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  • Paulo Jorge Pereira

Amílcar Mendes lê "Fábula", de Joaquim Castro Caldas


Foi poeta e crítico literário, mas também ator e até professor de teatro: Joaquim Castro Caldas e o seu poema intitulado "Fábula" formam hoje a proposta de leitura de Amílcar Mendes.



Poeta, crítico literário, ator, professor de teatro e criador das sessões de poesia no Pinguim Café (Porto): Joaquim Pinheio Pereira de Castro Caldas foi tudo isto e não apenas isto. Nascido em Lisboa, a 28 de março de 1956, deixou Portugal antes do 25 de Abril e passou por Veneza, Roma e Paris. Ator e professor de teatro, conheceu Samuel Beckett e, de regresso a Portugal, interpretou o papel de D. João I em Mais Mar Houvesse.

Radicado na cidade do Porto, em 1988 criou, à segunda-feira, no número 67 da Rua do Belomonte, morada do Pinguim Café, as sessões de poesia deste espaço. "Ao princípio chamaram-me louco: dizer poesia às segundas, à meia-noite, era impensável", contou, entrevistado pelo Diário de Notícias. Amílcar Mendes, que hoje aqui lê um poema do seu amigo, foi um dos que ajudaram a impulsionar e a contribuir para a iniciativa. Depois de Joaquim Castro Caldas, outros nomes se dedicaram às referidas sessões de poesia: Isaque Ferreira, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Cristina Bacelar, Pedro Lamares, Virgínia Silva, Rui Spranger.

Castro Caldas estaria ainda, também no final da década de 80, na origem da revista gratuita Metro, cuja atividade se centrava na divulgação de temas de âmbito cultural.

O seu trabalho literário está distribuído pelos livros "Cã" (1974), "Português Suave" (1978), "Berlindes e Abafadores" (1994), "Diz que até Jesus" (1998), "Do Baú" (1999), "Impressões Digitais dos Deuses" (2001), "Convém Avisar os Ingleses" (2002), "Só Cá Vim Ver o Sol" (2004), "há" (2005) e "Mágoa das Pedras" (2008). Compôs, também, a música "Cançoninho" que, em forma de homenagem, passou a ser tocada nas noites de poesia do Pinguim Café, após a sua morte, no Hospital de São João, a 31 de agosto de 2008.


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"Escrevo à mão a quem se debruça ainda nas líricas impressas como as árvores curvadas sobre os lagos de água da chuva, marcando o livro com indisciplina, a quem ainda cheira a tinta, raízes e barro, a quem usa o romantismo para aliviar o tremor aos homens", disse o poeta.

Amílcar Mendes, ator e "dizedor de poesia", que também foi coordenador das noites de Poesia do Pinguim Café e do Púcaros Bar, no Porto, deixa-nos uma leitura diferente. A sua estreia aqui no blog registou-se a 5 de junho do ano passado com um excerto de "Gin sem Tónica, mas Também", de Mário-Henrique Leiria. Do dia 3 de julho é a leitura de "Poemas de Ponta & Mola", de Mendes de Carvalho, seguindo-se "Poema do Gato", de António Gedeão, a 7 de julho; "Funeral", de Dinis Moura, a 14 de julho; a 24 desse mês, a escolha recaiu em "Quadrilha", de Carlos Drummond de Andrade; voltou à aposta em António Gedeão com "Trovas para Serem Vendidas na Travessa de São Domingos" a 6 de agosto; a 10 de setembro, o poema "Árvore", de Manoel de Barros, foi a proposta. "Socorro", de Millôr Fernandes, foi a escolha de dia 11 de outubro e, a 29, foi apresentado "História do Homem que Perdeu a Alma num Café", de Rui Manuel Amaral. A 7 de novembro, Amílcar Mendes trouxe "A História é uma História", de Millôr Fernandes. "Aproveita o Dia", de Walt Whitman, foi a proposta a 27 de novembro. No dia 15 do mês seguinte, Amílcar Mendes leu "A Princesa de Braços Cruzados" , de Adília Lopes. A 19 surgiu "A Morte do Pai Natal", de Rui Souza Coelho. Quase um mês depois, a 17 de janeiro, apresentou "Uma Faca nos Dentes", de António José Forte. A 8 de fevereiro leu o poema "Não Cantes", de Al Berto. No dia 20, apresentou "Ano Comum", de Joaquim Pessoa. Uma semana mais tarde, a proposta centrou-se em dois textos de Mário-Henrique Leiria. E a 17 de março propôs "Breves Respostas às Grandes Perguntas", de Stephen Hawking. A 15 de abril regressou à poesia de Al Berto e a 21 de julho leu "Anúncios Paroquiais". Al Berto e o seu poema "Fragmentos de um Diário" foram o tema da leitura a 18 de agosto.

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