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  • Paulo Jorge Pereira

Amílcar Mendes lê "Aproveita o Dia", de Walt Whitman

De regresso às leituras por aqui, Amílcar Mendes propõe "Aproveita o Dia", de Walt Whitman, poema em grande evidência no filme "O Clube dos Poetas Mortos", protagonizado por Robin Williams em 1989.



Com ascendência holandesa e inglesa, Walt Whitman nasceu em Huntington, no Estado de Nova Iorque, a 31 de maio de 1819, segundo filho do casal formado por Walter Whitman e Louisa Von Velsor. Ainda durante os seus primeiros anos de vida, mudou-se com a família para Brooklyn e, muito jovem, trabalharia numa tipografia no papel de aprendiz. Irá dividir os anos seguintes entre trabalhos na imprensa e no ensino, chegando a seguir uma campanha presidencial (de Van Buren) como jornalista. Editor dos jornais Aurora e Evening Tatler, irá trabalhar também no Long Island Star e no Daily Eagle. Fevereiro de 1848 é o momento para acompanhar o irmão Jeff rumo a Nova Orleães, aqui escrevendo no Crescent. Mas três meses mais tarde já está de volta a Brooklyn, editando o Freeman. "Leaves of Grass" ("Folhas de Erva" na tradução portuguesa e "Folhas das Folhas de Relva" na edição brasileira) vê a luz do dia pela primeira vez em 1855, inovando com o chamado verso livre (várias edições se seguirão, incluindo uma que chega a ser suspensa pela Justiça). Entre 1857 e 1859 é editor do Times of Brooklyn, mas na guerra civil estará ao serviço do Exército como voluntário em hospitais improvisados. Entra para o Departamento do Interior, publica "Drum-Taps" e acaba despedido por James Harlan, secretário do Interior, uma vez que este classifica "Leaves of Grass" como "indecente".

Publica "Democratic Vistas", viaja pelo país, mas os problemas de saúde começam a deixar marcas quando sofre paralisia parcial em janeiro de 1873. Por outro lado, a morte da mãe leva-o a instalar-se em Camden, onde acabará por morrer, perto do irmão George. De 1882 é a edição da obra "Specimen Days and Collect" e, dois anos mais tarde, Whitman compra mesmo casa em Camden. Porém, ficará muito mais debilitado em 1888 quando se regista o segundo ataque da paralisia. Mesmo assim, não deixa de publicar e "November Boughs" e "Complete Poems and Prose of Walt Whitman" saem nessa altura. Sucedem-se as edições revistas e aumentadas de "Leaves of Grass", mas o poeta acabará os seus dias em dificuldades financeiras e com graves problemas de saúde - morre em Camden, a 26 de março de 1892.

No filme "O Clube dos Poetas Mortos" ("Dead Poets Society"), realizado por Peter Weir em 1989 e com Robin Williams como inesquecível protagonista no papel de Mr Keating, Walt Whitman é várias vezes figura central. Nesta cena, o professor Keating cita-o para dar um exemplo aos seus alunos de entusiasmo pela vida com o poema que aqui hoje se apresenta, "Carpe Diem"; aqui são as palavras e uma foto do poeta que servem para o docente dar uma lição à personagem Todd Anderson, interpretada por um jovem Ethan Hawke; e, claro, em vários momentos e no memorável final há a famosa citação do metafórico poema em que Whitman aborda, em 1865, a morte de Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos que foi assassinado por John Wilkes Booth em pleno teatro, a propósito da forma como o professor preferia que os estudantes fossem mais audazes e o tratassem por "Oh, Captain, my Captain!".

Sob o heterónimo de Álvaro de Campos, Fernando Pessoa escreve um poema intitulado "Saudação a Walt Whitman", classificando-o, por exemplo, como "Jean-Jacques Rousseau do mundo que havia de produzir máquinas, Homero do insaisissable de flutuante carnal, Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor, Milton-Shelley do horizonte da Eletricidade futura".

A 7 de agosto do ano passado, a obra de Whitman estreou-se aqui por iniciativa de Armando Liguori Junior que leu "Continuidades".


Editora Civilização/Tradução de Geir Campos


"Life and Adventures of Jack Engle: An Auto-Biography; in Which the Reader Will Find Some Familiar Characters" é o título de uma obra publicada por Whitman de forma anónima no jornal Sunday Dispatch quando tinha 32 anos, mas cuja autoria apenas pôde ser-lhe atribuída em 2017, depois das provas descobertas por Zachary Turpin, estudante de Literatura na Universidade de Houston.

Amílcar Mendes, ator e "dizedor de poesia", que também foi coordenador das noites de Poesia do Pinguim Café e do Púcaros Bar, no Porto, deixa-nos uma leitura diferente. A sua estreia aqui no blog registou-se a 5 de junho com um excerto de "Gin sem Tónica, mas Também", de Mário-Henrique Leiria. Do dia 3 de julho é a leitura de "Poemas de Ponta & Mola", de Mendes de Carvalho, seguindo-se "Poema do Gato", de António Gedeão, a 7 de julho; "Funeral", de Dinis Moura, a 14 de julho; a 24 desse mês, a escolha recaiu em "Quadrilha", de Carlos Drummond de Andrade; voltou à aposta em António Gedeão com "Trovas para Serem Vendidas na Travessa de São Domingos" a 6 de agosto; a 10 de setembro, o poema "Árvore", de Manoel de Barros, foi a proposta. "Socorro", de Millôr Fernandes, foi a escolha de dia 11 de outubro e, a 29, foi apresentado "História do Homem que Perdeu a Alma num Café", de Rui Manuel Amaral. A 7 de novembro, Amílcar Mendes trouxe "A História é uma História", de Millôr Fernandes.

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