Sandra Escudeiro lĂȘ "A Infinita Fiadeira", de Mia Couto
- Paulo Jorge Pereira
- Oct 21, 2023
- 5 min read
Aqui Ă© recordada a proposta de Sandra Escudeiro com um excerto de obra de um autor que tambĂ©m tem presença regular no blog: "A Infinita Fiadeira", de Mia Couto. Trata-se de um conto incluĂdo na obra "O Fio das Missangas", escrita pelo autor moçambicano que recebeu o PrĂ©mio CamĂ”es em 2013.
"Mia Couto - sou autor do meu nome", um documentĂĄrio de Solveig Nordlund, datado de 2019, acompanha "vida e obra do escritor moçambicano". A frase do tĂtulo refere-se Ă questĂŁo de Mia ser o pseudĂłnimo que ele prĂłprio adotou para si por gostar de gatos, pois o seu nome Ă© AntĂłnio Maria Leite Couto. Nascido a 5 de julho de 1955 na Beira, em Moçambique, filho de portugueses - o pai, Fernando Couto, era jornalista e poeta -, aos 14 anos jĂĄ tinha poemas publicados no "NotĂcias da Beira". A partir de 1971 vive em Lourenço Marques (atual Maputo) e ali estuda Medicina, embora nĂŁo chegue a concluir a licenciatura. TrĂȘs anos mais tarde torna-se jornalista, trabalhando na "Tribuna" e "Jornal de NotĂcias" antes de ser escolhido para diretor da AgĂȘncia de Informação em 1976. Ainda integrou a revista Tempo (79/81), mas acabaria por afastar-se do jornalismo em 1985, jĂĄ depois de publicar o seu primeiro livro de poesia, "RaĂzes de Orvalho" (1983). O passo seguinte foi a Biologia na universidade, especializando-se em Ecologia, de que seria professor, alĂ©m de ser o responsĂĄvel pela proteção Ă reserva natural da ilha de Inhaca (1992).
Poesia, romance, crĂłnicas, contos - a obra de Mia Couto Ă© polifĂłnica, com uma linguagem criativa e nĂŁo se esgota num gĂ©nero. Multipremiado, com relevo para o PrĂ©mio CamĂ”es em 2013, nĂŁo faltam exemplos do seu invulgar talento escrito, em alguns casos jĂĄ adaptado ao cinema: "Vozes Anoitecidas" (1987), "Cronicando" (1988), "Cada Homem Ă© uma Raça" (1990), "Terra SonĂąmbula" (1992), "EstĂłrias Abensonhadas" (1994), "A Varanda do Frangipani" (1996), "Vozes Anoitecidas" (1999), "Mar me Quer" e "O Ăltimo Voo do Flamingo" (ambos de 2000), "Na Berma de Nenhuma Estrada" (2001), "Um Rio Chamado Tempo" (2002), "O Fio das Missangas" e "O PaĂs do Queixa Andar" (2003), "A Chuva Pasmada" (2004), "O Outro PĂ© da Sereia" (2006), "JesusalĂ©m" e "E se Obama fosse Africano? e Outras IntervençÔes" (2009), "Pensageiro Frequente" (2010) ou a trilogia As Areias do Imperador, composta pelas obras "Mulheres de Cinzas" (2015), "A Espada e a Azagaia" (2016), "O Bebedor de Horizontes" (2017), "A Ăgua e a Ăguia" (2018), "O Terrorista Elegante e Outras HistĂłrias" (com JosĂ© Eduardo Agualusa, 2019) e "O Mapeador de AusĂȘncias" (2020).
Voltando Ă intervenção nas ConferĂȘncias do Estoril, ela incluiu uma citação do escritor uruguaio Eduardo Galeano, dedicada ao medo global: "Os que trabalham tĂȘm medo de perder o trabalho. Os que nĂŁo trabalham tĂȘm medo de nunca encontrar trabalho. Quem nĂŁo tem medo da fome, tem medo da comida. Os civis tĂȘm medo dos militares, os militares tĂȘm medo da falta de armas, as armas tĂȘm medo da falta de guerras". E Mia Couto concluiu: "E, se calhar, acrescento eu, hĂĄ quem tenha medo que o medo acabe".
A obra multipremiada do escritor moçambicano jĂĄ aqui foi abordada em diversas ocasiĂ”es: a 14 de abril, quando li um excerto de "Terra SonĂąmbula"; a 28 do mesmo mĂȘs, Fernanda Silva apresentou um trecho de "O Universo num GrĂŁo de Areia" e a 25 de junho, na leitura, protagonizada por Joaquim Semeano, de parte de "Mulheres de Cinza"; "Venenos de Deus, RemĂ©dios do Diabo", proposta de Ana Zorrinho, foi lido a 11 de agosto e, a 21 de outubro, Zita Pinto fez uma outra abordagem de "Terra SonĂąmbula". A 31 de janeiro, Fernanda Silva leu um excerto do livro "Mar me Quer". "A Infinita Fiadeira" foi apresentada por Sandra Escudeiro a 6 de maio, a 12 de agosto chegou um pouco do conto "Os Dançarinos", que jĂĄ regressou, e "O Caçador de Elefantes InvisĂveis" ganhou presença a 14 de dezembro de 2021.
Editorial Caminho
HistĂłria de uma aranha-artista, no conto "A Infinita Fiadeira" o autor escreve: "Todo o bom aracnĂdeo sabe que a teia cumpre as fatais funçÔes: lençol de nĂșpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funçÔes."
Sandra Escudeiro, que se identifica como "uma amante da Leitura", mas tambĂ©m artesĂŁ, tem presença regular aqui no blog, nasceu em 1973 e vive em Vila Nova de FamalicĂŁo. Ă a dinamizadora do "Clube de Leitores", na biblioteca escolar da Escola BĂĄsica de RibeirĂŁo, onde trabalha hĂĄ 11 anos. Por outro lado, Ă© tambĂ©m artesĂŁ e, em part time, dedica-se Ă trapologia desde 2009. Inspira-se na literatura e nos seus autores, idealiza e constrĂłi bonecos exclusivos em trapos designados "Bonecos Urbanos", aqui surgindo as "Figuras LiterĂĄrias", isto Ă©, bonecos que caracterizam os mais importantes escritores, diversas personagens das histĂłrias infantis bem como outros seres idealizados na imaginação da criadora. Podem acompanhar aqui o seu maravilhoso trabalho: bonecosurbanos.blogspot.com. EstĂĄ jĂĄ nas dezenas a sua participação aqui no blog. Tudo começou com a leitura do poema "A Espantosa Realidade das Coisas", de Alberto Caeiro, heterĂłnimo de Fernando Pessoa, a 15 de junho; seguiram-se "O Limpa-Palavras", de Ălvaro MagalhĂŁes, a 26 desse mĂȘs; "Canção na Massa do Sangue", de Jacques PrĂ©vert, a 30 de julho; "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres", de Clarice Lispector, a 2 de outubro; "SĂł" e "O Poço Ă© o PĂȘndulo", de Edgar Allan Poe, foram as suas leituras de 2 de novembro; no dia 21 desse mĂȘs regressou com "Os Transparentes", de Ondjaki. E aproveitou o centenĂĄrio da escritora Clarice Lispector para regressar, participando nessa edição especial com InĂȘs Henriques e recorrendo Ă leitura de dois fragmentos da obra da brasileira, no dia 10 de dezembro. A 23 desse mĂȘs voltou, entĂŁo para apresentar um excerto do livro "O Pintor Debaixo do Lava-Louças", de Afonso Cruz, que jĂĄ regressou.
Seguiu-se a presença de 24 de janeiro quando apresentou o poema "Quarto Crescente", do livro "Luto Lento", escrito por JoĂŁo Negreiros. A 10 de fevereiro leu "Devia Morrer-se de Outra Maneira", escrito por JosĂ© Gomes Ferreira. Cerca de um mĂȘs mais tarde foi uma das vozes que contribuĂram para o Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher, lendo um excerto de "InsubmissĂŁo", de Maria Teresa Horta. A 26 de março trouxe um trecho da obra "A Desumanização", de Valter Hugo MĂŁe. "A Infinita Fiadeira", de Mia Couto, foi a sua proposta de 6 de maio. A 30 desse mĂȘs trouxe "A Cor Azul", de Jaime Soares. A 26 de junho apresentou "JĂĄ NĂŁo me Deito em Pose de Morrer", de ClĂĄudia R. Sampaio. "Terra do Pecado", de JosĂ© Saramago, foi a proposta que leu a 16 de novembro, dia em que o escritor completaria 99 anos. "O Perfume", de Patrick SĂŒskind, foi a sua leitura a 2 de fevereiro. A 26 de abril trouxe "O VĂcio dos Livros", de Afonso Cruz. "InfĂąncia e Palavra", de LuĂsa Dacosta, foi a sua proposta de 20 de maio. A 8 de junho propĂŽs "Kafka Ă Beira-Mar", de Haruki Murakami. De 7 de dezembro Ă© o regresso da obra "A Cor Azul", de Jaime Soares. A 20 de janeiro voltou a leitura da obra "Os Transparentes", de Ondjaki e, no Ășltimo dia desse mĂȘs, o regresso foi feito com "O Limpa-Palavras", de Ălvaro MagalhĂŁes. "InfĂąncia e Palavra", de LuĂsa Dacosta, voltou a 18 de março. A 5 de abril foi o regresso de "JĂĄ NĂŁo me Deito em Pose de Morrer", de ClĂĄudia R. Sampaio. De 14 de maio Ă© a nova presença da obra "O Pintor Debaixo do Lava-Louças", de Afonso Cruz. A 2 de junho voltou "O Limpa-Palavras", de Ălvaro MagalhĂŁes. "InfĂąncia e Palavra", de LuĂsa Dacosta, regressou a 21.
