top of page
Search
  • Paulo Jorge Pereira

Fernanda Silva lê "As Mulheres e a Guerra Colonial", de Sofia Branco


Sofia Branco é minha Amiga e escrevo-o com orgulho. Mas, muito antes disso, é uma jornalista sem receios que ergue sempre a sua voz contra as desigualdades, as injustiças, a misoginia, a violência de género, o racismo e tantas outras formas de abuso que persistem. Defensora dos Direitos Humanos, hoje é o seu aniversário - a melhor forma de lhe dar os parabéns é recuperando esta leitura de Fernanda Silva com um trecho do seu livro "As Mulheres e a Guerra Colonial".



A guerra colonial dizimou milhares de vidas, destruiu famílias, casas e lugares, estropiou soldados e civis, deixou chagas psicológicas feitas stress pós-traumático que ainda hoje multiplicam vítimas sob a forma de violência doméstica e outras formas de violência. Ao longo de 13 anos, entre 1961 e 1974, milhares de soldados combateram, sofreram, viram horrores, mataram para não morrer, massacraram, cometeram atrocidades, foram presos, torturados, prenderam e torturaram. E as mulheres? O que lhes aconteceu ao longo desse tempo? Como sobreviveram e lidaram com uma série de diferentes papéis? Sofia Branco investiou e procurou respostas para estas e muitas outras perguntas, daqui nascendo "As Mulheres e a Guerra Colonial", de que hoje aqui é apresentado um excerto pela voz de Fernanda Silva. Há 49 histórias contadas que nos fazem revisitar aquele país que parece tão distante e estão sempre aconchegadas por poemas vindos das músicas de cantautores como José Afonso, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, entre outros. As histórias ilustram exemplos diferentes, falam de dias de dúvida, de dor e sofrimento, de constante incerteza e, tantas vezes, finais infelizes. Mas também de coragem exemplar e de situações desconhecidas para tantos que ainda hoje mal conseguem perceber uma ínfima parte do que se passou naqueles anos de ditadura, a longa noite fascista.

Outro exemplo da qualidade do trabalho de Sofia Branco foi lançado em 2006. O livro "Cicatrizes de Mulher" conta histórias de mulheres que foram submetidas a mutilação genital, tendo por base casos como os de Mariama, Tchambu e Cândida, testemunhos recolhidos em bairros com predominância das comunidades africanas em Portugal, na Guiné-Bissau e ainda em vários países europeus. Pela dimensão humanista e pela importância fundamental de abordar um fenómeno que continua a ser responsável por mortes e danos irreparáveis para muitas mulheres - ainda agora, no primeiro julgamento sobre a prática em Portugal, foi condenada a três anos de prisão e ao pagamento de 10 mil euros, uma mulher que permitiu a mutilação da própria filha com ano e meio -, a obra de investigação de Sofia Branco, então jornalista do Público e hoje na agência Lusa, recebeu seis prémios na área dos Direitos Humanos, como o Natali Europe, da Comissão Europeia e da Federação Internacional de Jornalistas, mas também a Medalha de Ouro da Assembleia da República. A obra foi apresentada na Feira do Livro, no início de junho de 2006 e, cerca de um mês mais tarde, quando teve apresentação na Guiné-Bissau, um dos 30 dos 54 países africanos onde a prática era corrente, a autora afirmou, citada pela comunicação social: "Tenho muito respeito pela tradição, mas o corte é desnecessário. Morrem mulheres por causa do parto que não se consegue concluir, morrem meninas com infecções. É necessária uma vasta campanha de sensibilização, a todos os níveis, para acabar com esta prática nefasta."

Além do trabalho empenhado no dia a dia como jornalista, Sofia Branco foi eleita Presidente do Sindicato dos Jornalistas em 2016 e reeleita em 2019, sempre com elencos diretivos paritários, desenvolvendo em conjunto com os companheiros da direção um trabalho profundo em defesa do Jornalismo e da profissão. Num contexto de enormes dificuldades, marcado por constantes despedimentos, precarização e ataques da mais variada índole aos jornalistas, Sofia Branco foi uma voz inquieta que nunca se escondeu, estando na primeira linha dos mais duros combates e reivindicando sempre mais e melhor para os profissionais do setor.

Sob a sua liderança houve espírito de cooperação entre diferentes representações de jornalistas e, quase duas décadas depois da anterior edição, em 2017, durante quatro dias, realizou-se o 4.º Congresso da classe, onde foi possível debater diferentes temáticas e dar oportunidade a jovens estudantes de terem uma oportunidade de treinar a prática profissional numa experiência de redação laboratório que incluiu entrevistar o chefe de Estado. Mais recente, de dezembro de 2019, é a conferência sobre financiamento dos media, um tema bem dentro da atualidade e da delicada situação que as empresas enfrentam, na qual participou também o Presidente da República. Outro projeto que muito exigiu e está a dar frutos é o da literacia para os media, cada vez mais uma forma de aproximação a professores, alunos e à sociedade em geral, no sentido de que compreendam e interpretem melhor o papel do jornalista.



Mas, para lá da montanha de trabalho desenvolvido em Portugal nas mais variadas frentes, de cursos a palestras, passando por dar aulas de Ética, Sofia Branco destacou-se por ter igualmente presença e voz dinâmica no plano internacional. Não só abriu caminho à inédita eleição do presidente do Sindicato dos Jornalistas para o Comité Executivo da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), em junho de 2019, como foi também eleita para o Conselho de Género da entidade. Além disso, devido ao seu intenso trabalho, Lisboa acolheu, pela primeira vez, a assembleia anual da Federação Europeia de Jornalistas em junho de 2018, na qual foram aprovadas por unanimidade as moções sobre precariedade, violência contra jornalistas no desporto e desigualdades de género apresentadas pelo Sindicato dos Jornalistas.

Nascida na Póvoa de Varzim, estudante universitária em Coimbra, Sofia Branco é jornalista há mais de duas décadas, tendo realizado estudos em diferentes especialidades (islamismo, igualdade de género, mestrado em Direitos Humanos). Além das obras "As Mulheres na Guerra Colonial" e "Cicatrizes de Mulher" acima referidas, Sofia Branco coordenou, com Anabela Natário e Isabel Nery, a antologia "Tudo por Uma Boa História" (2017).



Esfera dos Livros


Jornalista indomável e infatigável ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas, Sofia Branco tem variada obra escrita pela defesa dos Direitos Humanos, seja em livro ou em artigos.

Fernanda Silva tem participação regular aqui no blog. Tudo começou com "O Universo num Grão de Areia", de Mia Couto, a 28 de abril de 2020, seguindo-se "A Vida Sonhada das Boas Esposas", de Possidónio Cachapa (11 de maio), "Uma Mentira Mil Vezes Repetida", de Manuel Jorge Marmelo (8 de junho), "Bom Dia, Camaradas", de Ondjaki (27 de junho), "Quem me Dera Ser Onda", de Manuel Rui (5 de julho), e "O Sol e o Menino dos Pés Frios" (16 de julho), de Matilde Rosa Araújo. No dia 8 de outubro voltou com "O Tecido de Outono", de António Alçada Baptista e, a 27, leu "Histórias que me Contaste Tu", de Manuel António Pina, seguindo-se "Imagias", de Ana Luísa Amaral, a 12 de novembro, e "Os Memoráveis", de Lídia Jorge, apresentado no dia 16. A 23 de novembro, Fernanda Silva leu um trecho do livro "Do Grande e do Pequeno Amor", de Inês Pedrosa e Jorge Colombo. A 5 de dezembro apresentou "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen e a 28 do mesmo mês fez a última leitura de 2020: "Na Passagem de um Ano", de José Carlos Ary dos Santos. A 10 de janeiro apresentou a sua primeira leitura de 2021 com "Cicatrizes de Mulher", de Sofia Branco, no dia 31 desse mês leu um trecho de "Mar me Quer", escrito por Mia Couto, e a 14 de fevereiro apresentou "Rodopio", de Mário Zambujal. A 28 de fevereiro foi a vez de ler um trecho do livro "A Instalação do Medo", de Rui Zink. A 8 de março, foi possível "ouvê-la" no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher, lendo um excerto da história "As Facas de Nima", escrito por Sofia Branco e parte do livro "52 Histórias". A 13 de março apresentou "Abraço", de José Luís Peixoto. No dia 24, foi a vez de ler "Cadernos de Lanzarote", de José Saramago. A 27, a sua leitura de um excerto da obra "O Marinheiro", de Fernando Pessoa, integrou o Especial dedicado ao Dia Mundial do Teatro. A 28 de março leu um pouco do livro "Uma Viagem no Verde", de José Jorge Letria.

Voltou a 10 de abril com a leitura de um trecho do livro "As Mulheres e a Guerra Colonial", de Sofia Branco, que hoje aqui se recupera. E, no feriado da Revolução dos Cravos, leu um pouco da obra "A Revolução das Letras", de Vergílio Alberto Vieira. No dia 29 de abril trouxe-nos de volta o trabalho literário de José Carlos Ary dos Santos e leu o poema "Mulher de Maio". A 14 de maio trouxe "A Desumanização", de Valter Hugo Mãe, que hoje aqui regressa. No dia 23 deixou um pouco do livro "Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo", de Teolinda Gersão. A 28 de maio apresentou "Nunca Outros Olhos seus Olhos Viram", de Ivo Machado. "Crónica de uma Travessia", de Luís Cardoso, foi o excerto apresentado a 3 de junho. "100 Histórias do meu Crescer", escrito por Alexandre Honrado, foi a escolha do dia 15. A 20 de junho, a proposta recaiu sobre uma parceria entre Manuel Jorge Marmelo e Ana Paula Tavares para o livro "Os Olhos do Homem que Chorava no Rio". "Mulheres da Minha Alma", de Isabel Allende, a 15 de outubro, foi outra das leituras de Fernanda Silva aqui no blog. A 12 de novembro, leu um pouco da obra "Lôá Perdida no Paraíso", de Dulce Maria Cardoso. De 10 de dezembro é "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner, que já aqui regressou.

Mia Couto e "O Caçador de Elefantes Invisíveis" surgiram a 7 de fevereiro de 2022. A 12 de março, a escolha de leitura de Fernanda Silva recaiu em "Breve História do Afeganistão de A a Z", de Ricardo Alexandre. No dia 31 registou-se o regresso da obra "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen. A 3 de maio, a proposta de Fernanda Silva recaiu sobre "Afastar-se", de Luísa Costa Gomes. No dia 22, Manuel Jorge Marmelo e "A Última Curva do Caminho" foram objeto da sua atenção. A 22 de junho, "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, foi a proposta. A 6 de agosto aqui se recuperou a sua leitura de "Imagias", de Ana Luísa Amaral, que hoje regressa. No dia 20 foi o momento de reviver a proposta de "Uma Mentira Mil Vezes Repetida", de Manuel Jorge Marmelo. E a 26 voltou "Breve História do Afeganistão de A a Z", de Ricardo Alexandre, assinalando a sua sessão de autógrafos na Feira do Livro do Porto.

A 31 de agosto regressou a sua leitura do trabalho literário de Ana Luísa Amaral. De 8 de setembro é a leitura de um excerto de "Lôá Perdida no Paraíso", de Dulce Maria Cardoso. "Cadernos de Lanzarote", de José Saramago, ressurgiu no dia 30. A 4 de outubro voltou Teolinda Gersão e a leitura de um trecho da obra "Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo". No dia 12, o regresso coube a uma obra de Lídia Jorge intitulada "Os Memoráveis". A 26 voltou "Afastar-se", de Luísa Costa Gomes. "O Sol e o Menino dos Pés Frios", de Matilde Rosa Araújo, regressou a 17 de novembro. De 4 de dezembro é a releitura de um pouco da obra "A Instalação do Medo", de Rui Zink. No dia 15 recuperei "Os Olhos do Homem que Chorava no Rio", colaboração entre Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo. No dia 21 apresentou "O Suave Milagre", de Eça de Queiroz, inserido no livro "As Mais Belas Histórias de Natal". "100 Histórias do meu Crescer", de Alexandre Honrado, voltou no dia de Natal.

38 views0 comments
bottom of page