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  • Paulo Jorge Pereira

Especial Dia Mundial do Livro: Patrícia Adão Marques lê "Cântico Negro", de José Régio

Os especialistas chamam-lhe "cântico-manifesto" e, no Dia Mundial do Livro, Patrícia Adão Marques apresenta o imortal poema "Cântico Negro", de José Régio.



José Régio foi o pseudónimo que José Maria dos Reis Pereira escolheu para assinar o seu trabalho literário e o poema que ganharia enorme popularidade, "Cântico Negro", hoje aqui apresentado por Patrícia Adão Marques, integrava o livro de estreia do autor: chamou-se "Poemas de Deus e do Diabo", tendo sido publicado em 1925. Especialistas classificam-no como "cântico-manifesto", uma vez que define uma forma muito própria de posicionamento, apesar de todas as influências que possam surgir ao longo da vida.

Nascido a 17 de setembro de 1901 em Vila do Conde, Régio iria dedicar-se não só à poesia, mas também a romances, contos, crónicas e peças de teatro ("Benilde ou a Virgem-mãe", de 1947, é o título mais conhecido), entre outros géneros. Bem antes de iniciar o percurso literário, os passos iniciais do jovem candidato a escritor foram com a publicação de poesia em jornais locais como A República e O Democrático, ambos liderados por António Maria Pereira Júnior, padrinho do poeta.

A formação universitária seria feita na área da Filologia Românica, completando-se na cidade de Coimbra em 1925. Seguiu-se um longo percurso como docente de Português e Francês, primeiro no Porto e, entre 1929 e 1962, na cidade de Portalegre. Ganharia relevo como personalidade do movimento modernista, criando a revista Presença ao lado de João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, além de manter publicação regular em vários jornais e revistas até ao final dos anos 40. Por outro lado, tornou-se voz ativa em variadas tertúlias - de Coimbra a Portalegre, passando por A-Ver-o-Mar e Póvoa de Varzim.

Multipremiado, teve irmãos (Júlio, Apolinário e João Maria) que também se dedicaram ao universo artístico, nestes casos às artes plásticas, e o próprio Régio diversificou a sua atividade: não só como colecionador, mas também com negócios dedicados às antiguidades (as suas peças estão em casas-museus de Vila do Conde e Portalegre). Além disso, em 1965 viu Amália Rodrigues gravar "Fado Português", da sua autoria, tendo ainda Manoel de Oliveira como realizador que dedicou atenção ao seu trabalho literário, aproveitando-o para o seu cinema.

Poucos anos depois de se reformar do longo trabalho no ensino, problemas de saúde relacionados com o facto de décadas dedicadas a fumar levaram ao ataque cardíaco que vitimou o escritor, a 22 de dezembro de 1969.

Para lá das dezenas de títulos que publicou em vida, a título póstumo foram publicadas coletâneas de correspondência trocada, por exemplo, com Jorge de Sena, António Sérgio, Eugénio Lisboa ou Vitorino Nemésio.

Para saber mais sobre o escritor, a sua vida e obra, pode consultar o site dedicado a José Régio aqui.


Portugália Editora


"Cântico Negro" fazia parte do livro de estreia do escritor, "Poemas de Deus e do Diabo", publicado em 1925.

Patrícia Adão Marques estreou-se em leituras por aqui a 29 de março com "Eu Sei, Mas Não Devia", de Marina Colasanti, seguindo-se "Mãe, Eu Quero Ir-me Embora", de Maria do Rosário Pedreira, no dia 4, "Vivo de Facto em Tempos de Escuridão", de Bertolt Brecht, a 11 de abril, e "Um Adeus Português", de Alexandre O'Neill, a 18. Porém, conforme revela a sua nota biográfica, tem um longo e variado trabalho no universo da Cultura. "Cofundadora do Grupo TEMA-Mafra e membro da Direção do Teatro Independente de Oeiras, onde iniciou o percurso como atriz em 1996, é licenciada em Comunicação Empresarial pela Escola Superior de Comunicação Social, tendo feito formação artística em 2001/02 na ACT - Escola de Atores. Os estudos continuaram em ações promovidas por entidades como Chapitô, Teatro dos Aloés, Produções Fictícias", entre outras, sem esquecer "um curso de três meses no Michael Chekhov Acting Studio em Nova Iorque".

Por outro lado, "da sua experiência teatral constam passagens pelo Teatro A Barraca, Companhia do Chapitô, Teatro Mário Viegas, Teatro Villaret e Teatro Independente de Oeiras". O seu trabalho foi desenvolvido "em mais de 40 produções", tendo sido "dirigida por encenadores como Maria do Céu Guerra e Rita Lello (em A Barraca), Helder Costa, Carlos Thiré, Gina Tocchetto, Rui Rebelo, José Carlos Garcia, John Mowat - nestes quatro casos no Chapitô e para os mais novos -, Rita Lello, Moncho Rodriguez, António Pires, Frederico Corado, Carlos d'Almeida Ribeiro (no Teatro Independente de Oeiras), Lourenço Henriques, Durval Lucena" e outros.

Mas não se esgota aqui a sua atuação, pois Patrícia dispõe de "vasta experiência em teatro" para os mais novos, "incluindo musicais". No grande ecrã, a sua participação estende-se a filmes como "Quarta Divisão" (Joaquim Leitão), "A Corte do Norte" (João Botelho) ou "Os Imortais", de António-Pedro Vasconcelos. Em televisão há, por exemplo, a sua presença "no elenco fixo da novela "Ninguém como Tu", da TVI; a colaboração com o canal Q; as séries "Inferno" e "Inimigo Público", mas também "Bem-Vindos a Beirais", "Ministério do Tempo" ou "DaMood".

Outras vertentes da sua atividade são a locução e a dobragem "desde 2003. Neste capítulo sobressaem títulos como 'As Crónicas de Nárnia' (Disney e FOX), 'Handy Manny', 'Big Hero' e 'Violetta' (todos da Disney), neste último caso "dando voz à protagonista na versão portuguesa". O seu interesse e a sua atenção à poesia foram decisivos para que tenha "um canal no YouTube com vídeos" em que se apresenta a recitar e que está acessível aqui.

Multipremiada na área da realização de curtas-metragens, venceu o Prémio Melhor Curta-Metragem Portuguesa no Festival Massimo Troisi em Itália (2003) com "Coquelux - A Vingança das Galinhas" (realizado em parceria com o amigo e colega André Nunes) e o Prémio Melhor Vídeo no Festival Internacional de Avanca (2015), neste caso graças à curta "A Adorável Dor de Nunca te Ter" (parceria com Nuno Figueiredo), com base numa peça de Marguerite Duras, acessível aqui. Desse ano de 2015 é também a sua estreia como encenadora "com um musical infantil para o Grupo TEMA - Companhia de Teatro de Mafra".

Formação foi algo a que se dedicou entre 2008 e 2012 com "cursos e workshops" muitas vezes dedicados aos mais novos, com exemplos como "Workshop de Teatro para Crianças na ACT; curso de teatro na Oeiras International School; aulas em Montalegre ou no Teatro Independente de Oeiras". Atriz, locutora, dobradora, tem sido também produtora neste último teatro.

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