Prémio Goncourt, principal distinção literária francesa, graças à obra "As Sombras Errantes".

Para acrescentar mais dados a esta espécie de teoria da conspiração, Agustina Izquierdo funciona como anagrama de "Oui taisez Quignard" (qualquer coisa como "Sim, cale-se Quignard"). Talvez só depois da morte de Pascal Quignard toda a verdade seja revelada...

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