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Teresa Guerreiro lĂȘ "Desligando a TV", de Joaquim Pessoa

  • Paulo Jorge Pereira
  • Sep 25, 2023
  • 4 min read

A Professora Teresa Guerreiro propÔe a leitura do poema "Desligando a TV", inserido no livro "Os Dias da Serpente", de Joaquim Pessoa, um regresso do trabalho literårio do escritor que perdemos a 17 de abril.



Deixou-nos no dia 17 de abril e o PaĂ­s mudou - para pior. Poeta, artista plĂĄstico, estudioso da arte da PrĂ©-HistĂłria e publicitĂĄrio, Joaquim Pessoa era natural do Barreiro, onde nasceu a 22 de fevereiro de 1948. Homem de mĂșltiplos talentos, começou a trabalhar no suplemento literĂĄrio juvenil do DiĂĄrio de Lisboa e foi nos campos do marketing e da publicidade que realizou a sua formação, tendo passado por papĂ©is como o de diretor criativo e diretor geral em diferentes agĂȘncias publicitĂĄrias. Mas nĂŁo se coibiu de estender Ă  televisĂŁo o seu talento, tornando-se autor ou, pelo menos, coautor de programas como Rua SĂ©samo, 1000 Imagens, 45 Anos de Publicidade em Portugal e outros. Por outro lado, iria desempenhar tarefas no universo educativo como diretor pedagĂłgico e docente de Publicidade no Instituto de Marketing e Publicidade, mas tambĂ©m como professor em LoulĂ©, no Instituto D. Afonso III.

É de 1975 o primeiro de dezenas de livros que publicou e intitula-se "O PĂĄssaro no Espelho". Seguiram-se, ainda no mesmo ano, "Poemas de Perfil", "Amor Combate" (1976), "CançÔes de Ex-Cravo e Malviver" (1977), "PortuguĂȘs Suave" (1978), "Os Dias da Serpente" (1979) - de que Ă© exemplo a leitura de hoje, feita pela Professora Teresa Guerreiro, com o poema "Desligando a TV" -, "Os Olhos de Isa" (1980), "O Livro da Noite" (1981), "O Amor Infinito" (1982) e a primeira de seis antologias da sua obra, sob o nome "125 Poemas - Antologia PoĂ©tica". De entĂŁo para cĂĄ, Joaquim Pessoa publicou mais de duas dezenas de obras, sendo "Ano Comum", de que hoje aqui se apresenta um excerto, de 2013 e "O Poeta Enamorado" de 2015. O mais recente exemplo do seu trabalho poĂ©tico Ă© "Conversa com a Chuva" (2019).

A sua intensa atividade literåria estå bem expressa nas centenas de recitais em que participou, não apenas intramuros, mas também além-fronteiras. Em 1983 foi responsåvel, em parceria com Luís Machado, pelo I Encontro Peninsular de Poesia, no qual marcaram presença alguns dos nomes ibéricos mais importantes na arte de fazer poesia. Diretor literårio da revista Litexa Editora, também dirigiu o jornal Poetas & Trovadores e colaborou com publicaçÔes como A Bola, Vértice e Sílex. De 1988 a 1994 foi diretor da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e, ao lado de Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Luiz Villas-Boas e Ary dos Santos, contribuiu para a criação da cooperativa de artistas Toma Lå, Disco.

Entre os galardĂ”es conquistados incluem-se os prĂ©mios literĂĄrios da Associação Portuguesa de Escritores, da Secretaria de Estado da Cultura, AntĂłnio Nobre e Cidade de Almada. Em dezembro de 2015, a CĂąmara Municipal da Moita instituiu o PrĂ©mio de Poesia Joaquim Pessoa, atribuindo cinco mil euros e a edição da obra ao vencedor. AtĂ© agora, em trĂȘs ediçÔes, venceram JosĂ© Pedro Alves Moreira, sob o pseudĂłnimo de Sousa Alves, com "A MemĂłria e a MatĂ©ria" (uma menção honrosa foi ainda para "GramĂĄtica do Assombro", de Nuno Garcia Lopes, que concorreu com o pseudĂłnimo de Miguel de Évora BrandĂŁo), Amadeu da Silva Baptista com "Poemas de Leonardo" e "Orfeu sem Mim", de DionĂ­sio Vila Maior.

Por outro lado, a sua poesia estĂĄ em inĂșmeras cançÔes, vĂĄrias bem conhecidas do grande pĂșblico como "Lisboa, Menina e Moça" (cantadas por Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo), "AmĂ©lia dos Olhos Doces" e "AlcĂĄcer que Vier" (ambas na voz de Carlos Mendes), "Mar PortuguĂȘs" (Jorge Palma), "Negreiro" (JosĂ© MĂĄrio Branco), "Talvez NĂŁo Saibas" (KĂĄtia Guerreiro), "Gaivota Portuguesa" (Manuel Freire) ou "Assim como Quem Morre" (Fernando Tordo).

Partiu no passado dia 17 de abril, vĂ­tima de cancro. PermanecerĂĄ na memĂłria coletiva.


Moraes Editores


Joaquim Pessoa colecionou distinçÔes e foi mesmo criado um prémio de poesia com o seu nome pela Cùmara Municipal da Moita.

A Professora Teresa Guerreiro regressa a este espaço depois do exemplo do projeto "Leituras contra a Pandemia" que aqui deixou no Especial CentenĂĄrio de JosĂ© Saramago, a 16 de novembro, da leitura de 2 de dezembro, sob o tĂ­tulo "Havia", de Joana BĂ©rtholo, mas tambĂ©m do poema "E Ao Anoitecer", de Al Berto, aqui lido no dia 11, do poema "A Verdadeira MĂŁo", de Ana Hatherly, apresentado a 20, e ainda de "Complexos", de Nuno JĂșdice, entre outros.

Depois trouxe a sua obra literåria, impressionando com a beleza de poesia que nos apresentou: além do livro "Caleidoscópio", assinado sob o pseudónimo de Maria Vicente - seus nomes do meio -, e do qual jå aqui ficaram exemplos, a Professora propÎs nova amostra do seu trabalho literårio, então como Irene Lobo e com a obra "Corporanima". E outros exemplos vão passar por aqui...

Mas o trabalho de Teresa Guerreiro vai alĂ©m da poesia que escreve. Como se explica no arquivo dedicado ao referido plano "Leituras contra a Pandemia", trata-se de um conjunto de "histĂłrias e poemas lidos e ditos por alunos, professores, pais/encarregados de educação, escritores e amigos das bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas n.Âș 3 de Elvas durante os confinamentos devido Ă  pandemia de covid-19 (2019/20 e 2020/21)".

Segundo refere a própria Professora Teresa Guerreiro, "os projetos nasceram da necessidade de, em contexto de pandemia e confinamento, levar até à comunidade escolar textos, prosa e poemas, literårios, como forma de vencer a tristeza e o afastamento". E descreve as fases diferentes: "Teve dois momentos: o primeiro, 'Histórias contra a pandemia'; e o segundo, 'Um Poema por Dia para Combater a Pandemia'. Além das minhas leituras, participaram alunos, professores, encarregados de educação, amigos e alguns escritores, no segundo momento. O Ministro da Educação, João Costa, também participou."

A primeira leitura deste projeto apresentada no blog pertenceu a Clåudia Marçal e foi divulgada no passado dia 1 de novembro - "Então, Queres ser Escritor?", de Charles Bukowski. Uma outra leitura de Clåudia Marçal também jå por aqui passou a 26 de novembro: "Erva Daninha", de Jorge de Sousa Braga. E outras se lhe seguiram.

 
 
 

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