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  • Paulo Jorge Pereira

Fernanda Silva lê "Abraço", de José Luís Peixoto

Saramago vaticinou-lhe um futuro risonho e José Luís Peixoto, que foi, em 2001, o mais jovem vencedor do prémio com o nome do escritor português ganhador do Nobel da Literatura, tem cumprido. "Abraço" é um regresso ao Alentejo e não só, porque diz respeito a diferentes momentos da vida do multipremiado autor.



José Saramago encarregou-se de avaliar as qualidades de José Luís Peixoto: "Uma das revelações mais surpreendentes da literatura portuguesa. É um homem que sabe escrever e que vai ser o continuador dos grandes escritores", defendeu. E o percurso do multipremiado autor não tem defraudado essas elevadas expectativas. Muito antes dos elogios de Saramago, Peixoto nasceu na aldeia de Galveias, em Ponte de Sor, a 4 de setembro de 1974. Toda a infância e adolescência foi passada nesta zona do Alto Alentejo até ao momento em que rumou a Lisboa para os estudos superiores na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova. Aqui se licenciou em Línguas e Literaturas Modernas (especialidade de Estudos Ingleses e Alemães), seguindo-se anos como professor, missão que o levou mesmo a Cabo Verde. A estreia literária aconteceu em 2000 com a publicação de "Morreste-me" e, ainda nesse ano, de "Nenhum Olhar". De 2001 é a atribuição do Prémio José Saramago, distinção que ajudou na decisão de passar a ser um profissional da escrita. Logo nesse ano estreou-se na poesia com "A Criança em Ruínas".

Entre romance e poesia, José Luís Peixoto passou a publicar com regularidade: "Uma Casa na Escuridão", "A Casa, a Escuridão", "Antídoto", "Cemitério de Pianos", "Cal", "Gaveta de Papéis", "Livro", "Abraço", este último de que aqui se lê um excerto. Em 2012 estende a sua influência às áreas de literatura de viagem ("Dentro do Segredo - Uma Viagem na Coreia do Norte") e infantojuvenil ("A Mãe que Chovia"). Quando torna a publicar é para o regresso aos romances com "Galveias" e "Em Teu Ventre". Em 2016, ganha o Prémio Oceanos para "Galveias", melhor livro do ano publicado em língua portuguesa no Brasil, segundo o júri "um mergulho no Portugal profundo, rural, com uma narrativa que alinha personagens emblemáticas desse universo arcaico" - fora finalista em 2009 com "Cemitério de Pianos" -, e volta a dedicar-se aos mais jovens ("Todos os Escritores do Mundo Têm a Cabeça Cheia de Piolhos") e às viagens ("O Caminho Imperfeito"). Entretanto, desenvolve colaboração como cronista no jornal "Ponto Final" de Macau.

A obra de Peixoto já fora abordada aqui em diferentes ocasiões: primeiro, pela voz de Débora Ribeiro, que trouxe "A Criança em Ruínas", a 30 de junho; a 8 de agosto, Clara Oliveira apresentou um trecho de "Cal"; a 30 de novembro, eu li um pouco de "Nenhum Olhar"; "Autobiografia", a 17 de dezembro, era a leitura mais recente de parte de uma obra do escritor.


Quetzal Editora


Peixoto escreve sobre si próprio com o desembaraço e o talento que o caracterizam quando conta histórias dos outros. "Abraço" é uma revisitação do passado, um regresso ao Alentejo, uma coleção de crónicas para guardar na memória.

Fernanda Silva tem participação regular aqui no blog. Tudo começou com "O Universo num Grão de Areia", de Mia Couto, a 28 de abril, seguindo-se "A Vida Sonhada das Boas Esposas", de Possidónio Cachapa (11 de maio), "Uma Mentira Mil Vezes Repetida", de Manuel Jorge Marmelo (8 de junho), "Bom Dia, Camaradas", de Ondjaki (27 de junho), "Quem me Dera Ser Onda", de Manuel Rui (5 de julho), e "O Sol e o Menino dos Pés Frios" (16 de julho), de Matilde Rosa Araújo. No passado dia 8 de outubro voltou com "O Tecido de Outono", de António Alçada Baptista e, a 27, leu "Histórias que me Contaste Tu", de Manuel António Pina, seguindo-se "Imagias", de Ana Luísa Amaral, a 12 de novembro, e "Os Memoráveis", de Lídia Jorge, apresentado no passado dia 16. A 23 de novembro, Fernanda Silva leu um trecho do livro "Do Grande e do Pequeno Amor", de Inês Pedrosa e Jorge Colombo. A 5 de dezembro apresentou "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen e a 28 do mesmo mês fez a última leitura de 2020: "Na Passagem de um Ano", de José Carlos Ary dos Santos. A 10 de janeiro apresentou a sua primeira leitura de 2021 com "Cicatrizes de Mulher", de Sofia Branco, no dia 31 desse mês leu um trecho de "Mar me Quer", escrito por Mia Couto, e a 14 de fevereiro apresentou "Rodopio", de Mário Zambujal. A 28 de fevereiro foi a vez de ler um trecho do livro "A Instalação do Medo", de Rui Zink. No passado dia 8, foi possível "ouvê-la" no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher, lendo um excerto da história "As Facas de Nima", escrito por Sofia Branco e parte do livro "52 Histórias".

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