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  • Paulo Jorge Pereira

Inês Henriques lê "Desamor", de Nuno Ferrão

Mal chegou às livrarias e é já um objeto de culto: "Desamor", de Nuno Ferrão, aqui num excerto lido diretamente de Paris com o talento inigualável de Inês Henriques, tem todos os ingredientes para ser um sucesso.



De Nuno Ferrão não é preciso escrever toneladas de texto para explicar a simplicidade de tudo o que é tão sofisticado que parece invisível. Pode, no entanto, incluir-se o resumo da nota biográfica para quem se dedicar a interpretações mais profundas com base naquilo que crê serem sinais exteriores de revelação: nasceu em 1974, é lisboeta e passou pela Psicologia Clínica no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, mais conhecido como ISPA. Seriam, porém, os caminhos do Jornalismo a levá-lo ao diário Record e também à agência Lusa, embora não se ficasse por aí.

O bicho carpinteiro da escrita minou-o de alto a baixo e "Estórias Limbidinosas", de 2010, foi o primeiro exemplo da "doença", neste caso partilhada com as mãos do amigo André Curvelo Campos.

Foi escrevendo e, além da ficção, dedicou-se também a minibiografias com os universos de atletas e antigos atletas oeirenses como personagens de "Oeiras com Personalidade".

Em "Desamor", cuja apresentação recente foi uma demonstração de afeto e apreço pelo autor e sua obra, conforme escreve o próprio, "um café acolhe Leonardo e Constança, num palco de amor desunido e entrelaçado no folhear de um livro, em refúgio da chuva miudinha". Para lerem mais, é muito simples: comprem "Desamor", porque a experiência dessa leitura será inesquecível. Como o ilustra, aliás, o exemplo aqui deixado por Inês Henriques, lendo diretamente de Paris...


Guerra & Paz


"Um amor de todos os dias, um amor sem literatura, pode ser tão tocante como os amores que vivem nos versos dos poetas", comenta Ana Bacalhau no prefácio de "Desamor".

A paixão e o carinho pelos livros têm acompanhado a vida de Inês Henriques. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Franceses), escolheu o Jornalismo como profissão e o Desporto como área de atuação. Realizado o curso profissional no CENJOR, foi estagiária na Agência Lusa, à qual voltaria mais tarde, e trabalhou no jornal A Bola antes de entrar na redação do Portal Sapo. Neste contexto, a proximidade do desporto adaptado levou-a a escrever "Trazer o Ouro ao Peito - a fantástica história dos atletas paralímpicos portugueses", publicado em 2016. Agora, apesar de já não estar no universo profissional do Jornalismo, continua atenta a essa realidade ao mesmo tempo que tem sempre um livro para ler. E vários autores perto do coração. Inês Henriques tem presença regular e já está na casa das dezenas em participações aqui no blog. Estreou-se a 27 de abril de 2020 com "Perto do Coração Selvagem", de Clarice Lispector; voltou a 10 de maio e leu um excerto de "A Disciplina do Amor", de Lygia Fagundes Telles; no último dia de maio apresentou parte de "351 Tisanas", obra de Ana Hatherly; a 28 de junho, propôs literatura de cordel, com um trecho do livro "Clarisvânia, a Aluna que Sabia Demais", escrito por Luís Emanuel Cavalcanti; a 22 de agosto apresentou um excerto da obra "Contos de Amor, Loucura e Morte", escrita por Horacio Quiroga; a 15 de setembro leu um trecho de "Em Açúcar de Melancia", de Richard Brautigan; a 18 de novembro voltou com "Saudades de Nova Iorque", de Pedro Paixão, e na quinta-feira, 10 de dezembro, prestou a sua homenagem a Clarice Lispector no dia em que a escritora faria 100 anos, lendo um conto do livro "Felicidade Clandestina". Três dias mais tarde apresentava "Os Sete Loucos", de Roberto Arlt. A 3 de janeiro leu um trecho de "Platero e Eu", de Juan Ramón Jiménez. No dia 8 foi a vez de ter o seu livro em destaque por aqui, quando li um excerto de "Trazer o Ouro ao Peito". A 23, a Inês voltou e leu um trecho do livro "O Torcicologologista, Excelência", de Gonçalo M. Tavares e no dia 1 de fevereiro foi uma das participantes no Especial dedicado ao Dia Mundial da Leitura em Voz Alta com "Papéis Inesperados", de Julio Cortázar. A 13 de fevereiro apresentou um excerto do livro "Girl, Woman, Other", de Bernardine Evaristo, participando a 8 de março no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher com a leitura de um trecho do livro "A Ilha de Circe", de Natália Correia.

A 5 de maio participou, com Armando Liguori Junior, no Especial dedicado ao Dia Mundial da Língua Portuguesa. No dia 22 de maio, ao lado de Raquel Laranjeira Pais e Rui Guedes, contribuiu para o Especial dedicado ao Dia do Autor Português. A 1 de junho interveio no Especial do Dia Mundial da Criança com "Ulisses", de Maria Alberta Menéres. No passado dia 7 de agosto, Inês Henriques leu um pouco da obra de estreia de Duarte Baião, "Crónicas do Desassossego". Chico Buarque e "Essa Gente" estiveram na sua leitura a 17 deste mês e, no dia 20, foi a vez de um pedaço do livro "À Noite Logo se Vê", de Mário Zambujal. "Sobre o Amor", de Charles Bukowski, foi a sua leitura de 7 de setembro, seguindo-se "Na América, Disse Jonathan", dois dias mais tarde. No domingo, dia 12, foi "Dom Casmurro", de Machado de Assis, a sua escolha para ler. Dia 15 foi o escolhido para apresentar "Coração, Cabeça e Estômago", de Camilo Castelo Branco. "Flores", de Afonso Cruz, foi a sua proposta no passado dia 17. A 21 de setembro apresentou "Normal People", de Sally Rooney. A 30 de setembro revelara a mais recente leitura: "Sartre e Beauvoir: A História de uma Vida em Comum", de Hazel Rowley.

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