Agostinho Costa Sousa lĂȘ "Poemas e Fragmentos", de Safo
- Paulo Jorge Pereira
- Feb 6, 2022
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O poeta EugĂ©nio de Andrade traduziu poesia de Safo, que viveu no sĂ©culo VII A. C., e hoje cabe a Agostinho Costa Sousa apresentar trĂȘs exemplos incluĂdos na obra "Poemas e Fragmentos".
PlatĂŁo chamou-lhe "A DĂ©cima Musa" e Ă© um dos nomes maiores da HistĂłria da poesia. Sendo uma das poucas mulheres da Antiguidade ClĂĄssica cuja obra ultrapassou a barreira do tempo, apesar da destruição de que foi alvo por cristĂŁos dos sĂ©culos IV e XI, a parte do trabalho poĂ©tico de Safo, que viveu na GrĂ©cia Antiga durante o sĂ©culo VII A.C. e chegou aos nossos dias - uma ode e perto de 200 fragmentos, tendo em conta diversas citaçÔes de autores antigos e papiros encontrados no Egito -, tem sido objeto de inĂșmeras anĂĄlises e interpretaçÔes. Tendo vivido na ilha de Lesbos, a sua poesia e o seu nome passaram a ser associados, sobretudo a partir do sĂ©culo XIX, ao amor lĂ©sbico, ainda que sejam contraditĂłrias e recheadas de dĂșvidas as anĂĄlises Ă sua sexualidade.
TerĂĄ nascido na cidade de Mitilene, no ano de 612 A. C., acabando condenada ao exĂlio pela ditadura de Pitaco, primeiro em Pirra, mais tarde na SicĂlia, onde teria casado com um homem rico, vindo a ser mĂŁe de Cleis. No regresso a Mitilene apĂłs a morte do marido, Safo criou uma escola sĂł para mulheres, sublinhando a importĂąncia da poesia, da dança e do canto. Ă daqui que nascem a teses de que seria apaixonada pelas alunas, tendo mesmo uma favorita, Ătis.
O poeta EugĂ©nio de Andrade, nascido em 1930 e falecido em 2005, multipremiado, incluindo com o PrĂ©mio CamĂ”es, fez a tradução publicada pouco depois da Revolução, em 1974, mas a reedição de abril do ano passado tem jĂĄ por base uma segunda anĂĄlise, de 1977, feita a partir de indicaçÔes da investigadora Maria Helena Rocha Pereira. EugĂ©nio de Andrade refere-e ao trabalho de Safo de forma elogiosa, salientando "os versos incomparĂĄveis onde a experiĂȘncia Ăntima e devastadora da paixĂŁo, aliada a um sentimento muito vivo da natureza, Ă© comunicada sem ĂȘnfase e sem patetismo, com uma naturalidade atĂ© entĂŁo desconhecida, e que a poesia ocidental nĂŁo terĂĄ voltado a conhecer".
AssĂrio & Alvim
A tradução de Eugénio de Andrade foi publicada em 1974, tendo sido reeditada em abril do ano passado em função de uma anålise datada de 1977.
Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de AntĂłn Tchekhov: "A medicina Ă© a minha mulher legĂtima, a literatura Ă© ilegĂtima" para se apresentar. "A Arquitetura Ă© a minha mulher legĂtima, a Leitura Ă© uma das ilegĂtimas", refere. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades InvisĂveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mĂȘs, mas tambĂ©m leituras de obras de Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho a 31 de maio. "HistĂłrias para Uma Noite de Calmaria", de Tonino Guerra, foi a sua escolha no dia 4 de junho. No passado dia 25 de julho, a sua escolha recaiu em "Veneno e Sombra e Adeus", de Javier MarĂas, seguindo-se "Zadig ou o Destino", de Voltaire, a 28. O regresso processou-se a 6 de setembro, com "As Velas Ardem AtĂ© ao Fim", de SĂĄndor MĂĄrai. Seguiram-se "HistĂłrias de CronĂłpios e de Famas", de Julio CortĂĄzar, no dia 8; "As Palavras Andantes", de Eduardo Galeano, a 11; "Um Copo de CĂłlera", de Raduan Nassar, a 14; e "Um Amor", de Sara Mesa, no dia 16. A 19 de setembro, a leitura escolhida foi "Ajudar a Estender Pontes", de Julio CortĂĄzar. A 17 de outubro, a proposta centrou-se na poesia de JosĂ© Carlos Barros com trĂȘs poemas do livro "PenĂ©lope Escreve a Ulisses". TrĂȘs dias mais tarde leu trĂȘs poemas inseridos na obra "A Axila de Egon Schiele", de AndrĂ© Tecedeiro. A 29 de novembro apresentou "InquĂ©rito Ă Arquitetura Popular Angolana", de JosĂ© Tolentino de Mendonça. De dia 1 do mĂȘs seguinte Ă© a leitura de "Trieste", escrito pela croata Dasa Drndic e, no dia 3, a proposta foi um trecho do livro "CivilizaçÔes", escrito por Laurent Binet. No dia 5, Agostinho Costa Sousa dedicou atenção a "Viagens", de Olga Tokarczuk. A 7, a obra "HĂșmus", de Raul BrandĂŁo, foi a proposta apresentada. Dois dias mais tarde, a leitura foi dedicada a um trecho do livro "Duas SolidĂ”es - O Romance na AmĂ©rica Latina", com Gabriel GarcĂa MĂĄrquez e Mario Vargas Llosa. Seguiu-se "O Filho", de Eduardo Galeano, no dia 20. A 23, Agostinho Costa Sousa trouxe "O VĂcio dos Livros", de Afonso Cruz. Voltou um mĂȘs mais tarde com "Esta Gente/Essa Gente", poema de Ana Hatherly. No dia 26 de janeiro, apresentou "Escrever", de Stephen King. Quatro dias mais tarde foi a vez de Maria Gabriela Llansol com "O Azul Imperfeito".
