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  • Paulo Jorge Pereira

Agostinho Costa Sousa lê "Ver: Amor", de David Grossman


A proposta apresentada hoje por Agostinho Costa Sousa centra-se num dos grandes escritores da atualidade: o israelita David Grossman e o seu "Ver: Amor".



Nascido em Jerusalém a 25 de janeiro de 1954, David Grossman tem no pacifismo uma das principais marcas da sua literatura, assumindo-se como um dos mais cotados escritores da atualidade. Em entrevistas, lembrou o momento em que, aos oito anos, recebeu do pai (taxista que seria livreiro) um livro assinado por um humorista judaico, Sholem Aleichem, percebendo mais tarde que aquela obra o remetia para a própria infância paterna. Ao ouvir um anúncio radiofónico a propósito de um concurso sobre Aleichem, o então menino decidiu candidatar-se, aceitaram-no e assim começou a sua ligação Foi este o seu primeiro de muitos momentos de fascínio com o campo literário.

A sua formação superior foi cumprida na Universidade de Jerusalém nas áreas de Filosofia e Teatro, mas na Israel Radio acabaria por vir a desenvolver atividade profissional como jornalista durante quase três décadas. Seria, contudo, afastado pela chefia, insatisfeita com o seu comportamento face a uma notícia relativa aos palestinianos. No começo dos anos 70, não escapou ao serviço militar obrigatório

Conhecer Michal, sua futura mulher, mudou-lhe para sempre a vida e conduziu-o de forma decisiva rumo à escrita. Em 1982 publicou "Duel", seguindo-se "The Smile of the Lamb" (1983). "Ver: Amor", de que hoje é aqui apresentado um excerto por Agostinho Costa Sousa, foi publicado em 1986 e tem como questão central o Holocausto. "The Yellow Wind" (1987), exemplo do seu trabalho nos domínios da Não Ficção, traça uma imagem dos territórios ocupados pelos israelitas na Palestina e Grossman continuaria a escrever e a publicar, incluindo obras para público mais jovem: "The Book of Intimate Grammar" (1991), "Sleeping on a Wire: Conversations with Palestinians in Israel" (1992), "The Zigzag Kid" (1994), "Be my Knife" (1998), "Someone to Run With" (2000), "Her Body Knows: Two Novellas" e "Death as a Way of Life: Israel Ten Years After Oslo" (ambos de 2003), "O Mel do Leão: o Mito de Sansão" (2005), "In Another Life" (2007) - no qual aborda o tema da perda do seu filho Uri, morto na guerra do Líbano em 2006 -, "Até ao Fim da Terra" (2008) e "Falling Out of Time" (2012). Já multipremiado, em 2017 iria ser agraciado com o Man Booker Internacional pela obra "Um Cavalo Entra num Bar". Dois anos depois surgiria "A Vida Brinca Comigo".

Os seus livros podem encontrar-se em pelo menos trinta idiomas diferentes.


Publicações D. Quixote


O Holocausto está no epicentro do romance "Ver: Amor", publicado pelo autor em 1986.

Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de Antón Tchekhov: "A medicina é a minha mulher legítima, a literatura é ilegítima" para se apresentar. "A Arquitetura é a minha mulher legítima, a Leitura é uma das ilegítimas", refere. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mês, mas também leituras de obras de Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho a 31 de maio. "Histórias para Uma Noite de Calmaria", de Tonino Guerra, foi a sua escolha no dia 4 de junho. No passado dia 25 de julho, a sua escolha recaiu em "Veneno e Sombra e Adeus", de Javier Marías, seguindo-se "Zadig ou o Destino", de Voltaire, a 28. O regresso processou-se a 6 de setembro, com "As Velas Ardem Até ao Fim", de Sándor Márai. Seguiram-se "Histórias de Cronópios e de Famas", de Julio Cortázar, no dia 8; "As Palavras Andantes", de Eduardo Galeano, a 11; "Um Copo de Cólera", de Raduan Nassar, a 14; e "Um Amor", de Sara Mesa, no dia 16. A 19 de setembro, a leitura escolhida foi "Ajudar a Estender Pontes", de Julio Cortázar. A 17 de outubro, a proposta centrou-se na poesia de José Carlos Barros com três poemas do livro "Penélope Escreve a Ulisses". Três dias mais tarde leu três poemas inseridos na obra "A Axila de Egon Schiele", de André Tecedeiro. A 29 de novembro apresentou "Inquérito à Arquitetura Popular Angolana", de José Tolentino de Mendonça. De dia 1 do mês seguinte é a leitura de "Trieste", escrito pela croata Dasa Drndic e, no dia 3, a proposta foi um trecho do livro "Civilizações", escrito por Laurent Binet. No dia 5, Agostinho Costa Sousa dedicou atenção a "Viagens", de Olga Tokarczuk. A 7, a obra "Húmus", de Raul Brandão, foi a proposta apresentada. Dois dias mais tarde, a leitura foi dedicada a um trecho do livro "Duas Solidões - O Romance na América Latina", com Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Seguiu-se "O Filho", de Eduardo Galeano, no dia 20. A 23, Agostinho Costa Sousa trouxe "O Vício dos Livros", de Afonso Cruz. Voltou um mês mais tarde com "Esta Gente/Essa Gente", poema de Ana Hatherly. No dia 26 de janeiro, apresentou "Escrever", de Stephen King. Quatro dias mais tarde foi a vez de Maria Gabriela Llansol com "O Azul Imperfeito". "Poemas e Fragmentos", de Safo, e "O Poema Pouco Original do Medo", de Alexandre O'Neill, foram outras recentes participações. Seguiram-se "Se Isto É Um Homem", de Primo Levi, e "Se Isto É Uma Mulher", de Sarah Helm. No dia 18 de março, a leitura proposta foi de um excerto de "Augustus", de John Williams. A 24, Agostinho Costa Sousa leu "Silêncio na Era do Ruído", de Erling Kagge; a 13 de abril, foi a vez do poema "Guernica", de Rui Caeiro e, no dia 20, apresentou um pouco de "Great Jones Street", de Don DeLillo. No Especial dedicado ao 25 de Abril, a sua escolha foi para "O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração", escrito por Rui Caeiro, seguindo-se "Ararat", de Louise Glück, no Dia da Mãe e do Trabalhador, a 1 de maio.

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