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  • Paulo Jorge Pereira

Agostinho Costa Sousa lê "Jakob, O Mentiroso", de Jurek Becker

Updated: Oct 11

Uma história sobre o Holocausto, que foi adaptada ao grande ecrã em duas ocasiões diferentes, é a proposta de hoje apresentada por Agostinho Costa Sousa: um trecho da obra "Jakob, O Mentiroso", de Jurek Becker.



"Jakob, Der Lügner", no original, foi escrito em 1969 e conquistaria sucesso quase imediato, incluindo a atribuição de diversos prémios. Jurek Becker, que nasceu em 1937 na cidade de Lodz e chegou a ser deportado para os campos de concentração de Ravensbrück e Sachsenhausen (a mãe foi mesmo assassinada), era ainda estudante universitário quando ouviu o pai contar a história de um homem que, durante a II Guerra Mundial, no gueto de Lodz, dava informações aos compatriotas porque, ainda que isso o colocasse em risco perante os nazis, tinha um aparelho de rádio. Em 1963, Becker tornou-se argumentista e apresentou aos estúdios estatais da RDA uma proposta com base nessa história.

Com avanços e recuos, o livro seria adaptado ao Cinema em duas ocasiões: primeiro, logo em 1975, com Vlastimil Brodsky como protagonista e Armin Mueller-Stahl entre os participantes, argumento do próprio Becker em colaboração com o realizador, Frank Beyer, um Urso de Prata no Festival de Berlim (Melhor Argumento) e uma nomeação para Óscar de melhor filme estrangeiro (foi uma coprodução entre a então RDA e a Checoslováquia); mais tarde, em 1999, num filme que teve Robin Williams à frente de um elenco que integrou ainda Alan Arkin, Bob Balaban, Liev Schreiber e de novo Armin Mueller-Stahl.

Becker seria um dos mais destacados escritores germânicos do século passado, depois de ter estudado Filosofia e Cinema. Poeta e professor, a sua escrita entrou nos territórios da 7.ª Arte e da televisão com cerca de uma dúzia de argumentos. Mas cairia em desgraça na então Alemanha Oriental no ano de 1976, depois de ser um dos signatários da carta contra a perseguição a Wolf Biermann, cantor e escritor que fora alvo de expulsão do Partido Comunista por discordar da ditadura que governava a RDA. Também Becker seria expulso do Partido Comunista de imediato. Fugiu então para Berlim Ocidental, aqui morrendo a 14 de março de 1997, vítima de cancro no cólon.

Entre os seus trabalhos encontram-se, além do livro hoje aqui apresentado por Agostinho Costa Sousa, obras como "Irreführung der Behörden" (1973), "Der Boxer"(1976), "Schlaflose Tage" (1978), "Nach der ersten Zukunft" (1980), "Aller Welt Freund"(1982), "Bronsteins Kinder" (1986), "Warnung von dem Schiftsteller" (1990) ou "Amanda Herzlos" (1992).


Guerra e Paz/Tradução de Maria José Segismundo dos Santos


Jurek Becker trabalhou nos domínios da Literatura, mas também da televisão e do cinema.

Agostinho Costa Sousa reside em Espinho e socorre-se da frase de Antón Tchekhov: "A medicina é a minha mulher legítima, a literatura é ilegítima" para se apresentar. Estreou-se a ler por aqui a 9 de maio com "A Neve Caindo sobre os Cedros", de David Guterson, seguindo-se "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, a 16 do mesmo mês, mas também leituras de obras de Manuel de Lima e Alexandra Lucas Coelho a 31 de maio. "Histórias para Uma Noite de Calmaria", de Tonino Guerra, foi a sua escolha no dia 4 de junho. No passado dia 25 de julho, a sua escolha recaiu em "Veneno e Sombra e Adeus", de Javier Marías, seguindo-se "Zadig ou o Destino", de Voltaire, a 28. O regresso processou-se a 6 de setembro, com "As Velas Ardem Até ao Fim", de Sándor Márai. Seguiram-se "Histórias de Cronópios e de Famas", de Julio Cortázar, no dia 8; "As Palavras Andantes", de Eduardo Galeano, a 11; "Um Copo de Cólera", de Raduan Nassar, a 14; e "Um Amor", de Sara Mesa, no dia 16. A 19 de setembro, a leitura escolhida foi "Ajudar a Estender Pontes", de Julio Cortázar. A 17 de outubro, a proposta centrou-se na poesia de José Carlos Barros com três poemas do livro "Penélope Escreve a Ulisses". Três dias mais tarde leu três poemas inseridos na obra "A Axila de Egon Schiele", de André Tecedeiro.

A 29 de novembro apresentou "Inquérito à Arquitetura Popular Angolana", de José Tolentino de Mendonça. De dia 1 do mês seguinte é a leitura de "Trieste", escrito pela croata Dasa Drndic e, no dia 3, a proposta foi um trecho do livro "Civilizações", escrito por Laurent Binet. No dia 5, Agostinho Costa Sousa dedicou atenção a "Viagens", de Olga Tokarczuk. A 7, a obra "Húmus", de Raul Brandão, foi a proposta apresentada. Dois dias mais tarde, a leitura foi dedicada a um trecho do livro "Duas Solidões - O Romance na América Latina", com Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Seguiu-se "O Filho", de Eduardo Galeano, no dia 20. A 23, Agostinho Costa Sousa trouxe "O Vício dos Livros", de Afonso Cruz. Voltou um mês mais tarde com "Esta Gente/Essa Gente", poema de Ana Hatherly. No dia 26 de janeiro, apresentou "Escrever", de Stephen King. Quatro dias mais tarde foi a vez de Maria Gabriela Llansol com "O Azul Imperfeito". "Poemas e Fragmentos", de Safo, e "O Poema Pouco Original do Medo", de Alexandre O'Neill, foram outras recentes participações. Seguiram-se "Se Isto É Um Homem", de Primo Levi, e "Se Isto É Uma Mulher", de Sarah Helm. No dia 18 de março, a leitura proposta foi de um excerto de "Augustus", de John Williams. A 24, Agostinho Costa Sousa leu "Silêncio na Era do Ruído", de Erling Kagge; a 13 de abril, foi a vez do poema "Guernica", de Rui Caeiro e, no dia 20, apresentou um pouco de "Great Jones Street", de Don DeLillo.

No Especial dedicado ao 25 de Abril, a sua escolha foi para "O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração", escrito por Rui Caeiro, seguindo-se "Ararat", de Louise Glück, no Dia da Mãe e do Trabalhador, a 1 de maio. "Ver: Amor", de David Grossman, foi a proposta de dia 17. No dia 23, a leitura proposta trouxe Elias Canetti com um pouco da obra "O Archote no Ouvido".

A 31 de maio surgiu com "A Borboleta", de Tonino Guerra. A 5 de junho trouxe um excerto do livro "Primeiro Amor, Últimos Ritos", de Ian McEwan. A 17, a escolha recaiu sobre "Hamnet", de Maggie O'Farrell. A 10 de julho, o trecho selecionado saiu da obra "Ofuscante - A Asa Esquerda", do romeno Mircea Cartarescu. No dia 19 de julho apresentou "Uma Caneca de Tinta Irlandesa", de Flann O'Brien. A 31 de julho leu um trecho da obra "Por Cuenta Propia - Leer y Escribir", de Rafael Chirbes. No dia 8 de agosto foi a vez de "No Entres Docilmente en Esa Noche Quieta", de Ricardo Menéndez Salmón. A 15 de agosto apresentou "Julio Cortázar y Cris", de Cristina Peri Rossi. Uma semana mais tarde, a leitura foi de um trecho da obra "Música, Só Música", de Haruki Murakami e Seiji Ozawa. De 12 de setembro é a sua leitura de um poema do livro "Do Mundo", cujo autor é Herberto Helder. "Instruções para Engolir a Fúria", de João Luís Barreto Guimarães, foi a leitura a 16 de setembro.

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