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  • Paulo Jorge Pereira

Ana Zorrinho lê "Venenos de Deus, Remédios do Diabo", de Mia Couto

A autora de "Histórias de um Tempo Só" apresenta a leitura de um excerto da obra "Venenos de Deus, Remédios do Diabo", publicada em 2008.



Ele, Sidónio Rosa; ela, Deolinda. Ele, um médico português em plena juventude; ela, bela, mulata, moçambicana, jovem. Conhecem-se quando um congresso dedicado à Medicina os junta em Lisboa. E o amor é inevitável. Ela volta para o seu país; ele vai à sua procura. Ele encontra os pais na localidade de Vila Cacimba; ela está ausente num estágio de que deve voltar. Ele espera pelo seu regresso; ela tarda em voltar. E, à medida que o tempo decorre, ele espera, ela demora-se, há todo um universo de histórias e personagens para deliciar os leitores. Porque é assim a linguagem de Mia Couto: uma verdadeira delícia de imaginação, sensualidade, convite ao sonho e a uma corrida desenfreada pelos inúmeros universos da criatividade.



A obra multipremiada do escritor moçambicano já aqui foi abordada em diversas ocasiões: a 14 de abril, quando li um excerto de "Terra Sonâmbula"; a 28 do mesmo mês, Fernanda Silva apresentou um trecho de "O Universo num Grão de Areia" e a 25 de junho, na leitura, protagonizada por Joaquim Semeano, de parte de "Mulheres de Cinza".


Editorial Caminho


A mentira vista de uma forma que só mesmo Mia Couto seria capaz de ver: este é o resumo pobre de uma obra rica como acontece sempre que o escritor moçambicano se senta à mesa para escrever.

"Histórias de um Tempo Só", o belo e poderoso livro de contos escrito por Ana Zorrinho e com maravilhosas ilustrações de Raquel Ventura, foi tema central do blog no passado dia 17 de julho. Uma semana mais tarde, no dia 24, um precioso projeto com direção artística da escritora, a Oficina do Teatro, apresentou a sua leitura em conjunto de "Lágrima de Preta", inesquecível poema de António Gedeão, tão apropriado para os tempos que correm, marcados pelo recrudescimento do racismo. É caso para dizer que, com a escritora Ana Zorrinho, ficamos sempre a ganhar. A começar pela aprendizagem que nos proporciona. E, já agora, pela forma inesquecível como lê e dramatiza os textos - por exemplo, guardem bem na memória aquela última frase do trecho de Mia Couto.

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