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  • Paulo Jorge Pereira

Especial Dia Mundial da Língua Portuguesa com Armando Liguori Junior e Inês Henriques

No Dia Mundial da Língua Portuguesa aqui ficam propostas apresentadas por Armando Liguori Junior ("A Máquina de Fazer Espanhóis", de Valter Hugo Mãe) e Inês Henriques ("Trinta e Três de Agosto", de Raquel Laranjeira Pais).



"Por vezes, tive a sensação de assistir a um novo parto da Língua Portuguesa", afirmou o próprio José Saramago depois de ler "O Remorso de Baltazar Serapião", a obra que valeu a Valter Hugo Mãe, em 2007, o galardão com o nome do vencedor do Prémio Nobel. Até esse momento inesquecível, o escritor fizera um longo caminho que começou a 25 de setembro de 1971, quando nasceu em Angola, na Vila Henrique de Carvalho, agora designada Saurimo. Acompanhou a família na vinda para Portugal e a infância foi vivida em Paços de Ferreira até à mudança para Vila do Conde, passando a habitar nas Caxinas. Fez o percurso escolar até à Universidade, licenciando-se em Direito e, mais tarde, obtendo pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea no Porto. A paixão pela escrita começa a ser alimentada através da poesia e, em 1996, publica "Silencioso Corpo de Fuga", seguindo-se "O Sol Pôs-se Calmo sem me Acordar", "Entorno a Casa Sobre a Cabeça" e "Egon Schielle auto-retrato de dupla encarnação". Entretanto, colabora na criação da Quasi edições, na qual são publicados livros de personalidades como Caetano Veloso, Mário Soares, Adriana Calcanhotto, Cruzeiro Seixas, Manoel de Barros, António Ramos Rosa, Adolfo Luxúria Canibal ou Ferreira Gullar. Participa na direção da revista Apeadeiro (2001/04) e, em 2006, cria a editora Objeto Cardíaco. Não deixara de escrever e publicar poesia, mas também entrara noutros territórios como o do romance - primeiro, em 2004, com "O Nosso Reino", depois com o tal livro premiado, "O Remorso de Baltazar Serapião".

Com talentos diversificados, salienta-se também nos desenhos, que terão direito a exposições, e ainda na área da música, cantando na banda Governo, cuja estreia se regista em 2008 no Teatro do Campo Alegre. Poesia e romances continuam e, a partir de 2009, entra num outro campo da escrita, apostando na literatura infantil. "A Máquina de Fazer Espanhóis" é um romance de 2010, ano em que também publica "Contabilidade" (poesia) e "As Mais Belas Coisas do Mundo" (infantil). "O Filho de Mil Homens" (2011) é o romance que antecede "O Paraíso Sãos Outros" (2014) e a sua inclusão como finalista do Prémio Oceanos com o livro de que aqui se apresenta um excerto, "A Desumanização", em 2015, ano em que publica "Contos de Cães e Maus Lobos". As obras mais recentes são "Homens Imprudentemente Poéticos" (2016), "Publicação da Mortalidade" (2018), "Serei Sempre o Teu Abrigo" e "Contra Mim", estes dois de 2020.

Em 2017, contou à revista Notícias Magazine "aquilo que de mais precioso" aprendera na vida: "Não importa o que ela nos faça, o importante é mantermo-nos de boa-fé e propensos à alegria." Na mesma entrevista, admite que "os livros são uma forma de fazer as pazes com a vida" e dois casos são citados: "A Máquina de Fazer Espanhóis" (morte do pai) e "O Filho de Mil Homens" (o facto de não ter filhos).

A primeira vez que a obra de Valter Hugo Mãe aqui foi abordada foi a 2 de junho do ano passado quando João Rasteiro leu um trecho de "Contos de Cães e Maus Lobos". A 2 de janeiro regressou quando li um pouco de "Contra Mim". E a 26 de março foi Sandra Escudeiro quem trouxe "A Desumanização".


Porto Editora


"A Máquina de Fazer Espanhóis" teve prefácio de Caetano Veloso.

Armando Liguori Junior, ator e jornalista de formação, tem três livros publicados; dois de poemas ("A Poesia Está em Tudo" – Editora Patuá 2020; "Territórios" – Editora Scortecci 2009; e um de dramaturgia: "Textos Curtos para Teatro e Cinema (2017) – Giostri Editora). Atualmente mantém um canal no YouTube (Armando Liguori), dedicado a leituras literárias, especialmente de poesia. Estreou-se nas leituras aqui para o blog com "Se te Queres Matar Porque Não te Queres Matar?", de Álvaro de Campos, a 15 de julho, seguindo-se "Continuidades", de Walt Whitman, a 7 de agosto e "Matteo Perdeu o Emprego", de Gonçalo M. Tavares, a 11 de setembro. A 16 de outubro, três dias antes da publicação, o Armando deu-me a honra de nos dar a "ouver" um trecho do segundo livro que publiquei, "Murro no Estômago". No dia 12 de fevereiro apresentou "Pelo Retrovisor", de Mário Baggio. E no Dia Mundial do Teatro, a 27 de março, participou no Especial que aqui foi dedicado, lendo um trecho da obra "A Gaivota", de Anton Tchekhov.

No Dia Mundial da Língua Portuguesa, Inês Henriques, que tem presença regular aqui no blog, apresenta "Trinta e Três de Agosto", livro de estreia escrito por Raquel Laranjeira Pais.



Licenciada em Psicologia e mestre em Psicanálise e Filosofia da Cultura (Universidade Complutense de Madrid), Raquel Laranjeira Pais nasceu em Lisboa. Mas o seu interesse pela formação e respetiva diversificação não a limitou a essas fases do percurso e prosseguiu, novamente no exterior, ampliando o seu raio de ação ao Brasil, mais precisamente a São Paulo. Aqui se dedicou à Escrevedeira, um centro cultural de índole literária, mas também se empenhou na publicação de contos da sua autoria em diferentes publicações como Deriva, Pessoa e Lavoura.

De volta a Lisboa, o ofício da escrita permanece entranhado e "Trinta e Três de Agosto" assinala a sua estreia literária.


Editora Perspectiva


Cuidadosa no modo como diversificou a sua formação, Raquel Laranjeira Pais também cuidou de aperfeiçoar a escrita até à estreia literária que aqui se apresenta sob a forma de "Trinta e Três de Agosto".

Inês Henriques tem presença regular e já está na casa das dezenas em participações aqui no blog. Estreou-se a 27 de abril com "Perto do Coração Selvagem", de Clarice Lispector; voltou a 10 de maio e leu um excerto de "A Disciplina do Amor", de Lygia Fagundes Telles; no último dia de maio apresentou parte de "351 Tisanas", obra de Ana Hatherly; a 28 de junho, propôs literatura de cordel, com um trecho do livro "Clarisvânia, a Aluna que Sabia Demais", escrito por Luís Emanuel Cavalcanti; a 22 de agosto apresentou um excerto da obra "Contos de Amor, Loucura e Morte", escrita por Horacio Quiroga; a 15 de setembro leu um trecho de "Em Açúcar de Melancia", de Richard Brautigan; a 18 de novembro voltou com "Saudades de Nova Iorque", de Pedro Paixão, e na quinta-feira, 10 de dezembro, prestou a sua homenagem a Clarice Lispector no dia em que a escritora faria 100 anos, lendo um conto do livro "Felicidade Clandestina". Três dias mais tarde apresentava "Os Sete Loucos", de Roberto Arlt. A 3 de janeiro leu um trecho de "Platero e Eu", de Juan Ramón Jiménez. No dia 8 foi a vez de ter o seu livro em destaque por aqui, quando li um excerto de "Trazer o Ouro ao Peito". A 23, a Inês voltou e leu um trecho do livro "O Torcicologologista, Excelência", de Gonçalo M. Tavares e no dia 1 de fevereiro foi uma das participantes no Especial dedicado ao Dia Mundial da Leitura em Voz Alta com "Papéis Inesperados", de Julio Cortázar. A 13 de fevereiro apresentou um excerto do livro "Girl, Woman, Other", de Bernardine Evaristo, participando a 8 de março no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher com a leitura de um trecho do livro "A Ilha de Circe", de Natália Correia. Quase dois meses depois está de volta. E não ficará por aqui...

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