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  • Paulo Jorge Pereira

Fernanda Silva lê "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queiroz

Clássico da Literatura portuguesa, não faltou êxito e polémica à sua publicação. A Igreja Católica contestou, a crítica adorou, mas também houve quem, como Machado de Assis, o considerasse plágio da obra "La Faute de l'Abbé Mouret", escrita por Émile Zola. Eça negou de imediato, deixando bem claras as diferenças. Fernanda Silva apresenta um excerto da obra numa altura em que está aí uma nova adaptação, agora sob a forma de série no pequeno ecrã.



Eça de Queiroz teve a primeira abordagem aqui no blog a 11 de abril de 2020, então já a propósito do livro "O Crime do Padre Amaro", que hoje aqui volta por intermédio de Fernanda Silva, e cuja adaptação ao grande ecrã em 2002 foi rodeada de controvérsia. Era uma coprodução entre México, França, Espanha e Argentina, com Gael García Bernal como protagonista e realização de Carlos Carrera. Três anos mais tarde seria um dos sucessos do cinema português, com Carlos Coelho da Silva como realizador e um elenco que incluía, além da estreante Soraia Chaves, Jorge Corrula, Nicolau Breyner, Nuno Melo, Ana Bustorff, Cláudia Semedo, Ruy de Carvalho, João Lagarto, Diogo Morgado, Rogério Samora, Manuel Esparteiro, entre outros. Aqui está a apresentação. O romance começara por ser apresentado na Revista Ocidental em 1875, acabando por ser publicado sob a forma de livro no ano seguinte.

Agora, acabou de estrear a série de televisão com a imortal história, Leonel Vieira a realizar e um elenco onde constam, entre outros, Bárbara Branco e José Condessa (o par protagonista), Filomena Gonçalves e José Raposo.

Mas isto é antecipar demasiado o assunto. Convém lembrar que José Maria de Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Varzim, a 25 de novembro de 1845, filho do juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz e de Carolina Augusta Pereira de Eça, então ainda não casados (iriam casar-se quatro anos depois). Teve os cuidados de Ana Joaquina Leal de Barros, ama-de-leite que seria sua madrinha, até ir viver para casa dos avós maternos em 1849. Estudou no Colégio da Lapa, cuja direção estava a cargo do pai de Ramalho Ortigão, a partir de 1855, aí travando conhecimento com os futuros cunhados, Luís e Manuel Resende. Os estudos universitários começam na Faculdade de Direito de Coimbra em 1861, espaço onde irá tornar-se amigo de Teófilo Braga e Antero de Quental, ao lado de quem estará na Geração de 70. Começa também aí a dedicar-se à escrita de cariz jornalístico e, em 1866, passa a viver na casa dos pais bem no centro de Lisboa ao mesmo tempo que escreve folhetins para o jornal Gazeta de Portugal. Mas fica pouco tempo na capital, pois em dezembro já está a caminho de Évora, onde será fundador do jornal Districto de Évora.

No ano seguinte começa atividade profissional na qualidade de advogado e, no verão, está de regresso a Lisboa, tornando a participar com o seus escritos na Gazeta de Portugal. O Cenáculo nasce perto do fim de 1867 e Eça tem a companhia de José Fontana, Ramalho Ortigão, Jaime Batalha Reis, Antero de Quental, Oliveira Martins, Salomão Saragga ou Augusto Fuschini, alguns dos quais integram mais tarde a Geração de 70. Com Batalha Reis e Antero de Quental publica, em 1869, no jornal Revolução de setembro, os versos iniciais de Carlos Fradique Mendes. Este é também o ano em que assiste à inauguração do Canal do Suez - tema sobre o qual irá escrever para o Diário de Notícias em 1870 - durante uma viagem que o leva da Palestina à Síria e Egipto. É o primeiro classificado no concurso de cônsul de primeira classe organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, já depois de ser nomeado administrador do concelho de Leiria e de publicar, também no Diário de Notícias e com a colaboração de Ramalho Ortigão, "O Mistério da Estrada de Sintra".

É também com Ramalho Ortigão que partilha a direção d'As Farpas, cujo número inaugural surge em 1871. Nas Conferências do Casino, Eça é o responsável pela que aborda "A Nova Literatura ou o Realismo como Expressão de Arte". Indigitado cônsul de primeira classe nas Antilhas, toma posse do cargo em Havana perto do fim de 1872 e permanece em funções durante dois anos. Em Cuba conhece as norte-americanas Mollie Bidwel e Anna Conover, de quem irá aproximar-se durante a licença que solicita para deslocações pela América Central, Canadá e Estados Unidos em 1873. Do ano seguinte é a publicação de "Singularidades de uma Rapariga Loura" em simultâneo com a sua passagem para cônsul em Newcastle. É na Revista Ocidental, entre 15 de fevereiro e 15 de maio de 1875, que publica a versão inicial da obra "O Crime do Padre Amaro" e, entretanto, chega ao fim "O Primo Basílio". Torna-se cronista do jornal portuense A Actualidade entre 1877 e 21 de maio de 1878, publicando as "Cartas de Inglaterra". Deste último ano é a publicação com grande êxito de duas edições do livro "O Primo Basílio", mas também uma nova transferência de posto, desta vez para Bristol. Em 1879, "O Conde de Abranhos" (só publicado em 1925, muito depois da morte do escritor) é escrito em Dinan (França), Eça visita ainda Angers (voltará em 1882 e 1884) e, no ano seguinte, nasce a segunda edição da obra "O Crime do Padre Amaro", mas também "O Mandarim", que aparece sob a forma de folhetim no Diário de Portugal, e vários contos em O Atlântico. Cronista do jornal brasileiro Gazeta de Notícias, irá manter essa colaboração até três anos antes de morrer.

Data de 1883 uma nova versão da obra "O Mistério da Estrada de Sintra" e também uma passagem por Portugal que repete no ano seguinte, aproveitando para uma visita à Costa Nova com a condessa de Resende e as duas filhas, Emília e Benedita. Depois de uma visita ao escritor Émile Zola em Paris (1885), pede Emília em casamento e a cerimónia realiza-se a 10 de fevereiro de 1886. Volta a Bristol com Emília e, a 16 de janeiro de 1887, no Porto, nasce a filha Maria. Publica "A Relíquia", a 26 de fevereiro do ano seguinte nasce, em Londres, o segundo filho, José Maria, sendo Eça de Queiroz designado cônsul em Paris no mês de agosto (só assumirá a 20 de setembro). Não deixa de escrever e publica "Os Maias", mas também várias "Cartas de Fradique Mendes", neste caso no jornal Repórter (Porto). Vencidos da Vida é o nome de um grupo formado por mais de uma dezena de personalidades ligadas à Cultura e Eça passa a integrá-lo em 1889, ano em que nasce António, o seu terceiro filho.

Escreve contra o Ultimato inglês em 1890 na Revista de Portugal, cerca de um mês depois de perder a sogra, situação que o leva a passar vários meses em solo português. Continua o seu trabalho literário e tem novas publicações quando, a 6 de abril de 1891, nasce Alberto, o seu quarto filho. Realiza diversas viagens, uma delas em Portugal que irá inspirá-lo para "A Cidade e as Serras". Escreve e publica diversas histórias, viaja e, em 1896, é agraciado com a Legião de Honra em França. Passa por problemas de saúde, tal como os filhos, ao mesmo tempo que avança em vários livros. Mas a degradação da saúde não o deixa e, poucos dias depois de voltar a Paris vindo de território suíço, acaba por morrer a 16 de agosto de 1900. "A Ilustre Casa de Ramires" e "A Cidade e as Serras" são apenas dois exemplos de livros seus com publicação póstuma.

Para lá das diversas adaptações de obras de Eça de Queiroz ao teatro, cinema e bailado, é recente a série "O Nosso Cônsul em Havana" - estreou-se em 2019 e foi mais tarde transformada em filme.

"A Relíquia" é, conforme considerou o próprio autor, uma tentativa de "inquérito à vida portuguesa, crítica ácida e ferina direcionada, especialmente, à questionável influência da Igreja na sociedade e às práticas e crenças religiosas consideradas nefastas para o povo".

Publicada em 1877 no Porto, surge seis anos depois das chamadas Conferências do Casino, em que participaram Eça, Antero de Quental, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão e outras personalidades da Cultura da época, constituindo o movimento que ficou conhecido como Geração de 70. Em comum, o grupo de pensadores e escritores tinha uma visão bem nítida acerca de um país retrógrado, assimétrico, provinciano, inculto e em que a miséria, económica e moral, imperava. Não deixaram de identificar diversos fatores como catalisadores dessa situação e assumiram-se como anticlericais, antecipando uma das marcas da futura República.


Coleção Mil Folhas/Público


Retrato da hipocrisia na sociedade portuguesa de então, a obra apresenta o escândalo que constitui o amor entre um padre e uma jovem paroquiana do concelho de Leiria.

Fernanda Silva tem participação regular aqui no blog. Tudo começou com "O Universo num Grão de Areia", de Mia Couto, a 28 de abril de 2020, seguindo-se "A Vida Sonhada das Boas Esposas", de Possidónio Cachapa (11 de maio), "Uma Mentira Mil Vezes Repetida", de Manuel Jorge Marmelo (8 de junho), "Bom Dia, Camaradas", de Ondjaki (27 de junho), "Quem me Dera Ser Onda", de Manuel Rui (5 de julho), e "O Sol e o Menino dos Pés Frios" (16 de julho), de Matilde Rosa Araújo. No dia 8 de outubro voltou com "O Tecido de Outono", de António Alçada Baptista e, a 27, leu "Histórias que me Contaste Tu", de Manuel António Pina, seguindo-se "Imagias", de Ana Luísa Amaral, a 12 de novembro, e "Os Memoráveis", de Lídia Jorge, apresentado no dia 16. A 23 de novembro, Fernanda Silva leu um trecho do livro "Do Grande e do Pequeno Amor", de Inês Pedrosa e Jorge Colombo. A 5 de dezembro apresentou "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen e a 28 do mesmo mês fez a última leitura de 2020: "Na Passagem de um Ano", de José Carlos Ary dos Santos.

A 10 de janeiro apresentou a sua primeira leitura de 2021 com "Cicatrizes de Mulher", de Sofia Branco, no dia 31 desse mês leu um trecho de "Mar me Quer", escrito por Mia Couto, e a 14 de fevereiro apresentou "Rodopio", de Mário Zambujal. A 28 de fevereiro foi a vez de ler um trecho do livro "A Instalação do Medo", de Rui Zink. A 8 de março, foi possível "ouvê-la" no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher, lendo um excerto da história "As Facas de Nima", escrito por Sofia Branco e parte do livro "52 Histórias". A 13 de março apresentou "Abraço", de José Luís Peixoto. No dia 24, foi a vez de ler "Cadernos de Lanzarote", de José Saramago. A 27, a sua leitura de um excerto da obra "O Marinheiro", de Fernando Pessoa, integrou o Especial dedicado ao Dia Mundial do Teatro. A 28 de março leu um pouco do livro "Uma Viagem no Verde", de José Jorge Letria. Voltou a 10 de abril com a leitura de um trecho do livro "As Mulheres e a Guerra Colonial", de Sofia Branco, que aqui já se recuperou. E, no feriado da Revolução dos Cravos, leu um pouco da obra "A Revolução das Letras", de Vergílio Alberto Vieira. No dia 29 de abril trouxe-nos de volta o trabalho literário de José Carlos Ary dos Santos e leu o poema "Mulher de Maio". A 14 de maio trouxe "A Desumanização", de Valter Hugo Mãe, que hoje aqui regressa. No dia 23 deixou um pouco do livro "Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo", de Teolinda Gersão. A 28 de maio apresentou "Nunca Outros Olhos seus Olhos Viram", de Ivo Machado. "Crónica de uma Travessia", de Luís Cardoso, foi o excerto apresentado a 3 de junho. "100 Histórias do meu Crescer", escrito por Alexandre Honrado, foi a escolha do dia 15. A 20 de junho, a proposta recaiu sobre uma parceria entre Manuel Jorge Marmelo e Ana Paula Tavares para o livro "Os Olhos do Homem que Chorava no Rio". "Mulheres da Minha Alma", de Isabel Allende, a 15 de outubro, foi outra das leituras de Fernanda Silva aqui no blog. A 12 de novembro, leu um pouco da obra "Lôá Perdida no Paraíso", de Dulce Maria Cardoso. De 10 de dezembro é "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner, que já aqui regressou. Mia Couto e "O Caçador de Elefantes Invisíveis" surgiram a 7 de fevereiro de 2022 e voltam hoje. A 12 de março, a escolha de leitura de Fernanda Silva recaiu em "Breve História do Afeganistão de A a Z", de Ricardo Alexandre. No dia 31 registou-se o regresso da obra "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen.

A 3 de maio, a proposta de Fernanda Silva recaiu sobre "Afastar-se", de Luísa Costa Gomes. No dia 22, Manuel Jorge Marmelo e "A Última Curva do Caminho" foram objeto da sua atenção. A 22 de junho, "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, foi a proposta. A 6 de agosto aqui se recuperou a sua leitura de "Imagias", de Ana Luísa Amaral, que já aqui regressou. No dia 20 foi o momento de reviver a proposta de "Uma Mentira Mil Vezes Repetida", de Manuel Jorge Marmelo. E a 26 voltou "Breve História do Afeganistão de A a Z", de Ricardo Alexandre, assinalando a sua sessão de autógrafos na Feira do Livro do Porto e que, mais tarde, aqui voltou no Dia Mundial da Rádio. A 31 de agosto regressou a sua leitura do trabalho literário de Ana Luísa Amaral. De 8 de setembro é a leitura de um excerto de "Lôá Perdida no Paraíso", de Dulce Maria Cardoso. "Cadernos de Lanzarote", de José Saramago, ressurgiu no dia 30. A 4 de outubro voltou Teolinda Gersão e a leitura de um trecho da obra "Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo". No dia 12, o regresso coube a uma obra de Lídia Jorge intitulada "Os Memoráveis". A 26 voltou "Afastar-se", de Luísa Costa Gomes. "O Sol e o Menino dos Pés Frios", de Matilde Rosa Araújo, regressou a 17 de novembro. De 4 de dezembro é a releitura de um pouco da obra "A Instalação do Medo", de Rui Zink, que já aqui voltou.

No dia 15 recuperei "Os Olhos do Homem que Chorava no Rio", colaboração entre Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo. No dia 21 apresentou "O Suave Milagre", de Eça de Queiroz, inserido no livro "As Mais Belas Histórias de Natal". "100 Histórias do meu Crescer", de Alexandre Honrado, voltou no dia de Natal. A 18 de janeiro voltou a sua leitura da obra "As Mulheres e a Guerra Colonial", de Sofia Branco.

"O Caçador de Elefantes Invisíveis", de Mia Couto, que já aqui voltou, foi a proposta que regressou a 29 de janeiro."O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queiroz, foi a proposta de 6 de fevereiro. Uma semana mais tarde, no Dia Mundial da Rádio, voltou "Breve História do Afeganistão de A a Z", de Ricardo Alexandre. A 24 de fevereiro trouxe "Pensageiro Frequente", de Mia Couto. No dia 7 de março voltou "Os Olhos do Homem que Chorava no Rio", de Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo. "Ventos do Apocalipse ", de Paulina Chiziane, foi a sua proposta a 13 de março. A 21 desse mês, Dia Mundial da Poesia, leu "Uma Viagem no Verde", de José Jorge Letria. De 4 de abril é a sua leitura de "Estarei Ainda Muito Perto da Luz?", de Manuel António Pina. A 4 de maio regressou o poema "Mulher de Maio", de José Carlos Ary dos Santos. Voltou a leitura de um excerto da obra "A Instalação do Medo" a 20 de maio. "Lôá Perdida no Paraíso", de Dulce Maria Cardoso, regressou a 27 de maio. De dia 16 de junho é o regresso da obra "O Caçador de Elefantes Invisíveis", de Mia Couto. A 24 voltou "O Sol e o Menino dos Pés Frios", de Matilde Rosa Araújo.

"Do Grande e do Pequeno Amor", de Inês Pedrosa e Jorge Colombo, regressou a 7 de julho. De 22 de julho é o regresso da obra "Os Memoráveis", de Lídia Jorge. A 2 de agosto voltou "Uma Mentira Mil Vezes Repetida", de Manuel Jorge Marmelo. "Cadernos de Lanzarote" voltou a 15 de setembro. "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, reapareceu a 21. A 14 de outubro voltou "Rodopio", de Mário Zambujal. De 10 de novembro é o regresso da obra "Os Memoráveis", de Lídia Jorge. No dia 26 aconteceu o regresso da obra "O Cavaleiro da Dinamarca", de Sophia de Mello Breyner Andresen. A 13 de dezembro voltou "O Suave Milagre", de Eça de Queiroz. "O Filho de Mil Homens", de Valter Hugo Mãe, voltou a 13 de janeiro. A 25 foi o regresso de "Mar me Quer", de Mia Couto. Voltou a 22 de fevereiro a leitura de um trecho da obra "A Última Curva do Caminho", de Manuel Jorge Marmelo.

A 18 de março trouxe "Misericórdia", de Lídia Jorge. A 10 de abril voltou "O Sol e o Menino dos Pés Frios", de Matilde Rosa Araújo. De 10 de maio é o regresso da leitura de um trecho da obra "Do Grande e do Pequeno Amor", de Inês Pedrosa e Jorge Colombo. A 4 de junho voltou "Lôá Perdida no Paraíso", de Dulce Maria Cardoso. De 11 de junho é uma outra leitura da obra "Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo", de Teolinda Gersão.

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