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  • Paulo Jorge Pereira

Agostinho Costa Sousa lê Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho

O regresso de Agostinho Costa Sousa às leituras por aqui assinala uma proposta de tipo diferente da que é habitual: que tal dois autores e não apenas um? Que tal dois livros e não somente um? Pois é isso mesmo: "Malaquias ou a História de um Homem Barbaramente Agredido", de Manuel de Lima, mas também "E A Noite Roda", de Alexandra Lucas Coelho, são as sugestões de hoje.



Agostinho Costa Sousa propõe duas leituras diferentes, compostas por autores de tempos também diferentes. No primeiro caso, trata-se da obra de Manuel de Lima, nascido 12 de agosto de 1915 em Lisboa. Estudante de violino no Conservatório, chegou a tocar nas ruas, mas também em orquestras sinfónicas, em estrados de cabarés e paquetes, na Ópera, no ballet e até em fossas de teatros.

"Um Homem de Barbas" (1944) marcou a sua estreia literária e decorreriam nove anos até que voltasse a publicar: em 1953 surgiu "Malaquias ou A História de Um Homem Barbaramente Agredido", de que aqui é apresentado um excerto, antes de livros como "O Clube dos Antropófagos", que foi peça e novela, no primeiro caso em 1965, no segundo em 1973, ou "A Pata do Pássaro Desenhou uma Nova Paisagem" (1972).

Manuel de Lima foi participante em tertúlias, designadamente no grupo dos surrealistas do Café Gelo, no qual pontificavam Mário Cesariny, Herberto Helder, António José Forte, Manuel Castro ou Luiz Pacheco, além de ser próximo de Natália Correia. Além disso, o seu talento espraiou-se ainda pelas artes plásticas e pela crítica de âmbito musical.

Uma trombose cerebral súbita vitimou-o na capital a 29 de outubro de 1976.

Em 2019, o seu trabalho literário foi publicado na chamada "Obra Reunida".

Israel e o território da Palestina sob ocupação servem de cenários e temas ao livro "E a Noite Roda", cuja autora é a jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho. Com uma obra composta por não-ficção, trabalhos para os mais jovens e romances, Alexandra Lucas Coelho nasceu em Lisboa (1967), tendo passado pelos estudos em Comunicação na Universidade Nova, em Teatro no IFICT e ainda no mestrado do Centro Arqueológico de Mértola (Portugal Islâmico e o Mediterrâneo).

O seu vasto trabalho na área comunicacional levou-a à rádio durante 10 anos e ao dobro como cronista, repórter, editora ou correspondente (neste último caso em locais como Jerusalém e o Rio de Janeiro). Jornalista multipremiada e escritora também agraciada - por exemplo, com o Grande Prémio APE/DGLB de Romance e Novela ou com o Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga -, tem variado a sua atividade com exemplos como "Volta ao Mundo em 100 Livros" (RTP) ou a presença no desfile da Mangueira em pleno Carnaval de 2019.

Além do livro aqui mencionado, Alexandra Lucas Coelho publicou: "Oriente Próximo"(2007), "Caderno Afegão" (2009), "Viva México" (2010), "Tahrir!" (2011), "E A Noite Roda" (2012), "Vai Brasil" (2013), "O Meu Amante de Domingo" (2014), "Deus-Dará" (2016), "Orlando e o Rinoceronte" (2017), "A Nossa Alegria Chegou" (2018) e "Cinco Voltas na Bahia e Um Beijo para Caetano Veloso" (2019).


Editorial Estampa e Companhia das Letras

Manuel de Lima espraiou talento por música, escrita e artes plásticas; Alexandra Lucas Coelho foi distinguida com o Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLB por "E a Noite Roda".

Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de Antón Tchekhov: "A medicina é a minha mulher legítima, a literatura é ilegítima" para se apresentar. "A Arquitetura é a minha mulher legítima, a Leitura é uma das ilegítimas", refere. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mês.

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