Agostinho Costa Sousa lĂȘ "Jesus Cristo Bebia Cerveja", de Afonso Cruz
- Paulo Jorge Pereira
- Jun 11, 2021
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Uma das novas vozes da Literatura lusĂłfona marca presença com o terceiro excerto de "Jesus Cristo Bebia Cerveja", depois de jĂĄ por aqui ter passado com "O Pintor Debaixo do Lava-Louças" e da leitura de dois trechos da obra mais recente: "O VĂcio dos Livros".
NĂŁo faltam a Afonso Cruz recursos para se movimentar com Ă -vontade em diversos tabuleiros, seja o da escrita ou o do cinema, mas tambĂ©m os da mĂșsica e da ilustração. E qualquer destas facetas pode evidenciar-se em diferentes momentos, seja o guitarrista que aprendeu a tocar sozinho depois de comprar uma guitarra aos 18 anos e tem uma banda de blues (The Soaked Lamb, aqui em ação), o ilustrador de livros para crianças e nĂŁo sĂł, o cineasta de filmes de animação ou o escritor que acumulou leituras, passou a escrever num blog, foi convidado a trabalhar em publicidade e iria dedicar-se mais Ă escrita.
O autor nasceu na Figueira da Foz em julho de 1971, os seus estudos passaram pela Escola AntĂłnio Arroio, mas tambĂ©m por Belas Artes, em Lisboa, e ainda pelo Instituto de Artes PlĂĄsticas no Funchal. Mia Couto chamou-lhe "uma das vozes mais criativas da nova literatura em lĂngua portuguesa". E acertou em cheio. Afonso Cruz deixou Lisboa hĂĄ mais de dez anos para se radicar num monte alentejano. Mas volta muitas vezes Ă capital, quanto mais nĂŁo seja por causa das viagens, sobretudo para açÔes de promoção dos seus livros, que lhe tomam cerca de metade do ano.
Com uma obra multipremiada e multifacetada, escreveu mais de trĂȘs dezenas de livros, distribuĂdos por romance, poesia, conto, teatro, ensaio e nĂŁo-ficção, estreando-se nos romances em 2008 com "A Carne de Deus". Outros exemplos da sua escrita: "Os Livros que Devoraram o Meu Pai", "A Boneca de Kokoschka", "A Contradição Humana", "O Pintor Debaixo do Lava-Loiças", "Jesus Cristo Bebia Cerveja", "O Livro do Ano", "Para Onde VĂŁo os Guarda-Chuvas", "Vamos Comprar um Poeta", "Nem Todas as Baleias Voam", "Jalan, Jalan", "PrincĂpio de Karenina", "Como Cozinhar uma Criança", "O Macaco BĂȘbedo foi Ă Ăpera" e "Paz Traz Paz".
Desde 2009 publica, uma vez por ano, um volume daquilo a que chama EnciclopĂ©dia da EstĂłria Universal. Ilustrou mais de trĂȘs dezenas de obras, alĂ©m de participar com ilustraçÔes suas em diversos periĂłdicos. TambĂ©m o seu trabalho de realizador se espraiou por diferentes registos, nĂŁo escapando a diversas distinçÔes.
A 21 de maio do ano passado, entĂŁo pela voz de JoĂŁo Borges de Oliveira, "Jesus Cristo Bebia Cerveja", de Afonso Cruz, jĂĄ tivera uma primeira leitura aqui no blog. A mesma obra teve direito a uma segunda leitura, na altura pela voz de Zita Pinto, a 26 de agosto. A 23 de dezembro, Sandra Escudeiro trouxe "O Pintor Debaixo do Lava-Louças". No dia 30 de abril, Rita França Ferreira apresentou a primeira leitura do livro que regressou comigo a ler a 7 de junho: "O VĂcio dos Livros".
Companhia dos Livros
Mia Couto chamou a Afonso Cruz "uma das vozes mais criativas da nova literatura em lĂngua portuguesa".
Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de AntĂłn Tchekhov: "A medicina Ă© a minha mulher legĂtima, a literatura Ă© ilegĂtima" para se apresentar. "A Arquitetura Ă© a minha mulher legĂtima, a Leitura Ă© uma das ilegĂtimas", refere. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades InvisĂveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mĂȘs, mas tambĂ©m leituras de obras de Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho a 31 de maio. "HistĂłrias para Uma Noite de Calmaria", de Tonino Guerra, foi a sua escolha no passado dia 4.
