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  • Paulo Jorge Pereira

Inês Henriques lê "Putas Assassinas", de Roberto Bolaño

Uma coletânea com 13 contos, recebendo o título de um deles ("Putas Assassinas") e assinada pelo chileno Roberto Bolaño, que morreu aos 50 anos, é a proposta de leitura de Inês Henriques para hoje.



Publicado em 2001, "Putas Assassinas" reúne 13 contos. Além do que dá título ao livro, inclui: "O Olho Silva", "Gómez Palacio", "Últimos Entardeceres na Terra", "Dias de 1978", "Vagabundo na França e na Bélgica", "Prefiguração de Lalo Cura", "O Retorno", "Buba", "Dentista", "Fotos", "Carnê de Baile" e "Encontro com Enrique Lihn".

Mas as obras com maior êxito de Roberto Bolaño são "Detetives Selvagens" (1998 e distinguido com o Prémio Romulo Gallegos para melhor novela do ano em língua espanhola) e "2666", este datado de 2004. Bolaño nasceu na capital do Chile, Santiago, a 28 de abril de 1953. Depressa mostrou tendência desenfreada para a leitura e, com apenas 15 anos, viajou com a família rumo ao México e logo se dedicou a escrever, publicando mesmo alguns trabalhos em revistas. Aqui criaria com alguns amigos o designado Infrarrealismo, movimento literário visto como uma reação crítica ao realismo mágico de autores como García Márquez ou Juan Rulfo. Identificando-se com o Presidente Salvador Allende, regressou a território chileno em 1973, mas o golpe militar de Pinochet, que assassinou o Chefe de Estado a 11 de etembro e instaurou uma ditadura sangrenta, acabaria por levá-lo à prisão. Não por muito tempo, no entanto, pois, decorrida uma semana de detenção, seria colocado em liberdade por conhecidos do lado das forças ditatoriais. A partir de 1977 e até à sua morte iria morar em Espanha, entre Barcelona, Girona e Blanes.

Com uma obra que se distribui por ficção, poesia, contos e não-ficção, além dos títulos já referidos foram publicados os seguintes trabalhos do chileno: "Consejos de un Discípulo de Morrison a un Fanático de Joyce" (1984), "A Pista de Gelo" (1993), "Literatura Nazi en América" e "Estrella Distante" (os dois de 1996), "Llamadas Telefónicas (1997), "Amuleto" e "Monsieur Pain" (ambos de 1999), "Noturno Chileno" e "Los Perros Románticos" e "Tres" (os três de 2000), "Amberes" (2002), "El Gaucho Insufrible" (2003) e, já publicados de forma póstuma, "Entre Paréntesis" (2004), "Last Evenings on Earth" (2006), "El Secreto del Mal" e "La Universidad Desconocida" (2007), "O Terceiro Reich" (2010), "O Espírito da Ficção Científica" (2016) e "Sepulcros de Vaqueros" (2017).

Do seu casamento com Carolina López nasceram Lautaro e Alexandra, trio que classificava como "a minha única pátria". Morreria de cancro, numa altura em que esperava ser operado para trocar o fígado, a 15 de julho de 2003.


Quetzal/Tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra


Embora tenha vivido períodos da sua vida no Chile e no México, Roberto Bolaño fixaria residência em Espanha a partir de 1977.

A paixão e o carinho pelos livros têm acompanhado a vida de Inês Henriques. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Franceses), escolheu o Jornalismo como profissão e o Desporto como área de atuação. Realizado o curso profissional no CENJOR, foi estagiária na Agência Lusa, à qual voltaria mais tarde, e trabalhou no jornal A Bola antes de entrar na redação do Portal Sapo. Neste contexto, a proximidade do desporto adaptado levou-a a escrever "Trazer o Ouro ao Peito - a fantástica história dos atletas paralímpicos portugueses", publicado em 2016. Agora, apesar de já não estar no universo profissional do Jornalismo, continua atenta a essa realidade ao mesmo tempo que tem sempre um livro para ler. E vários autores perto do coração. Inês Henriques tem presença regular e já está na casa das dezenas em participações aqui no blog. Estreou-se a 27 de abril de 2020 com "Perto do Coração Selvagem", de Clarice Lispector; voltou a 10 de maio e leu um excerto de "A Disciplina do Amor", de Lygia Fagundes Telles; no último dia de maio apresentou parte de "351 Tisanas", obra de Ana Hatherly; a 28 de junho, propôs literatura de cordel, com um trecho do livro "Clarisvânia, a Aluna que Sabia Demais", escrito por Luís Emanuel Cavalcanti; a 22 de agosto apresentou um excerto da obra "Contos de Amor, Loucura e Morte", escrita por Horacio Quiroga; a 15 de setembro leu um trecho de "Em Açúcar de Melancia", de Richard Brautigan; a 18 de novembro voltou com "Saudades de Nova Iorque", de Pedro Paixão, e na quinta-feira, 10 de dezembro, prestou a sua homenagem a Clarice Lispector no dia em que a escritora faria 100 anos, lendo um conto do livro "Felicidade Clandestina". Três dias mais tarde apresentava "Os Sete Loucos", de Roberto Arlt. A 3 de janeiro leu um trecho de "Platero e Eu", de Juan Ramón Jiménez. No dia 8 foi a vez de ter o seu livro em destaque por aqui, quando li um excerto de "Trazer o Ouro ao Peito". A 23, a Inês voltou e leu um trecho do livro "O Torcicologologista, Excelência", de Gonçalo M. Tavares e no dia 1 de fevereiro foi uma das participantes no Especial dedicado ao Dia Mundial da Leitura em Voz Alta com "Papéis Inesperados", de Julio Cortázar. A 13 de fevereiro apresentou um excerto do livro "Girl, Woman, Other", de Bernardine Evaristo, participando a 8 de março no Especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher com a leitura de um trecho do livro "A Ilha de Circe", de Natália Correia.

A 5 de maio participou, com Armando Liguori Junior, no Especial dedicado ao Dia Mundial da Língua Portuguesa. No dia 22 de maio, ao lado de Raquel Laranjeira Pais e Rui Guedes, contribuiu para o Especial dedicado ao Dia do Autor Português. A 1 de junho interveio no Especial do Dia Mundial da Criança com "Ulisses", de Maria Alberta Menéres. No passado dia 7 de agosto, Inês Henriques leu um pouco da obra de estreia de Duarte Baião, "Crónicas do Desassossego". Chico Buarque e "Essa Gente" estiveram na sua leitura a 17 deste mês e, no dia 20, foi a vez de um pedaço do livro "À Noite Logo se Vê", de Mário Zambujal. "Sobre o Amor", de Charles Bukowski, foi a sua leitura de 7 de setembro, seguindo-se "Na América, Disse Jonathan", dois dias mais tarde. No domingo, dia 12, foi "Dom Casmurro", de Machado de Assis, a sua escolha para ler. Dia 15 foi o escolhido para apresentar "Coração, Cabeça e Estômago", de Camilo Castelo Branco. "Flores", de Afonso Cruz, foi a sua proposta no passado dia 17. A 21 de setembro apresentou "Normal People", de Sally Rooney. A 30 de setembro revelara a mais recente leitura: "Sartre e Beauvoir: A História de uma Vida em Comum", de Hazel Rowley. "Desamor", de Nuno Ferrão, surgiu a 20 de novembro, seguindo-se, além da já mencionada em cima leitura de "Amor Portátil", também a obra "Niketche: Uma História de Poligamia", de Paulina Chiziane, no dia 13, e ainda "Olhos Azuis, Cabelo Preto", de Marguerite Duras, no dia 22. Na véspera de Natal, Pedro Paixão e "A Noiva Judia" foram os convidados na leitura de Inês Henriques. A 1 de fevereiro, Dia Mundial da Leitura em Voz Alta, apresentou um trecho de "Todas as Crónicas", de Clarice Lispector. "Platero e Eu", de Juan Ramón Jiménez, que aqui estivera em janeiro de 2021, regressou no sábado, dia 12 de fevereiro. Dois dias depois começava a leitura de excertos do livro "A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer", do sueco Stig Dagerman, que se concluiu a 19 de fevereiro. A 28, o regresso às leituras por aqui fez-se com um excerto de "Pedro Lembrando Inês", de Nuno Júdice. "Um, Ninguém e Cem Mil", de Luigi Pirandello, foi a leitura proposta no passado dia 4.

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